Quando em janeiro de 2011 iniciei este blog, comecei pela
retrospectiva dos primeiros 40 anos
dos meus "instantâneos de uma vida ao ar livre". Mas tudo já lá vai há
muito tempo! Essas quatro décadas aproximam-se das seis... e até esse 2011 já
lá vai há uns longínquos 15 anos! No endereço retrospectivo, claro que
condensei "aventuras":
resumi mais de metade da minha vida em 147 publicações, que foram
vistas por mais de 220 mil visitantes do blog. Relatei como me liguei
às serras e aos rios... a Vale de Espinho e às minhas outras "terras
natais". Os "Contos de Fragas e Pragas" que inspiraram o título do blogue... levaram-me a falar das
Fontes Lares, da aldeia mágica de Pitões das Júnias, das terras
mágicas de Somiedo ... e de tantas outras. Mas também falei de amores e
desalentos... do vento das Cíes, da paixão pelos alunos e pelas "aventuras" que com eles vivi. Quando
escrevo, leio e sonho, no meio do silêncio... continuo a escutar as lendas
perdidas da Marvana, das cabanas perdidas do Gerês, das
xanas e nuberus que se escondem na ramagem dos bosques de
Somiedo. Mas o Tempo... esse rola sempre, inexorável.
Oito meses depois, o
blog retrospectivo
dava lugar ao novo
blog. As fragas do passado deram lugar às fragas do que era então o presente.
Desde 2011... as crónicas têm sido escritas mais ou menos "em directo"... e
tanto e tanto já se passou nestes 15 anos! Entre outros "capítulos"... os
Caminhos de Santiago
entraram na minha Vida... há já 12 anos! Do avô que já era em 2011... em 2023
vi-me septuagenário... ao lado da minha "pequena arraiana", oito meses mais
septuagenária do que eu.
Da nostalgia do desacelerar...
Mas afinal, a que propósito vem esta nostalgia, perguntarão os meus leitores.
Nem tudo tem de ter um propósito. Por vezes... é simplesmente o Tempo a rolar.
Se os primeiros "anos loucos" relatados no blog foram os da minha adolescência... poderia dizer,
como aliás escrevi na altura, que os "anos loucos" regressaram em força entre
2011 e 2020. Da Malcata ao Gerês, do Monte Perdido aos
cumes de Somiedo, do Toubkal ao Pico da ilha do Pico e ao
sonho vivo de Machu Picchu... nesses nove anos percorri quase
14.000 km
a pé, registados apenas para ter esta... estatística das "aventuras".
Depois... depois o ritmo começou a baixar. Foi a pandemia? Hmm... não foi,
tanto mais que, nestes últimos seis anos, o declive descendente só se acentuou
a partir de 2023. Mas, descansem os amigos preocupados, a nostalgia não me
leva a uma busca exaustiva de razões. Foi, é, simplesmente... o Tempo a rolar.
14.07.2026, 10h50 - Junto à Foz do Trancão no Tejo
Ou não tivesse já eu viajado para o futuro e, em 2034, com mais de 80 anos,
peregrinado até Roma... a
Caminho de Jerusalém
🤭😂! Mas em vez de avançar no Tempo... recuemos a julho. Depois da
grande "maratona"
Entre Pontes
da última crónica... num dia de nostalgia fui ouvir os
sons do Tejo, nos novos passadiços ribeirinhos de Loures... que já vão sendo velhos. E no
final do mês rumávamos ao nosso retiro raiano... Vale de Espinho.
Verão em Vale de Espinho... a viver a Amizade e as tradições...
No primeiro fim de semana de agosto - cuja sexta feira foi também o último dia
de julho... há muito que estava combinado um convívio raiano com os Manos
Vítor e Paula. Companheiro do meu primeiro
Caminho de Santiago... companheiros a escreverem juntos o Caminho da Vida...
entre montanhas, vales e afectos; se não se lembram... leiam a crónica que tem aquele título... já lá vão 10
anos.
Junto à velha Ponte do Côa, Vale de Espinho, 01.08.2026
... entre montanhas, vales e afectos...
