domingo, 18 de setembro de 2022

Aveiro e a Ria ... ou um fim de semana caminheiro

Depois das "aventuras" nos Picos de Europa, a rentrée do Grupo de Caminheiros Gaspar Correia estava agendada para a Ria de Aveiro, neste último fim de semana de verão. E para uma abordagem à ria, a opção recaiu nos passadiços da Esgueira, inaugurados em 2018.

Passadiços do cais da Esgueira, 17.Set.2022, 10h30
Às dez e meia de uma manhã soalheira, 57 "gasparitos" estavam assim a iniciar a caminhada, junto ao cais da ribeira da Esgueira. Os passadiços, maioritariamente sobrelevados, permitem um contacto privilegiado com a ria, numa bonita zona de sapal onde até, ao fundo, se viam flamingos.

E pelos passadiços de Esgueira chegamos a Vilarinho e ao Vouga ... superpovoado de jacintos...
Com pouco mais de 7 km percorridos, em Vilarinho deixámos os passadiços, que ali terminam, para cruzarmos o rio Vouga pouco antes do parque de merendas de Cacia. Rio Vouga ... infestado de jacintos, cuja beleza e cor escondem a destruição que esta praga provoca na vida aquática.
O parque de merendas de Cacia foi o local do almoço volante, seguindo-se mais cerca de 8 km ao longo de zonas de exploração agrícola, irrigadas por diversos canais. As muitas sombras amenizaram uma tarde mais quente do que as previsões. Troços dos trilhos utilizados fazem parte da Grande Rota da Ria de Aveiro ... e antes das quatro terminámos em Canelas, com 16 km percorridos.

Do parque de merendas de Cacia ao canal de Canelas ... e fim de caminhada
Clique no mapa para ampliar ou aqui para ver no Wikiloc
Mas a tarde de sábado reservava-nos ainda a vista da bela cidade de Aveiro a partir da água. Divididos por dois barcos típicos da Ria - o moliceiro e o mercantel - percorremos os quatro principais canais da cidade: Canal Central, Canal do Côjo, Canal das Pirâmides e o Canal de São Roque. Os Moliceiros eram utilizados na apanha do moliço, uma alga usada como principal fonte de adubagem nas terras agrícolas de Aveiro; os barcos de Mercantel são um pouco maiores e, antigamente, eram utilizados nas zonas ribeirinhas para o transporte do sal e mercadorias.
Ao longo da viagem, de 45 minutos ... ainda tivemos direito a espumante ... e ovos moles!
Passeio em barcos Moliceiro e Mercantel pelos canais da bela cidade de Aveiro
E do terraço do Hotel Imperial, o belíssimo pôr-do-Sol sobre a Ria de Aveiro, 17.Set.2022, 19h40
Aos 16 km da caminhada de sábado, a actividade em Aveiro ainda somou mais quase 4 km de passeio pela cidade no domingo, com destaque para o núcleo histórico e as visitas ao Museu de Arte Nova, o Museu da Cidade, a Igreja de Jesus e o túmulo da Princesa Santa Joana. Mas ... a nossa deslocação a terras aveirenses não podia passar ... sem um encontro com o meu "Mano" Vítor e com a sua estrela. Parafraseando-o ... o mais importante na Vida é a fraternidade que se alimenta da amizade sincera. Aliás ... brevemente lá estaremos de novo...
Aveiro, 18.Set.2022, 09h35
E com os "Manos" Vítor e Paula em Aveiro ... além
dos "Manos velhos" Mousinhos e da neta caminheira 😊
... e com toda a "família gasparita" (Grupo de Caminheiros Gaspar Correia) em fim de festa!
Gracias a la Vida !

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Nasce o Sol na Serra das Mesas ... em dia de encerro raiano

Ainda não publiquei as "crónicas" do Tour du Mont Blanc e dos Picos de Europa com o GCGC ... o que é a primeira vez que acontece desde que, há já 11 anos, comecei a publicar os meus "instantâneos de ar livre" mais ou menos em directo. Claro que conto publicá-las, nem que seja em resumo ... mas por vezes as "aventuras" na Natureza surgem "do nada" ... e uma pequena caminhada de 6 ou 7 km pode justificar uma "crónica", mais rápida de descrever e ilustrar, nestas minhas já "velhas" memórias. Os "instantâneos de ar livre" ... não se medem em quilómetros...
Com Vale de Espinho ao fundo, do Cabeço do Passil, 19.Ago.2022, 09h10
No "retiro" de Vale de Espinho desde o dia 14 ... o verão, a interminável seca e o imenso calor convidam mais a convívios familiares; e em família ... no dia 19 levei o filho e neto séniores e o primo "francês" à Lomba e ao Passil, sobre a "nossa" aldeia raiana, numa caminhada matinal de 16 kms. Mas hoje, 3ª terça feira do mês ... era dia de capeia raiana nos Fóios ... a cujo encerro não costumo faltar.

