Há já 19 anos, a 13 de Outubro de 2007, participei pela primeira vez na
chamada
Marcha dos Fortes, uma organização do
Clube "Ar Livre", com a colaboração das autarquias envolvidas. Mais de 40 Km a pé, de Runa a
Bucelas, pelos Fortes das Linhas de Torres, foi até então o meu record pessoal
de distância percorrida num dia. Sete anos depois, voltei-me a inscrever para
a 10ª edição daquela prova de resistência. Seguiram-se a 15ª e a 18ª edições,
respectivamente em 2019 e 2024. Estando agora longe de ser o meu maior
percurso num dia (já quase o tripliquei...🤪), a presença de dois "manos"
chegados e vários outros amigos das lides caminheiras levou-me a participar na
20ª edição... a minha 5ª participação, portanto, naquela a que o CAAL chama
"
A Festa dos caminheiros da região de Lisboa".
Pouco depois das seis da "madrugada" lá estava, junto à ala sul do
Convento de Mafra. Como sempre, a prova decorre desde antes do nascer
até depois do pôr do Sol. A Cristina e o Zé Messias faziam parte do
staff, para um percurso circular desta vez desenhado exclusivamente no
concelho de Mafra.
|
|
Partida de Mafra às 07h00,
|
|
|
antes de o Sol nascer...
|
Quase logo à partida, houve um episódio digno de registo. Evidentemente que a
organização tinha autorização para atravessarmos um troço da Tapada Militar...
mas o portão de entrada, em
Mafra, estava fechado! "
Olha, a guerra está fechada!", comentava-se na brincadeira, lembrando a velha história do Raul Solnado.
Já estávamos todos a ver o prejuízo... "
depois parte-se a guita, perde-se a guita, perde-se a bala. É tudo
prejuízo!"... só que nós não tínhamos nem guita nem bala...🤣
|
|
Mas rapidamente a "guerra" abriu... e uma hora depois chegávamos ao
portão de saída, próximo da Carapinheira...🤪
|
E assim as "tropas" prosseguiram para sul, por velhos trilhos entre
Alcainça, a leste, e a
Igreja Nova, a poente. Por volta das nove
horas começamos a ver a silhueta inconfundível da
Serra de Sintra. A
marca dos primeiros 10 km foi atingida com o belo tempo de menos de duas horas
e meia.
O local guarda também as ruínas de um importante povoado pré-histórico. E dali
seguimos para a aldeia da Mata Pequena e para Cheleiros, ao
encontro do vale do Lizandro.
|
|
Penedo do Lexim, 10.10.2026, 09h55
|
|
|
Com a Serra de Sintra em pano de fundo, atravessamos a
aldeia da Mata Pequena...
|
|
|
E chegamos ao vale do rio Lizandro e às pontes de
Cheleiros, 10h55
|
Seguindo o rio - que cruzámos próximo da aldeia abandonada de
Broas - o rumo era agora para oeste e noroeste, em direcção ao
Carvalhal e ao mar. E no Carvalhal esperava-nos a tradicional
refeição quente da Marcha, uma bela
esparguetada com carne
guisada... até porque pouco depois íamos subir.
|
|
Nem sempre a progressão é fácil, nas encostas do Lizandro...
|
|
|
Carvalhal... horas
|
|
| de almoço! |
|
|
E ao fundo já se vê o mar...
|
Pouco antes das três da tarde e com quase 30 km nos pés, estávamos no
Forte de S. Julião, sobre a Foz do Lizandro e a praia do mesmo nome. O
trilho da falésia abrupta do Lizandro levava-nos depois ao Forte e à aldeia
da
Carvoeira, seguindo-se um ziguezague sobranceiro ao
Forte do Zambujal.
|
|
Forte e Praia de S. Julião, 10.10.2026, 15h10
|
|
|
Forte da Carvoeira, 15h50
|
|
|
Nova travessia do Lizandro, entre a Carvoeira e o
Zambujal, 16h10
|
No
Forte do Zambujal esperava-nos o último reabastecimento... mas
esperavam-nos também umas tristes mas simpáticas padeiras... desiludidas com a
falta de homens que tinham ido para a guerra. Não a guerra do Solnado... mas
sim a combater os franceses nas invasões napoleónicas que estes Fortes
procuraram (e conseguiram) suster...
|
|
|
As tristes padeiras do Forte do Zambujal, desiludidas com a
partida dos homens para a guerra...
|
|
|
Mas apesar da guerra... no Zambujal
|
|
|
também havia abastecimento😁
|
|
|
E pelas 18h30 chegávamos à marca dos 40 km. Já faltava pouco...
|
Pelos trilhos do vale da Ribeira da Vidigueira, subimos gradualmente de
regresso ao ponto de partida. O Sol pôs-se às 19h10, à saída do Parque
Desportivo de
Mafra. Cerca de quinze minutos depois... estávamos de
frente para o
Real Edifício de Mafra, como é oficialmente reconhecido
pela UNESCO.
|
|
O Sol pôs-se no horizonte atrás de nós, à medida que caminhávamos os
últimos passos...
|
|
|
10.10.2026, 19h25 ... e chegamos a Mafra, de frente para o
imponente Convento / Palácio mandado erguer por D. João V
|
Finalizada a Marcha... "marchámos" para as instações militares. Desta vez a
"guerra" estava aberta...😜
E estava aberta para um pequeno concerto com
que fomos recebidos... além do habitual caldo verde e bifanas com que todas as
Marchas dos Fortes têm terminado. Pelo menos... as cinco em que já participei.
|
|
Três "manos" juntos... no "quartel" de Mafra 😁
|
Sem comentários:
Enviar um comentário