Não tínhamos programa para este fim de semana raiano. Ou melhor... o programa
era Viver e desfrutar a Amizade, não dar pelas horas passarem. Mas, na
naturalidade dos gestos, surgiram duas pequeninas caminhadas, uma em cada dia,
com o Côa como tema e a Malcata como pano de fundo.
No domingo, 2 de agosto, percorremos 8 km de
manhã, entre o Côa e as encostas da Malcata
Mas depois de um saboroso almoço... ficámos de novo entregues a nós próprios.
Não por muito tempo, já que dias depois começaria a chegar a prole a que demos
origem. Nove pessoas numa "casa de bonecas"... por vezes parecia uma linha de
montagem... 😂
Há já algum tempo que não estávamos quase três semanas em
Vale de Espinho. Seja pelo calor excessivo ou pela 'multidão' dentro e
fora de portas - nas ruas ouvia-se mais francês que português - a única
actividade pedestre foi a tradicional caminhada da Associação local, na manhã
do dia 12. Esse mesmo, o dia em que, ao fim da tarde, o Sol se escondeu atrás
da Lua num eclipse quase total.
12.08.2026 - Caminhada anual da ADAVE: 12 km em terras de
Vale de Espinho e da Malcata
nordeste transmontano)... e tínhamos óculos para o ver
12.08.2026, 19h35 - Eclipse do Sol a 98% (total no
20h22 ... já libertado pela Lua, o Sol põe-se num horizonte longínquo...
Que dizer mais de um verão em Vale de Espinho a Viver a Amizade, o Amor
familiar e as tradições? Que houve mercado, que houve arruadas, que houve
cantares... e, claro, que houve a tradicional capeia, da qual, como sempre, o
que mais gosto é o matinal encerro, pelos montes e ruas da aldeia.
16.08.2026 - Encerro para a Capeia de Vale de Espinho
No dia seguinte à capeia, foi a debandada geral. Brasinha brasinha... cada um
para a sua casinha... 😂
Vale de Alvados... em férias das férias...
Ter a casa cheia de filhos e netos é, sem dúvida, uma bênção que nos enche o
coração... mas que nos esgota as energias! A gestão das rotinas e da
vivacidade de nove almas — entre os 8 e os 73 anos — a que acrescia o carinho
da nossa residente nonagenária na casinha defronte, às vezes deixa-nos com a
cabeça a andar à roda. Por isso, a meio da última semana raiana, foi com um
sorriso cúmplice que ouvi a minha estrelita confessar:... "agora apetecia-me era irmos descansar só os dois para qualquer lado".
Neste Mundo louco, entre incêndios, guerras, tremores de terra, filhos que
matam mães, governantes que desgovernam... Viver cada dia é uma "obrigação" e
uma benção. Por isso e por muito mais... daquela confissão à reserva de duas
noites num 'retiro' relaxante... foi apenas o trabalho rápido dos meus "amigos
virtuais" — leia-se IA. Rapidamente me deram 3 ou 4 propostas, das quais
escolhemos a que mais nos cativou, junto à aldeia de Alvados, na minha
velhinha Serra d'Aire... onde, há quase 60 anos, nasceu a minha ligação
às actividades de ar livre, através da espeleologia.
O retiro foi no
Cooking & Nature Hotel, um conjunto de módulos hoteleiros onde impera a madeira e a pedra. O nosso
módulo era o The Nest... onde cada quarto tem o nome de um animal da
zona; o nosso era a geneta 🦝. A minha pequena estava encantada com tudo. O
pequeno almoço é levado ao quarto numa cesta de verga... o quarto e a varanda
debruçam-se para a piscina e para a serra, num ambiente convidativo ao
descanso, à paz, ao silêncio.
Vale de Alvados, 21.08.2026, 11h20
Gruta do Castelejo: regressei às origens
Igreja de Nossa Senhora da Consolação, Alvados, 21.08.2026,
12h10
Foram só duas noites, neste regresso às origens das minhas "aventuras"...
mas viemos rejuvenescidos. Pena que o rejuvenescimento não faça parar o
Tempo... da mesma maneira que faz parar esta já longa crónica, que vai de
meados de julho ao fim de agosto, do Tejo ao Côa e da Malcata... às
"origens" na Serra d'Aire. Mas agosto ainda não acabou... e há uma
"aventura" no horizonte próximo... 🙏