Magia em estado puro, no nascer do Sol Vivido junto à nascente do Côa, 23.Ago.2022, 06h46
E como não costumo faltar ... saí de casa passavam 15 minutos das seis da manhã. Como tantas outras vezes, o objectivo era ir ver o nascer do Sol. Como tantas outras vezes ... levei o carro para a estrada da nascente do Côa, para dali partir a pé, antes do encerro, para onde o destino me levasse.

Linha de fronteira, com o marco 664 ... e vista para os Fóios, Vale de Espinho, Quadrazais, Sabugal e Guarda
Os Llanos de Navasfrias, a serra do Espiñazo e, ao fundo à esquerda ... o "meu" Xalmas
Geodésico das Mesas (1265m alt.) e panorâmica para os Llanos e Valverde del Fresno
Subida ao geodésico das Mesas (1265m alt.). De quem será aquela sombra?...
Afasto-me do geodésico das Mesas para sul, rumo aos Barrocos Negros
Rumo aos Barrocos Negros
Será que as fronteiras aqui voltam a ser fronteiras?
Nuestros hermanos ... algo está mal...
Nos Barrocos Negros, 8h40 ... e o mundo é meu... 💓
O destino levou-me para a linha de fronteira, na Serra das Mesas. Claro que não foi a primeira vez que por ali andei, mas hoje soube-me diferente; soube-me a um grande nascer do Sol ... a uma grande liberdade ... à liberdade do voo das aves perto de mim, quando da foto acima, nos Barrocos Negros; quem me dera saber voar ... voar sobre estas serras e estes ares. Em sonhos ... I can fly ... não é Natércia? 😂 A minha amiga Natércia "sabe" voar em todo o lado... 😃
Mas como não sei voar ... tive de descer à realidade ... e desci para o velho Lameirão, verdadeira nascente, ou reservatório subterrâneo, dos dois "rios irmãos", o Côa e o Águeda. Estranhei não ver o habitual ajuntamento de pessoas, ali onde se concentram os bois para o encerro dos Fóios...
Lameirão ... estranhamente sem gente, em dia de encerro e capeia nos Fóios
Curral dos bois para o encerro dos Fóios, no Lameirão, 09h20
Já passava das nove horas, mas só estavam os bois e meia dúzia de cavaleiros (quando costumam estar centenas de pessoas). Perguntei a um deles o que se passava ... perguntou-me o que é que eu estava ali a fazer, já que a estrada estava cortada devido ao alerta de incêndios! O encerro, ao contrário do habitual, seria por isso só com os cavaleiros, só sendo permitido assistentes nos Fóios mesmo. Bem ... desci até ao carro e meti-me nele para regressar aos Fóios ... mas junto ao cruzamento "Fronteira / Nascente do Côa" a estrada estava agora realmente barrada por um volumoso tractor 😱. Dois ou três "vigilantes" que lá estavam disseram-me que se tinha passado para cima ... talvez só amanhã conseguisse passar para baixo 😟. E agora? Mais uma vez ... valeu-me o conhecimento da serra, a carta de 'caminhos' no Locus ... e um telefonema ao amigo Zé Manel, que me confirmou que podia dar a volta por terras hermanas. Voltei portanto para trás, no sítio da "Cruz do Pedro" passei para o lado espanhol, e por um estradão de terra batida fui até ao caminho Navasfrias / Fóios, junto à fronteira ... ou seja indo ter ao tal volumoso tractor, mas já do lado "livre" 😜. E assim me safei ... se não viria a pé para casa e amanhã ia lá buscar o carro. "Uma Aventura na Serra das Mesas" ... poderia ser o título 😅

Fóios, 11h50 ... um povo em festa, para receber os bois que vêm da serra. À tarde seria a capeia.