O
Caminho do Tejo é uma Grande Rota linear, com cerca de 45 km, ligando
Constância a
Alvega, no extremo leste do concelho de Abrantes.
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Percurso da GR12 em Rossio ao Sul do Tejo, 26.09.2015 |
O traçado acompanha o rio Tejo e desenvolve-se maioritariamente em caminhos agrícolas e florestais de terra batida. A paisagem é marcada pelos extensos campos agrícolas que ocupam os terrenos mais planos e férteis e por olivais e algumas florestas de sobreiros e eucaliptos nas encostas mais inclinadas, assumindo-se nitidamente como uma zona de transição entre a Beira Baixa e o Ribatejo.
Os
Novos Trilhos lançaram para este fim de semana o desafio dos
Caminhos do Tejo; alinhei...
J. E antes das oito da manhã estava-me a reunir com os outros quase 30 participantes na estação ferroviária de
Praia do Ribatejo, para apanharmos o comboio até à estação de
Belver, onde começámos a actividade pedestre, numa manhã de alguma neblina mas a prometer grande calor.
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O Tejo na Barragem de Belver |
Em Abril de 2013 tinha acabado aqui uma jornada com os Caminheiros Gaspar Correia, pelas
Arribas do Tejo. Agora, estávamos a começar uma longa marcha de quase 60 km, distribuídos pelos dois dias, sábado ao longo da margem esquerda do
Tejo e domingo pela direita.
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Belos troços na margem esquerda do Tejo, entre a Barragem de Belver e Casa Branca |
Pela lezíria, a jornada prosseguiu rumo às proximidades de
Alvega e à pequena capela de
Nossa Senhora da Guia, com a povoação de
Ortiga do lado de lá do rio. O culto a Nossa Senhora da Guia perde-se na imemorial crença dos pescadores do Tejo, que a ela recorriam em ocasiões de aflição.
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Frente à estação ferroviária de Ortiga |
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Capela de Nossa Senhora da Guia |
Mais próximos do rio ou mais afastados, a paisagem continuava a desfilar, à medida que íamos pondo conversas em dia ... estabelecendo novas amizades ... reforçando outras ... vivendo!
Rodeámos a Central Termoeléctrica do
Pego. A neblina com que a manhã tinha começado já se dissipara; o calor começava a apertar; uma boa sombra foi o local para a merecida pausa de almoço.
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E a descida do Tejo continua-nos a oferecer belas paisagens ribeirinhas |
À vista de terras de
Alferrarede, na outra margem do
Tejo, prosseguimos rumo ao
Pego, onde o calor e a necessidade de hidratar nos fez entrar mesmo na povoação ... e num café para umas "lourinhas"
J.
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À sombra, ao Sol abrasador ... a jornada prossegue rumo a Abrantes |
Pouco depois do
Pego, tínhamos já
Abrantes à vista, o destino da primeira "etapa" destes Caminhos do Tejo. E às cinco da tarde estávamos a atravessar os bem arranjados jardins ribeirinhos de
Rossio ao Sul do Tejo - com o grande painel alusivo à GR12 com que encabecei este artigo - e a atravessar o rio, pela ponte da velha N2.
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Rossio ao Sul do Tejo, com Abrantes como destino |
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E atravessamos o Tejo... |
Em
Abrantes, o nosso "hotel" era a
Pousada de Juventude. Num local privilegiado, na encosta sobranceira ao
Tejo, a Pousada de Abrantes ... é mesmo um "Hotel", com boas instalações, quartos (duplos e múltiplos) bons; recomendável. E depois do jantar ... que tal se fossemos até ao centro e ao Castelo? E lá fomos; em cima de 34 km ... fazer mais de 3 km de chinelos não é para todos...
J
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Da Pousada de Juventude de Abrantes |
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Abrantes by night, do Castelo |
Pelo Castelo de
Abrantes começou também a segunda etapa, que nos havia de levar, agora pela margem direita do
Tejo, até às terras de
Constância e ao ponto de partida. A manhã estava mais clara ainda do que a anterior ... prometendo outro dia de forte calor, neste início de Outono.
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27 de Setembro, 8:55h - Abrantes desperta da neblina |
À saída de
Abrantes, o precioso café da manhã permitiu também adquirir lembranças doces para levar para casa. Duas dúzias de saborosas broas de Abrantes encheram o espaço ainda existente na mochila. Vá-se lá saber porquê ... a minha mochila passou a ser cobiçada o resto do caminho...
J.
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Abrançalha de Baixo, curioso topónimo que terá origem no nome do alcaide mouro Abraham Zaid,
que dominou Abrantes até à conquista por D. Afonso Henriques |
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Frente ao Tramagal, 10:40h |
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E entramos em Rio de Moinhos, 11:00h |
Em
Rio de Moinhos aproximámo-nos da margem mesmo do
Tejo, cujas belas paisagens ribeirinhas acompanhámos durante uns quilómetros, ora por estradões agrícolas ... ora pelo meio de grandes milheirais. Ao longe, já tínhamos
Constância à vista.
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A jornada prossegue ... e antes da uma da tarde temos Constância à vista |
O objectivo era portanto a foz do
Zêzere, na terra de Camões. E foi à beira Zêzere que descansámos e almoçámos. Houve até ... quem se refrescasse nas águas, tentando afastar o calor abrasador que teimava em nos esturricar a pele.
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Constância, sempre bela, reflecte-se nas águas do Tejo |
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Tejo que levas as águas ... |
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... e Zêzere que trazes as tuas... |
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O Zêzere, da ponte da velha N3 |
Recomeçámos pouco depois das duas e meia. Faltava pouco. Atravessado o
Zêzere, voltámos à foz do lado oposto, para ali iniciar o percurso do passadiço das "
Ninfas do Tejo", as Tágides a quem Camões terá pedido inspiração.
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Constância e a Foz do Zêzere, agora da margem direita |
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No passadiço das "Ninfas do Tejo"
(Foto: Ilídio Marques) |
Às três e meia da tarde estávamos de regresso à estação da
Praia do Ribatejo, onde os carros haviam dormido. Tínhamos mais de 59 km nos pés, nos dois dias ... mais os que fizemos de chinelos em Abrantes. Um fim de semana duro, essencialmente pelo muito calor ... mas um fim de semana de encher a Alma, de respirar belas paisagens, convívio, alegria. Um fim de semana de travar novos conhecimentos, de reforçar amizades ... de alimentar magnetismos vindos de outras "aventuras". O campo, a Natureza, a paixão pela Vida ... prende e une os seus amantes!
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Estação CP de Praia do Ribatejo, 15:30h Tudo começara 59 km antes ... um dia antes! |