domingo, 7 de fevereiro de 2016

Carnaval na Figueira e na Serra da Boa Viagem

A actividade de Carnaval dos Caminheiros Gaspar Correia estava este ano programada para o próprio fim de semana de Carnaval, na acolhedora cidade da Figueira da Foz e na Serra da Boa Viagem.
06.02.2016, 11h - Tinha começado uma bela caminhada,
na Serra da Boa Viagem
A partida, como sempre, foi da Portela; às 10:30h já estávamos a passar o Mondego. O dia prometia chuva, mas S. Pedro foi-a segurando durante a maior parte do percurso.
A caminhada começou na estrada florestal da Serra ... e foi um belo ziguezaguear por entre o arvoredo e as perspectivas que se abriam para norte e poente, desde o Cabo Mondego às areias de Quiaios, Tocha e Mira. Passámos próximo da Capela de Santo Amaro, do século XIX, e subimos aos geodésicos do Monte Redondo e da Bandeira, este último o mais elevado desta serra.

Ao fundo o farol do Cabo Mondego, onde terminaríamos a caminhada
Praia de Quiaos, vista do Miradouro da Bandeira
Ode à floresta portuguesa
Vale de Fontes ... e por aqui íamos almoçar
Depois do almoço, descemos em direcção norte até à cascata da Boa Viagem, para depois voltarmos em direcção ao mar, a uma cota pouco acima dos 100 metros, sob os geodésicos da Corredoura, Bandeira e Monte Redondo. Quase sobre a praia da Murtinheira, rumámos a sudoeste, em direcção ao Monumento Natural do Cabo Mondego. Os afloramentos jurássicos do Cabo Mondego constituem um conjunto de excepcional importância, nacional e internacional; para além de elevados valores no domínio da paleontologia e sedimentologia, este conjunto sobressai, em particular, no domínio da estratigrafia.

Cascata da Serra
da Boa Viagem
Praia da Murtinheira

Uma subida radical ... e com muito vento...
Monumento Natural do Cabo Mondego
A parte final do percurso ... foi molhada. As muitas nuvens negras que nos tinham acompanhado tinham de despejar o seu conteúdo. Mas pouco depois das quatro da tarde estávamos no Cabo Mondego, onde o autocarro nos recolhia. Tínhamos completado sensivelmente 15 km, naquela que foi uma belíssima caminhada de serra com sabor a mar. Depois, à noite ... seria o habitual e sempre grande Carnaval dos Caminheiros Gaspar Correia... J


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Carnaval Caminheiro ... versão 2016
7 de Fevereiro, 9:30h ... e o segundo dia começara...
Domingo, segundo dia de actividade. Sabíamos que a caminhada trazia surpresas ... e o dia começou por um briefing em que ficámos a saber que o grupo ia ser dividido em pequenos grupos, com vista a um percurso tipo peddy paper, cujas etapas nos dariam a conhecer alguns dos atractivos principais das zonas de Buarcos e da cidade da Figueira da Foz. Sem dúvida uma ideia original ... e lá partimos para as tarefas, meio disfarçados de "narigudos", "enlaçados" e outros adereços carnavalescos... J

Ao longo da marginal, de Buarcos à Figueira da Foz
De "missão" em "missão", passámos assim pelo monumento e placa de homenagem às peixeiras de Buarcos, situada na praça com o curioso "distintivo" de ... Praça da Má Língua.

Homenagem à Peixeira de Buarcos
O "oásis" na Marginal da Figueira
Imagens de um peddy paper muito animado
Eram 12 as etapas que tínhamos a cumprir. Mas, à nona etapa ... podíamos repor energias na Pastelaria Dionísio, para saborear as doces brisas que não são do Liz ... são do Mondego... J. Depois o Jardim Municipal, a Igreja ... e estávamos próximos do fim.


