terça-feira, 19 de março de 2019

Oliveiras milenares, tesouros escondidos ... into the light

"Por fragas e pragas" e além das outras "aventuras", desde o início deste ano de 2019 já palmilhei centena e meia
Sobre a várzea do Trancão e o Caminho dos Peregrinos ...
into the light (8.Janeiro.2019)
de quilómetros em pequenas caminhadas, a maioria de cerca de uma hora e meia, ao longo de um eixo situado entre a Bobadela e Santa Iria da Azóia. Pequenas caminhadas, em zonas muito urbanizadas ... que até agora não justificariam a sua inclusão descritiva nestas memórias, apesar de enumeradas na respectiva página das "léguas sem fim" e registadas fotograficamente. Mas os "instantâneos de uma vida ao ar livre" (subtítulo do blog) ... afinal também podem ser vividos nos ou à volta dos bairros dormitórios onde maioritariamente vivemos e construímos os nossos "ninhos". A poucos minutos de casa ... também há verde, também há pinhais, olivais ... também há Natureza ... e também há histórias, lendas, tradições ... ou não passasse o Caminho de Fátima e de Santiago por esta várzea do Trancão ... into the light.
Mas o mote que despoletou esta publicação hoje, bem como a pequena caminhada desta manhã ... foi uma oliveira. Não é, claro está, uma oliveira qualquer ... mas sim uma oliveira que ...
Oliveira milenar em Pirescouxe, Sta. Iria de Azóia
Texto e foto: Henrique Feliciano Silva,
(Publicação no facebook em 15.Março.2019)
Viu chegar os Celtiberos...
Viu o esplendor da civilização romana, os seus engenheiros construírem estradas que cruzavam a imensidão do território...
Viu o apóstolo Tiago passar pela península em pregação...
Viu chegar gente do Sul, viu crescer o grande império dos Califas...
Ouviu o barulho infernal das armaduras envergadas pelas tropas de Afonso Henriques que pelejavam pela posse de Olisipo...
Apreciou a frescura dos laranjais que os descobridores trouxeram do Oriente...
Admirou-se com o colorido das fardas dos franceses que também queriam ficar a viver ali, à beira-rio...
Assistiu à colocação de travessas feitas da carne de outras árvores, para deixar passar um monstro ruidoso que lançava uma fumarada incrível...
Pouco depois ficou rodeada de gente que ali veio morar, gente que fazia folhas finas como cartão, mas transparentes como a água. Em poucos anos nasceram ali mais casas do que cogumelos no início do outono...
Agora vive à sombra de uma delas, escutando ao longe o ruído constante de velozes máquinas que se deslocam sobre uma larga tira de betuminoso negro...
É uma oliveira bravia milenar com idade de 2850 anos, que vive, indiferente ao passar do tempo, em Santa Iria da Azóia, às portas de Lisboa...

A histórica oliveira, como o Henrique diz neste seu primoroso texto, vive à sombra de uma casa ... mais concretamente no respectivo quintal! Só depois de lá estar dentro me apercebi que muito provavelmente estava em propriedade privada. Mas o dono, que andava a jardinar, deu-me inteira liberdade para estar ali o tempo que quisesse. Quantas histórias aquela oliveira não terá para contar. O Henrique acha "que se nos sentarmos ao lado do seu tronco, no sossego da noite, ela conta!"...

Oliveira milenar em Pirescouxe,
A avaliação da idade da oliveira (2850 anos)
uma equipa de investigadores da UTAD

Sta. Iria de Azóia, 19.Março.2019
teve por base um estudo levado a cabo por
(Univer. de Trás-os-Montes e Alto Douro)
Quanto já absorveram estas raízes? Quantas gerações já pisaram o solo em que se inserem?...
Castelo de Pirescouxe, 19.Março.2019
Muito pouco a noroeste da oliveira milenar, na malha urbana de Santa Iria de Azóia, situa-se o Castelo de Pirescouxe. Por ele passei hoje de novo, o castelo já me conhece...! Já em Fevereiro de 2017 contei nestas "páginas" parte da sua história: reza a tradição que nas caves está enterrado o tesouro de D. Sebastião! Revitalizado e requalificado como espaço cultural, no interior há uma esplanada abrigada dos ventos pelos velhos muros e duas salas de exposições.

