sábado, 12 de outubro de 2019

15ª Marcha dos Fortes, nas terras do Oeste

O Clube "Ar Livre" e as autarquias abrangidas pelas históricas Linhas de Torres Vedras organizam todos os anos em Outubro a chamada Marcha dos Fortes, um percurso de resistência de 44 km, que interliga várias das
fortificações construídas entre 1809 e 1812 como linhas de defesa, a norte de Lisboa, contra os invasores napoleónicos. Com sete anos de intervalo, participei na terceira e na décima edições desta Marcha, em 2007 e 2014. Agora, 12 anos depois da primeira, um percurso circular em vez de linear e quase inteiramente novo aliciou-me a nova participação.
Pouco depois das seis e meia da manhã, ainda noite, já se concentravam as "tropas" no largo do Santuário da Senhora da Ajuda, freguesia de Arranhó, concelho de Arruda dos Vinhos! Conta a lenda que certo dia andava uma pastorinha a guardar as suas ovelhas, quando lhe apareceu uma imagem cheia de luz, que lhe comunicou que seu pai devia erguer ali uma ermida em sua honra. A cena repetiu-se nos dias seguintes, mas o pai não acreditava. Como a menina insistia, o pai pediu-lhe que dissesse à Senhora que não havia ali água, pelo que ninguém conseguia construir uma ermida sem água. Seguiu a filha, para se certificar. A menina transmitiu o recado ... e logo após o homem viu que a jovem pastora, ao levantar uma pedra, fez surgir um jorro de água muito clara e cristalina! Afonso Anes - assim se chamava o pai da pastorinha - correu para a filha com os olhos cheios de lágrimas e abraçou-a, pedindo-lhe perdão por não ter acreditado nela. Depressa se ergueu a ermida, em cujo altar foi colocada uma imagem de pedra da Virgem Mãe de Jesus, com a evocação de Nª Srª da Ajuda, que ainda hoje é ali adorada com devoção.

Às 7h00 em ponto a Marcha partia da Senhora da Ajuda, rumo à Serra de Alrota
O dia começava a clarear à medida que caminhávamos para sul, subindo a Serra de Alrota, entre terras da Arruda e terras de Bucelas. O dia nascia com muitas nuvens mas com o Sol pelo meio delas; esse filtro e algum vento fresco foram bem vindos ao longo da longa jornada. Com mais de 400 pessoas, o ritmo de caminhada nunca pode ser rápido, mas cumprimos sempre escrupulosamente os tempos delineados no programa previamente reconhecido e calculado.
O Sol já nascera há quase uma hora, mas por vezes renascia por entre as nuvens...
Antigos aviários do Freixial,
desactivados e abandonados...
No Freixial havia o primeiro abastecimento e o primeiro carimbo no "passaporte" da Marcha, seguindo-se a subida ao Reduto do Freixial Alto, mais conhecido por Forte de Ribas, e à cumeada que ladeia a sul o vale da Ribeira de Ribas, até ao Forte do Mosqueiro e ao Parque Municipal do Cabeço de Montachique, onde nos esperava o tradicional almoço de esparguete com carne guisada.
As "tropas anglo-lusas" avançam para o Forte de Ribas ...

e eu tinha uma "mana" e um "cunhado" na organização... 😊
(Foto: CAAL)
Pouco passava das 11h00, mas com 15 km percorridos chegava a hora do apetecido almoço
Como que vigiados pelo Cabeço de Montachique, o rumo era agora para norte, entrando em terras do Concelho de Mafra, passando pelo Forte da Prezinheira em direcção a Calvos, seguindo a margem direita do jovem Trancão e onde tínhamos novo abastecimento, com 21,5 km percorridos.
"Vigiados" pelo Cabeço de Montachique ...
... rumamos a norte, encontramos o rio Trancão ...
... e entramos em Calvos, 13h36, 2º abastecimento
Pouco depois de Sapataria cruzámos a Linha do Oeste, em direcção a Enxara dos Cavaleiros e ao Forte da Enxara, ou de S. Sebastião, cujo objectivo estratégico era a defesa da estrada Torres Vedras - Montachique, em apoio ao Quartel General de Wellington, em Pêro Negro. Por isso ... era ali que a organização tinha à nossa espera uma recriação histórica. As "tropas" foram recebidas por elementos militares, do clero e do povo. E tínhamos também ... mais um abastecimento.
Igreja de Enxara dos Cavaleiros
E recepção no Forte de S. Sebastião da Enxara
Parte das "tropas", no Forte de S. Sebastião da Enxara ...
... onde fomos recebidos por
elementos do clero e do povo
O Forte da Enxara marcou por assim dizer o início do regresso. Rumando agora a leste, voltámos a cruzar a Linha do Oeste junto a Malgas, onde tínhamos a penúltima paragem e o último selo no "passaporte". Seguia-se a maior subida do percurso, quase 6 km até ao Forte do Alqueidão, onde chegámos com o Sol a pôr-se ... e a Lua a levantar-se.