12 "etapas" constituíam esta original forma de caminhar e conhecer Buarcos e a Figueira da Foz
Ver o álbum completo
P
Pouco depois do meio dia e meia hora estávamos junto ao "Sol", com 8,6 km percorridos. O fim de semana de Carnaval terminaria com um almoço na "Quinta da Salmanha", após o que regressámos a Lisboa.
A equipa organizadora desta actividade está sem dúvida de parabéns, pelo empenho e pela originalidade dos momentos que proporcionou ao grupo! Foi ... um excepcional Carnaval Caminheiro!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

De Vale de Espinho à Marvana e às terras de Pesqueiro e Sobrero - 43km / 1600m D+

No meu retiro de Vale de Espinho desde o passado dia 24, só no dia 26 tinha feito uma pequena caminhada de 8 km ao "meu" sempre belo Moinho do Rato e ao alto da Pelada e Vale da Maria.
O Côa no Moinho do Rato, 26.01.2016
Para o primeiro dia de Fevereiro, contudo, na perspectiva de um dia primaveril, tinha programado uma jornada dura, pela extensão e desníveis. Doze minutos antes das sete da manhã, deixei a aldeia ainda adormecida na noite, para ir ver nascer o Sol aos 1049 metros do cume do Passil, lá onde a Beira Alta se debruça sobre a Beira Baixa. O objectivo era ir até ao cume da Marvana, terra de segredos e mistérios. Não que não conhecesse já a maior parte do que ia percorrer, mas tendo prevista para Março uma jornada com mais de trinta amigos dos trilhos, na senda das lendas da Marvana e do ouro do vale de Sobrero ("sobre el oro"), quis ir verificar a passagem nalguns pontos onde já não passava há uns anos. Mas, a solo ... tinha de regressar a Vale de Espinho, claro... J

01.02 - Para poente também se reflectem as cores do amanhecer, mas às 7:39h ... o astro rei ergue-se sobre a Serra
E ... virado a Sul, às terras da Beira Baixa
Ao longo das cumeadas entre as Sepulturas e o Poço do Inferno, o primeiro objectivo foi descer à Ribeira das Ferrarias, afluente do Bazágueda, para depois subir à linha de fronteira, entre a Pedra dos Namorados e o Alto de La Mina. Já me referi a estes curiosos topónimos, quando em Janeiro de 2012 subi pela primeira vez ao cume da Marvana; voltarei a fazer-lhes referência quando, em Março, ali levar as "tropas" que se inscreveram para o desafio que lhes lancei.

Ribeiro das Ferrarias: a quantidade de água
fazia antever como estariam outros ribeiros...
Ao longo da raia, com a Serra da Marvana em pano de fundo

Este foi, até ao fim, o meu único acompanhante,
ao longo desta longa jornada... J
A Malcata propriamente dita vai ficando para trás. Ao centro percebe-se o vale do Bazágueda.
Às dez e meia da manhã estava no cume da Marvana, com 17 km percorridos desde Vale de Espinho, em pouco mais de três horas e meia. E estava ... como que a planar sobre as terras da Extremadura espanhola: aos meus pés tinha o vale de Pesqueiro e Sobrero, limitado a norte pela barreira das Serras das Mesas e da Gata, com o meu Xalmas a coroar. Para sul, o cabeço de Monsanto sobressai atrás da serra de Penha Garcia; mais a sudoeste, a Gardunha no horizonte, para lá da Cova da Beira e dos relevos com que a Malcata se esbate em terras de Penamacor.

Cume da Marvana (859m alt.)
O morro de Monsanto sobressai da serra de Penha Garcia
A imensidão das terras de Pesqueiro e de Sobrero, do cume da Marvana
A sudoeste, a Malcata esbate-se até à Cova da Beira, com a Gardunha ao fundo
A nordeste, a planície estremenha fecha-se na cordilheira das Mesas e da Gata. Ao fundo, ao centro, o Xalmas domina.
E do cume da Marvana ... havia que "mergulhar" para terras de Pesqueiro. Os corta fogos são as vias mais directas, passando-se rapidamente dos 860 metros aos pouco mais de 400 daquele vale fértil, onde tantas gerações de Vale de Espinho trabalharam na apanha e tratamento da azeitona. A velha Prensa lá estava, triste e abandonada, no meio de uma selva de silvas que já não permite sequer entrar onde entrei na primavera de 2007, com dois filhos destas terras e da vida dura de há várias décadas atrás.

