Como tantas vezes tenho referido, com orgulho, a minha ligação a
Vale de Espinho é já velhinha de mais de meio século. Mas é a partida
de um timoneiro que nos leva a
um doloroso regresso, em abril de 2003. No verão desse ano - como escrevi na retrospectiva com
que iniciei este
blog - a necessária
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Em demanda da nascente do Côa, 19.08.2003... há 23 anos!
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catarse levou-nos a umas férias sediadas em Vale de Espinho... e de lá parti,
a pé e de bicicleta, ao desbravar da
Serra da Malcata, das
Mesas, do
Homem de Pedra. A comunhão com a serra dava-me paz,
conversava com as águas, com o vento, com as perdizes fugidias ... com a
memória de quem tinha trilhado aqueles
trilhos e bredas. Embora sempre tenha preferido confiar mais nas botas do que nas rodas, a
bicicleta permitia-me chegar mais longe. Só no verão de 2003 percorri quase
200 km, a pé e de bicicleta, pelas "minhas" terras raianas; sozinho... a
melhor forma de catarse. Depois, em 2005, surgiu o nosso "retiro espiritual":
Era uma vez uma casa em Vale de Espinho... e os meus "instantâneos de ar livre" passavam a ter uma base na
Raia!
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Das escadas da eólica mais próxima das Fontes Lares,
27.10.2026, 15h55
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Porquê a introdução que fiz a esta "crónica"? Porque, passados mais de vinte
anos, voltei às duas rodas... mas agora apoiadas por motor eléctrico. Não foi
a primeira vez. Conforme enumero na
página dedicada à Bike, desde que em 2024 aderi à mobilidade eléctrica, a
e-bicla já por
duas vezes tinha visitado
Vale de Espinho e passeado em terras do Côa e
da Malcata. Mas agora talvez tenha vindo para ficar... assim o destino o dite.
Assim ela dure. Mas, e principalmente... assim nós duremos!
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Na Lomba, a olhar sobre
Vale de Espinho, 26.10.2026, 16h10
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No dia seguinte ao "
Caminhar e ser feliz" na Malcata - que relatei na crónica anterior - levei contudo a minha
pequena arraiana à
Lomba, onde se juntam os limites Portugal / Espanha
e Beira Alta / Beira Baixa. Há uns 20 anos que ela não subia ali. A Lomba é o
ponto de fronteira mais perto de Vale de Espinho, uns escassos 5 km. Mas
subiu... com batota, em quatro rodas😂! Mas tê-la ali comigo, naquele local
geográfica e paisagisticamente significativo, onde já tantas vezes passei...
gerou emoção.
Que o Universo nos continue a ajudar 🙏
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3ª fª 27, próximo do Cabeço Melhano, com
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Aldeia Velha ao fundo... e a bordo da e-Bike
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Geodésico e Torre de Vigia do Homem de Pedra (1135m alt.). Na
foto superior... o "meu" Xalmas ao fundo.
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Ao fim de 53 anos, ainda vou descobrindo locais que ainda me eram
desconhecidos, como umas soberbas cristas quartzíticas na
Serra do Homem de Pedra, sobre o
Soito e toda a extensão entre o
Côa e a fronteira castelhana. O dia declinava rapidamente, agora na
dita hora de inverno... mas detive-me ali uns bons momentos, extasiado pelas
cores do Sol poente 💓
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Do balcão quartzítico da Serra do Homem de Pedra, assisto ao
declinar de mais um dia...
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Três dias depois voltei a pegar na bicla. Sem dúvida que a assistência
eléctrica é uma enorme ajuda. Subir a ladeira do
Cabeço da Moura desde
a margem do
Côa não é pêra doce, mesmo na versão "e-regresso".
Sobretudo pelas pedras resvaladiças, que levam a desmontar uma ou duas vezes.
E quando se desmonta... voltar a montar naquele piso e com inclinação é
praticamente impossível; o motor eléctrico só actua com o impulso inicial do
pedal...
Mas antes das três e meia da tarde estava na cumeada da Malcata,
debruçado para as ladeiras de Penamacor. A nebulosidade da tarde,
atravessada pelo Sol tímido, preenchia a paisagem com um ar mágico e místico.
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30.10.2026 - Cruzo o Côa no Moinho do Rato... e subo ao
secreto mundo dos deuses...
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"Barroco branco", crista quartzítica apontada a
Quadrazais
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Cruzamento da Ventosa e Espigal
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Fonte e tanque do Espigal, e a antiga Casa da Portucel, 16h00
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Há quadros pintados na Serra...
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Pouco depois das quatro horas estava junto à Torre de Vigia da
Machoca,
sobre a Barragem do Sabugal. A poente, a silhueta inconfundível da
Serra da Estrela. Tinha agora a opção, mais curta, de descer ao vale do
Alcambar, ou maior mas mais segura de descer para a estrada florestal
Malcata - Quadrazais. O bom senso ditou esta segunda opção. Antes das cinco
estava em
Quadrazais e vinte minutos depois em
Vale de Espinho,
com 24 km... nas rodas. Mas não... não vou largar as botas...
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Baloiço do alto da Machoca e, a poente, o Sol a caminho do
poente. À direita, ao fundo, a silhueta da Serra da Estrela.
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O Côa na Açude da Mursa, Quadrazais
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◀️ Impossível não se ficar extasiado...
(próximo de Quadrazais, 17h00)
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Novembro aproxima-se a passos largos e o tempo, inexorável, continua a rodar.
Quem dera poder desligar a assistência eléctrica... à voragem do tempo e do
mundo...