Pelas vinhas da zona de Pêro Negro
Não, não é um vulcão em erupção ... é mais um incêndio 😪
Malgas, 17h25, último selo
Subida ao Forte do Alqueidão, através de densa vegetação, 17h50
E, 18h50, a caminho do Alqueidão,
com o Sol a por-se e a Lua a nascer

 
Foi já de noite, portanto, que fizemos o troço final, cerca de 5 km entre o Alqueidão e a Senhora da Ajuda, onde tínhamos começado 13 horas e meia antes. A previsão de 44,7 km alargou-se a 45,9, mas as primeiras "tropas" chegaram poucos minutos depois da hora prevista, 20h30. Esperava-nos um jantar retemperador, de que se destacava uma muito saborosa sopa de peixe. Gradualmente, os "pelotões" foram recolhendo aos seus quartéis, a grande maioria com o "passaporte" todo preenchido. A extensão e o desnível acumulado (superior a 1100 metros) não motivaram muitas "baixas". Para o ano há mais; se farei ou não parte das "tropas" ... o tempo ditará.

Senhora da Ajuda, 20h36 ... e as "tropas" regressavam ao quartel de origem...
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sábado, 28 de setembro de 2019

Por montes, campos e vinhedos de Bucelas

Exceptuando o almoço de aniversário, em Janeiro, há mais de um ano que não caminhava com os "Novos Trilhos". Hoje, primeiro sábado de outono, inscrevi-me para participar numa caminhada circular, com início na localidade de Bemposta (Bucelas), por entre os campos, vinhas, montes e fortes desta zona. Trilhos já muito batidos, mas uma oportunidade de rever gente que, nalguns casos, já não via há bastante tempo. E a convivência sempre foi e é um dos atractivos dos "Novos Trilhos".

Entre a Bemposta e a Ribeira do Boição, 28.Set.2019, 9h55
Uma das "imagens de marca" dos "Novos Trilhos" também sempre foi o improviso, os troços à descoberta, a corta mato ... ou a descer muros... 😊. Foi o que sucedeu até ao já conhecido trilho da ribeira do Boição, várias vezes percorrido. Mas da ribeira e da sua famosa cascata, hoje ... nem uma gota de água. Esperemos que o incipiente Outono e o Inverno tragam de novo o seu cantar.

Rumo à ribeira do Boição ... nem sempre por caminhos fáceis...
Pelas vinhas das Quintas do Boição e da Chamorra
Subida ao Serves ... inclinada e pedregosa q.b. ...
Geodésico do Serves (357m alt.) ...
... e geodésico da Aguieira II (288m alt.)
Na Serra de Serves, como quase sempre, tínhamos o Tejo aos pés, de Lisboa a Alverca e Alhandra. Embora com alguma neblina, ao fundo percebia-se o Castelo de Palmela e a Arrábida.

O Tejo, de Lisboa a Alhandra, com os Mouchões aos nossos pés
Descida da Serra de Serves para norte
No regresso rumámos a norte, quase até à povoação de A-do-Mourão. O calor apertava e as cartas indicavam-nos uma hipótese de "lourinhas" no Café/Restaurante "Cantinho da Quinta". Mas ... estava a ser utilizado para um casamento e, embora cheio, a placa na porta dizia "Fechado". Até aí ainda menos mal ... mas não era preciso vir ninguém ao nosso encontro quase aos berros, dizendo "não quero cá mais ninguém"! Que belo cartão de visita e que belo exemplo de educação aquela senhora transmite...! Deixou-nos, enfim, encher as garrafas de água numa torneira exterior, vá lá.

Forte do Arpim. Ao fundo, o Serves, de onde viéramos
O regresso, numa tarde mais quente do que as previsões
Quase em final de caminhada, regressámos ao vale da ribeira do Boição e à Bemposta. Com 26 km percorridos, antes das quatro e meia da tarde estávamos onde havíamos iniciado. Mais de um ano depois, regressei aos "Novos Trilhos".

De novo pelo trilho da ribeira do Boição ...
... regressámos à Bemposta e ao ponto de partida
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