sábado, 10 de outubro de 2026

20ª Marcha dos Fortes... por terras de Mafra

Há já 19 anos, a 13 de Outubro de 2007, participei pela primeira vez na chamada Marcha dos Fortes, uma organização do Clube "Ar Livre", com a colaboração das autarquias envolvidas. Mais de 40 Km a pé, de Runa a Bucelas, pelos Fortes das Linhas de Torres, foi até então o meu record pessoal de distância percorrida num dia. Sete anos depois, voltei-me a inscrever para a 10ª edição daquela prova de resistência. Seguiram-se a 15ª e a 18ª edições, respectivamente em 2019 e 2024. Estando agora longe de ser o meu maior percurso num dia (já quase o tripliquei...🤪), a presença de dois "manos" chegados e vários outros amigos das lides caminheiras levou-me a participar na 20ª edição... a minha 5ª participação, portanto, naquela a que o CAAL chama "A Festa dos caminheiros da região de Lisboa".
Pouco depois das seis da "madrugada" lá estava, junto à ala sul do Convento de Mafra. Como sempre, a prova decorre desde antes do nascer até depois do pôr do Sol. A Cristina e o Zé Messias faziam parte do staff, para um percurso circular desta vez desenhado exclusivamente no concelho de Mafra.
Partida de Mafra às 07h00,
antes de o Sol nascer...
Quase logo à partida, houve um episódio digno de registo. Evidentemente que a organização tinha autorização para atravessarmos um troço da Tapada Militar... mas o portão de entrada, em Mafra, estava fechado! "Olha, a guerra está fechada!", comentava-se na brincadeira, lembrando a velha história do Raul Solnado. Já estávamos todos a ver o prejuízo... "depois parte-se a guita, perde-se a guita, perde-se a bala. É tudo prejuízo!"... só que nós não tínhamos nem guita nem bala...🤣
Mas rapidamente a "guerra" abriu... e uma hora depois chegávamos ao portão de saída, próximo da Carapinheira...🤪
E assim as "tropas" prosseguiram para sul, por velhos trilhos entre Alcainça, a leste, e a Igreja Nova, a poente. Por volta das nove horas começamos a ver a silhueta inconfundível da Serra de Sintra. A marca dos primeiros 10 km foi atingida com o belo tempo de menos de duas horas e meia.
Pelos campos multicoloridos da Arrifana, vamos prosseguindo para sul...
... e surge-nos ao fundo a Serra de Sintra, com o Penedo do Lexim em primeiro plano.
Na aldeia de Lexim esperava-nos o primeiro abastecimento...
... logo seguido da marca psicológica dos primeiros 10 km
O Penedo do Lexim é uma impressionante chaminé vulcânica com mais de 70 milhões de anos, formada no Cretácico Superior. A erosão ao longo de milénios desgastou as rochas sedimentares mais moles ao redor, deixando a descoberto a massa basáltica mais dura e resistente, em forma de colunas quase perfeitas formadas pelo arrefecimento e contracção da lava no interior da conduta vulcânica.
O local guarda também as ruínas de um importante povoado pré-histórico. E dali seguimos para a aldeia da Mata Pequena e para Cheleiros, ao encontro do vale do Lizandro.
Penedo do Lexim, 10.10.2026, 09h55
Com a Serra de Sintra em pano de fundo, atravessamos a aldeia da Mata Pequena...
E chegamos ao vale do rio Lizandro e às pontes de Cheleiros, 10h55
Seguindo o rio - que cruzámos próximo da aldeia abandonada de Broas - o rumo era agora para oeste e noroeste, em direcção ao Carvalhal e ao mar. E no Carvalhal esperava-nos a tradicional refeição quente da Marcha, uma bela esparguetada com carne guisada... até porque pouco depois íamos subir.
Nem sempre a progressão é fácil, nas encostas do Lizandro...
Carvalhal... horas
de almoço!
E ao fundo já se vê o mar...
Pouco antes das três da tarde e com quase 30 km nos pés, estávamos no Forte de S. Julião, sobre a Foz do Lizandro e a praia do mesmo nome. O trilho da falésia abrupta do Lizandro levava-nos depois ao Forte e à aldeia da Carvoeira, seguindo-se um ziguezague sobranceiro ao Forte do Zambujal.
Forte e Praia de S. Julião, 10.10.2026, 15h10
Forte da Carvoeira, 15h50
Nova travessia do Lizandro, entre a Carvoeira e o Zambujal, 16h10
No Forte do Zambujal esperava-nos o último reabastecimento... mas esperavam-nos também umas tristes mas simpáticas padeiras... desiludidas com a falta de homens que tinham ido para a guerra. Não a guerra do Solnado... mas sim a combater os franceses nas invasões napoleónicas que estes Fortes procuraram (e conseguiram) suster...
As tristes padeiras do Forte do Zambujal, desiludidas com a partida dos homens para a guerra...
Mas apesar da guerra... no Zambujal
também havia abastecimento😁
E pelas 18h30 chegávamos à marca dos 40 km. Já faltava pouco...
Pelos trilhos do vale da Ribeira da Vidigueira, subimos gradualmente de regresso ao ponto de partida. O Sol pôs-se às 19h10, à saída do Parque Desportivo de Mafra. Cerca de quinze minutos depois... estávamos de frente para o Real Edifício de Mafra, como é oficialmente reconhecido pela UNESCO.
O Sol pôs-se no horizonte atrás de nós, à medida que caminhávamos os últimos passos...
10.10.2026, 19h25 ... e chegamos a Mafra, de frente para o imponente Convento / Palácio mandado erguer por D. João V
Clique para ver no Wikiloc
Finalizada a Marcha... "marchámos" para as instações militares. Desta vez a "guerra" estava aberta...😜
E estava aberta para um pequeno concerto com que fomos recebidos... além do habitual caldo verde e bifanas com que todas as Marchas dos Fortes têm terminado. Pelo menos... as cinco em que já participei.
Três "manos" juntos... no "quartel" de Mafra 😁

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