quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Pedra, Vento e Memória: Crónicas de uma Viagem à Turquia (1)

Corria o ano de 1967... tinha eu 14 anitos, acabados de fazer. Com os meus pais e irmão... cheguei a Istambul num VW "carocha", desde Lisboa! Levei 59 anos para voltar... mas voltei... à procura do Tempo que não foi perdido... mas que foi há muito, muito tempo...
Em Istambul... à procura do tempo perdido...
Istambul, Grande Bazar (𝘒𝘢𝘱𝘢𝘭ı𝘤̧𝘢𝘳𝘴̧ı), 21.09.2026, 16h40
Menos de duas semanas depois de regressar do meu último Caminho de Santiago... "caminhei" mais de 4 mil km de avião até ao outro lado da Europa. E dessa "caminhada"... aterrei com a minha menina e os nossos "Manos Velhos" no Grande Bazar de Istambul, um dos maiores e mais antigos mercados cobertos do mundo.
Erguido em 1461 por ordem do sultão Mehmed II, logo após a conquista de Constantinopla, o Grande Bazar é um mundo dentro desse outro mundo que é Istambul, a grande metrópole entre dois Continentes, com 16 milhões de habitantes!
Atravessando a Ponte Atatürk, sobre o Corno de Ouro (Haliç), que divide a parte europeia de Istambul
entre a península histórica, a sul, e a Galata / Beyoğlu, a norte.
De certo modo, esta viagem à Turquia surgiu na sequência lógica da que, no ano passado, fizemos aos tesouros da Eslovénia, Croácia e Bósnia... que, curiosamente, me levou igualmente a paragens por onde passei na mesma viagem "pré-histórica" de há quase 60 anos, como Split ou a famosa Ponte Turca de Mostar. Também à semelhança do ano passado, o programa esteve a cargo da Pinto Lopes Viagens, integrados num grupo de 24 portugueses acompanhados pelo dinâmico Flávio Soares e, durante todo o périplo turco, guiados por uma genuína enciclopédia humana chamada Sancar Sözer... um autêntico poço de cultura e de contagiosa paixão pelo seu país.
No dia seguinte, as visitas começaram pela famosa Torre Gálata (Galata Kulesi).
Construída originalmente pela colónia genovesa de Constantinopla, ao longo
da época otomana serviu como torre de vigia de incêndios,
prisão e observatório astronómico.
Do topo tem-se uma fabulosa panorâmica sobre o Bósforo e o Corno de Ouro.

 
Por volta de 1632, segundo o cronista Evliya Çelebi, o lendário aviador otomano Ahmed Çelebi terá saltado do topo da Torre de Gálata com asas por si construídas, sobrevoando o Bósforo até aterrar em Üsküdar, na margem asiática. O seu feito espantou a cidade e o próprio sultão atribuiu-lhe o título de Hezarfen, designação de origem persa que significa "o homem dos mil saberes". Mas... os conselheiros imperiais convenceram o sultão de que um homem capaz de tal proeza era perigoso para estar por perto, acabando Hezarfen por ser exilado para a Argélia, onde viria a falecer...
Seguiu-se o Palácio de Dolmabahçe, residência dos últimos sultões do Império Otomano em Istambul
Nas margens do Bósforo, o Palácio de Dolmabahçe foi construído no Séc. XIX, para substituir o antigo Palácio de Topkapı, que deixaríamos para o final da viagem. Em Dolmabahçe viveu e faleceu Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República da Turquia.
A partir da Praça Taksim, coração da Istambul moderna, descemos a avenida pedonal İstiklal Caddesi,
a "Avenida da Independência"... rumo ao almoço, no Restaurante Lipsos
A Igreja de Santo António, a mais monumental das
pregou aqui durante dez anos, quando foi Delegado
Igrejas católicas de Istambul. O Papa João XXIII
Apostólico na Turquia, antes de ser eleito Papa
Muito mais havia para ver em Istambul... que ficaria para o final de um périplo de dez dias. Ao contrário da viagem de há 59 anos, agora íamos desbravar muito mais do que a grande metrópole. Por isso, ao final do dia, com o Sol a pôr-se, estávamos a partir de novo do Aeroporto Internacional de Istambul, junto à costa do Mar Negro, actualmente um dos maiores e mais modernos hubs de aviação do mundo.
E pelas 20h30 daquela 3ª feira 22 de Setembro... aterrámos noutro aeroporto. Qual... leiam na próxima crónica... 🤪
Continua                        

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