Descida da Marvana para
o vale de Pesqueiro
E chego aos olivais de Pesqueiro: um vale com história e com estórias ...
A velha
Prensa: memórias perdidas na noite
dos tempos
Cruzados os ribeiros de Cárnicas e de la Casa, passei junto às chamadas Casas da Florida, "quartel general" de tantas gentes de Vale de Espinho que ali trabalhavam e dormiam, na lida do azeite. O rumo era agora nordeste, começava o regresso ... e tinha o rio Sobrero para atravessar. Como estaria?...

E, pelos olivais de Pesqueiro, a Marvana ia ficando para trás
Casas da Florida ... mais memórias perdidas...
Casas de Barriche, junto ao rio Sobrero
Nascido na Toriña, junto à raia, o rio Sobrero é o mais caudaloso da zona, levando as suas águas para o Erges. O topónimo Sobrero parece derivar de sobre el oro ... o ouro "escondido" na serra da Marvana ... mas vou deixar essas lendas para Março. Agora, tinha-o para atravessar; quando o vi assustei-me ... e não podia caminhar sobre o ouro... J

Rio Sobrero ... e houve que procurar um sítio para atravessar...
Depois de fazer um estudo ainda de onde estas fotos foram tiradas ... arrisquei descer para um local onde as pedras me pareciam facilitar a passagem. E arrisquei bem, mas, mesmo assim ... valeram-me os bastões para o equilíbrio instável ... e com água acima do tornozelo!
Uma vez cruzado o Sobrero, ainda pensei ir beber uma caña a Valverde del Fresno. Mas ... já passava da uma e meia da tarde e tinha agora pela frente o muralhão imponente da cordilheira Mesas - Gata. Se fosse a Valverde a jornada terminaria seguramente com mais de 50 km e mais de 2000 metros de desnível acumulado ... e por isso decidir avançar ao longo das barrocas do Vieiro, Porquera, Toirinha.

Barroca de la Porquera, com as Ellas e o Xalmas ao fundo
Rumo à raia ... com a ajuda da Virgem de Fátima
Pouco depois das três horas de uma tarde primaveril, estava a entrar no caminho serrano que liga Valverde del Fresno a Vale de Espinho. As Ellas continuavam a brilhar ao Sol, enquanto eu ia subindo o Piçarrão. Lá longe, a Marvana como que se despedia, fechando a sudoeste o circulo mágico das montanhas que rodeiam os vales férteis de Pesqueiro e Sobrero. E  às quatro horas estava na Portela da Raia, entrando de novo em Portugal.

Subida para a Portela da Raia
O que resta da Caseta dos Carabineiros do Piçarrão
A Marvana como que se despede, ao fundo, nas cores do entardecer
E ... agora é só descer rumo à "minha" aldeia...
Pelo velho caminho tantas vezes trilhado do Ribeiro Salgueiro e Nabo da Cresta, regressei à velha ponte "romana" de Vale de Espinho. O campanário estava a dar as cinco horas quando me despedi do Côa ... o campanário cujo belo painel de azulejos esperemos que seja, agora, finalmente recuperado.

Ribeiro Salgueiro: os campos bem verdes de Vale de Espinho...
Vale de Espinho à vista! A jornada já tinha passado dos 40 km...
A bela Ponte "romana" de Vale de Espinho, a ver passar o Côa há gerações e gerações...
Eram cinco e vinte quando estava a entrar no meu "retiro espiritual", como costumo chamar à casinha que, há 11 anos, é a base das minhas e nossas "aventuras" nas terras raianas. E que prémio eu havia de merecer, no fim desta longa jornada de 43 km, com praticamente 1600 metros de desnível acumulado? Nada melhor que umas saborosas "mílharas", como aqui se chama às papas de carolo de milho, com abóbora. Uma autêntica delícia ... que fechou com chave de ouro uma bela jornada, num belo dia primeiro de Fevereiro ... que espero melhor do que o Fevereiro de há um ano...

E no fim de uma longa jornada ... umas deliciosas "mílharas"... J
Ver o álbum completo