Exposição "Do Castelo às Fábricas", Castelo de Pirescouxe, 7.Fev.2019,
uma mostra que acompanha o percurso industrial do concelho
de Loures, através de memórias vivas
Sobre e na várzea do Trancão, no Caminho de Fátima e Santiago ...
... into the light (10.Janeiro.2019)
Mas se esta publicação de hoje no "Por fragas e pragas" teve como mote a oliveira milenar de Santa Iria e o belo texto que sobre ela escreveu o meu amigo Henrique ... os restantes instantâneos que tenho percorrido pelos pedaços verdes que quase se julgam impossíveis de encontrar nesta malha urbana também merecem ser referenciados ... sobretudo pela imagem. Especial destaque para as panorâmicas over Trancão, onde estou no Caminho não estando no Caminho, procurando dirigir-me sempre ... into the light...
Sim ... há zonas assim, pelo meio da malha urbana entre a Bobadela e
Santa Iria de Azóia (Fotos entre 31.Janeiro e 19.Março.2019)
Ao fundo a Ponte Vasco da Gama, 19.Março.2019
E assim ... num Caminho que se espera sempre into the light ... novos Caminhos se delineiam no horizonte próximo.
Ver álbum completo ... into the light

sábado, 16 de março de 2019

Os segredos do vale do Almourão

De Carregais à Foz do Cobrão e Vale da Mua

Há pouco mais de dois anos, com os Novos Trilhos, andei por terras de Envendos e do Ocreza, curiosamente o artigo mais lido de sempre destas minhas "fragas e pragas...".
Carregais, 16.Mar.2019, 10h25
Agora, em dia de comemorar o 34º aniversário dos Caminheiros Gaspar Correia, voltei às margens do Ocreza, mais a norte, nos limites entre os concelhos de Proença-a-Nova e Vila Velha de Rodão, por onde há 12 anos também já tínhamos andado com esta nossa família Caminheira.
O início foi na pitoresca aldeia de Carregais, começando por subir a Serra das Talhadas, paralelos ao vale da Ribeira de Alvito. Pouco mais de meia hora depois já víamos as águas do Ocreza, entre as encostas escarpadas do Vale Mourão, uma garganta escavada pelo rio nos últimos dois milhões de anos, que parte a Serra das Talhadas em duas cristas quartzíticas.
Ao longo da Serra das Talhadas, seguindo o vale da Ribeira de Alvito
O percurso foi o mesmo de há 12 anos, agora em sentido contrário, rumo à foz da Ribeira de Alvito, às Portas do Almourão e à aldeia de Sobral Fernando, onde tínhamos começado em Junho de 2007.
Sobre as encostas escarpadas do vale do Almourão (Foto: Eduardo Baptista)
O Ocreza, do miradouro do geosítio das Portas do Almourão. Ao fundo as aldeias de Foz do Cobrão e  Sobral Fernando
                                                     Foz do Cobrão, vista de próximo de Sobral Fernando
Como eu gostava de ser grifo...
Entre a Ribeira da Fróia e o Ocreza, descemos as chamadas conheiras, amontoados de seixos que testemunham a extracção de ouro nas épocas romana e medieval. D. João III terá mandado fazer um ceptro em ouro extraído desta zona e Vasco da Gama uma cruz, mostrando aos venezianos que em Portugal havia metal mais precioso que o do Oriente!
Atravessando as conheiras, rumo ao Ocreza
Travessia da Ribeira da Fróia, próximo da foz, no Ocreza
O almoço foi aqui, junto à foz da Ribeira da Fróia, ribeira que tivemos de atravessar ... com o improviso que resultou da imaginação e do "desenrascanço" de cada um... 😏. Depois seria o sobe e desce ao longo das encostas da margem direita do Ocreza, rumo à foz da Ribeira da Sarzedinha.
Ao longo das encostas da margem direita do Ocreza
Foz da Ribeira da Sarzedinha
Às quatro da tarde estávamos na EN 241, a nascente do Vale da Mua. O autocarro esperava-nos junto à ponte do Ocreza, onde a caminhada terminaria, neste sábado em que o calor já apertou precocemente. Depois ... depois seria a comemoração do aniversário do Grupo, na Associação Cultural, Recreativa e Desportiva do Vale da Mua. 34 anos de caminhadas, mas também 34 anos de amizades, de são convívio, de vontade de Viver. Infelizmente, o tempo já levou alguns companheiros, mas o Grupo de Caminheiros Gaspar Correia orgulha-se de contar ainda, nas suas fileiras, com elementos fundadores que continuam activos e cheios de vontade de continuar.

Às 16h00, a travessia desde Carregais estava no fim, próximo de Vale da Mua
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