Em
Julho de 2022, aterrámos pela terceira vez na
Turíngia (ex-DDR), por conta de
termos um sobrinho ali radicado. Lembro-me de escrever, então, que a 2200 km
de casa estávamos a menos de mil km da guerra... uma guerra que vozes loucas
apregoariam vir a resolver em 24 horas.
Passaram-se quatro anos... mas as guerras continuam a ceifar vidas, e o mundo,
lançado num caos cada vez mais incerto e tenebroso, parece ter perdido
definitivamente o norte😥. Por isso — e precisamente porque o amanhã é um
desenho mal traçado — voltámos a voar para Berlim e percorremos as
pouco mais de duas centenas de quilómetros até à pequena e pacata cidade de
Bürgel, perto de Jena. Como escrevi na altura... o presente é o
que realmente conta!
Don't dream your life... live your dreams
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30.04 e 01.05.2026 - Uma
semana antes da partida, à Costa Alentejana, entre Porto
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um passeio tipo viagem-relâmpago levou-nos contudo Covo e a Zambujeira do Mar
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Foz do Mira em Vila Nova de Milfontes, 01.05.2026:
fronteira e espelho entre as águas doces e o sal do Atlântico...
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Nesta viagem-relâmpago, cruzámo-nos com as centenas de caminhantes que dão
vida à
Rota Vicentina, hoje uma das redes de trilhos mais emblemáticas de Portugal, ligando
Santiago do Cacém ao
Cabo de São Vicente... e cruzámo-nos
também, na
Zambujeira do Mar, com as memórias de quando a minha menina
tinha 16 anos. Bem... agora poucos mais tem... 🤔🫣😝
Foi o último fôlego de mar, antes de irmos ao encontro do coração da Europa.
Antes das dez da manhã de quinta feira, 7 de maio, estávamos a sobrevoar a
Europa, a caminho de terras germânicas.
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Bürgel, 09.05.2026, 09h05 ... à partida para uma bela jornada
pedestre
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A estadia ia ser curta: apenas 3 a 4 dias. Mas, à semelhança de 2022, havia um
imperativo ao qual eu não queria faltar: o de dar corda às pernas... e encher
a alma e os pulmões de verde e amarelo... 🌿🌼
A minha intenção era ver nascer o Sol, mas ele teimou em jogar às escondidas,
camuflado atrás de nuvens cinzentas que, logo no dia da nossa chegada,
descarregaram bastante água cá para baixo. Nestas alterações climáticas que já
ninguém consegue decifrar, o sábado e o domingo acabariam por ser os dias mais
risonhos. E foi precisamente o sábado o eleito para uma incursão a solo,
mergulhando no silêncio dos bosques que abraçam a pequena cidade de
Bürgel.
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Igreja / Mosteiro de Thalbürgel e o respectivo
klosterteich, o lago do Mosteiro... ou seria uma pintura
realista?...
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Há 4 anos tinha ido ver nascer o Sol nas
searas a norte de Bürgel. Desta vez, porém, seduziram-me as colinas a sudeste. É uma zona de relevo
mais acentuado, dominada por bosques densos onde o verde pulsa com uma
intensidade e uma vivacidade que parecem desafiar o olhar. A paisagem surge
pontuada pelo charme das pequenas cidades de
Thalbürgel,
Ilmsdorf e
Waldeck.
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Em Waldeck, este
belíssimo grafiti funciona como um manifesto visual: capta
com perfeição a simbiose entre a comunidade e a Natureza,
revelando ao mesmo tempo o profundo respeito que estas gentes
nutrem pela terra e pela cultura que as rodeia.
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Waldeck, 10h25... no bucólico de uma cidadezinha rural
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Para esta minha "peregrinação" a solo, tinha
desenhado um percurso de sensivelmente 18 km — uma distância que, sem
contratempos, encaixaria nas quatro horas de folga até ao almoço familiar.
Mas, às vezes, os trilhos têm vontade própria. Entre a herança da chuva
persistente dos dias anteriores e a manifesta desactualização dos mapas, o meu
velho
Locus insistia
em mostrar-me caminhos que a Natureza já tinha reclamado para si. Perante o
mato cerrado de uma ladeira íngreme, onde o trilho desaparecia, preferi rodear
o obstáculo e acelerar o passo sempre que o terreno permitia, numa corrida
contra o cronómetro... e a favor do apetite 😂
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Às 11h25 tinha 12 km percorridos. Felizmente o piso e o declive
melhoraram... sabia que ainda me faltariam cerca de 8 km...
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Mais à frente, entre Hermsdorf e Trotz, encontrei esta
Pousada "dos Três Bodes Cinzentos" -
An den drei grauen Ziegenböcken; apetecia ficar...
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A partir da Pousada dos Três Bodes, a paisagem mudou completamente. Saí dos
bosques para os prados e searas... e para o espectáculo vibrante dos vastos
campos de colza (
Brassica napus). É um mar de amarelo eléctrico que se
estende até ao horizonte. O cultivo da colza domina estas planícies,
destinando-se à produção de óleos — de mesa e para a indústria — e ao
biodiesel. Naquele momento, porém, era apenas a cor, intensa e absoluta, a
ditar o ritmo do meu olhar... e do meu passo acelerado.
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Entrada para a Fuchsturm,
10.05.2026, 10h40
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Três caminheiros... numa mini caminhada de 5 km à volta da
Fuchsturm de Jena, 10.05.2026
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E se em 2022 o último fôlego da digressão foi dedicado a
Berlim...
desta vez o destino eleito foi
Dresden. A logística exigia precisão
cirúrgica: com o voo de regresso a Lisboa marcado para umas madrugadoras oito
horas da manhã, o plano não dava margem para erros. Saímos de
Bürgel na
manhã do dia 11, durante a maior parte do dia trocámos as searas pela
imponência barroca de Dresden - a Florença do Elba - e, ao cair da tarde,
rumámos a Berlim. O "porto de abrigo" final? Um hotel estrategicamente
plantado mesmo em frente ao aeroporto! Assim... tínhamos o despertador a
garantir que a Odisseia terminava a horas 😆
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O Elba em Dresden, 11.05.2026, 12h10 ...
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... e o Tejo à chegada a Lisboa, 12.05.2026, 10h35
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