sábado, 29 de dezembro de 2012

2012 ... mais um ano de "aventuras"...

Iniciado a 9 de Janeiro de 2011, este blogue começou por contar as histórias e estórias de 40 anos de "fragas e pragas". Depois, 2011 contou com 28 "aventuras", já escritas e descritas mais ou menos "em directo". Em 2012 ... foram 42! E os 42 artigos tiveram, até ao momento, quase oito mil leituras!
Assim, a todos aqueles que tiveram a paciência de me ler, a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, fazem parte da minha vida ... é mais uma vez com um vídeo retrospectivo que vos desejo um

FELIZ  2013  para  todos!




Com mais ou menos crise, que 2013 nos traga a todos saúde, paz, harmonia, amizade, partilha ... vida!

Que 2013 nos possa continuar a pôr … cada vez mais no alto! Projectos na montanha, no verde, na magia dos bosques, nos meus paraísos perdidos ... tenho muitos...J!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Gigantes, serras e frades: regresso à Arrábida

Depois de muitos anos afastado da minha velha Serra da Arrábida, as voltas e fragas da vida fizeram que agora, em menos de um mês, fizesse duas caminhadas espectaculares naquela que era, nos "anos loucos" de há 40 anos, uma das zonas que mais frequentava. Levado pela minha "família" dos Caminheiros Gaspar Correia, voltei ontem à Arrábida para repetir, em sentido contrário, parte do percurso da GRD entre Castelos de há quatro semanas atrás.
De Pedreiras para nascente, rumo às Terras do Risco
Partindo de Pedreiras para nascente, a primeira atracção foram as marmitas de gigante da Ribeira do Risco, depressões mais ou menos arredondadas existentes no leito rochoso de alguns rios e ribeiros. Trata-se de um fenómeno de erosão hídrica causado pelo fluxo da ribeira ao longo de um afloramento calcário que ganhou, assim, formas ímpares.
Mas ... formas ímpares e algumas escorregadelas também foram frequentes, enquanto avançávamos lenta e prudentemente ao longo da "selva" da ribeira do Risco, engrossada pelas águas das intensas chuvas dos dias anteriores, principalmente da véspera. E assim se levam duas horas para progredir ... 1 quilómetro...J


Marmitas de Gigante da Ribeira
do Risco, 15.12.2012
Ao longo da Ribeira do Risco
Terras do Risco
Atravessada a estrada 379-1, o destino era agora o Convento da Arrábida, com fabulosas panorâmicas de serra e de mar.

Convento da Arrábida
No Convento da Arrábida, revivemos a vida e as memórias de Frei Agostinho da Cruz, pela descrição do autêntico "guardião do templo" que é Quirino Lopes de Almeida, o zeloso cicerone que orgulhosamente descreve a história do convento ... ou não tivesse sido ele já actor de Manoel de Oliveira.
Quirino Lopes de Almeida, o zeloso
guardião do Convento da Arrábida
Solidão, naquele lugar isolado, diz nunca ter sentido. No convento começou uma vida nova: a sua contratação para tão particular trabalho levou-o - talvez influenciado pelo lugar - a querer saber mais sobre o lado oculto e espiritual e a pôr de parte outros géneros de leitura. Diz que aquele local é "altamente energético". Senta-se num banco em frente ao mar azul que banha as praias da Arrábida, o mesmo onde se sentava Sebastião da Gama escrevendo poesia.
Perdido no imenso espaço do Convento (onde todas as 19 horas acerta o relógio para que o tempo ali entre), Quirino tem ainda outras funções: do outro lado do oceano, a Fundação Carl Sagan conta também com os seus préstimos.
Esta instituição tem um programa de descodificação de milhões de sons que chegam à Terra, através de um rádio telescópio no Peru. Através da internet, o guardião da Arrábida soube da sua existência e ajuda na descodificação dessa informação que vem de todo o Universo. “Se há vida no nosso sistema solar, que é considerado pequeno em relação a outros, em outros maiores ou com as mesmas condições não poderá haver também?”                  Fonte: "Correio da Manhã", 21.09.2003


"Alta Serra deserta, de onde vejo
as águas do Oceano de uma banda,
da outra, já salgadas, as do Tejo"

(Frei Agostinho da Cruz)

domingo, 9 de dezembro de 2012

60 anos de uma vida...

"A amizade é um reduto inviolável que não conhece preconceito,
nem tempo, nem género, nem o mínimo esquecimento;
é um abrigo da honestidade, nele moram a verdade e a compaixão;
é na amizade que o amor se transcende e se torna alegria e compreensão,
na amizade a diferença é um pormenor,
é na amizade que nos tornamos humanos até à medula,
criativos nas palavras, sensitivos nos olhares, disponíveis na atitude 
"
(Luís Miguel Vendeirinho)
Este artigo no blog é completamente diferente de todos os outros...J Hesitei, por isso, antes de o publicar. Ao contrário dos restantes, não relata nenhuma "aventura", nenhum "instantâneo de uma vida ao ar livre" ... mas refere-se à minha companheira de vida e de "aventuras".  Aquela  que  me  acompanha
7.12.2012, 20h - A aniversariante encara a "multidão"... J
(Clique na foto para ver as restantes)
há quase 40 anos ... completou 60 anos de vida na passada sexta feira ... e 60 anos não se fazem todos os dias!
O artigo não relata portanto nenhuma aventura, mas foi uma aventura pôr de pé, na clandestinida-de, uma comemoração que iria contar, como contou, com mais de 100 pessoas. A minha pequena estrela sabia que iria jantar fora, comigo, com os filhos e netos, com a mãe dela. Éramos 7 adultos e 3 crianças ... fomos só mais 100...J
Para além da família propriamente dita, esta "multidão" proveio, naturalmente, das várias "famílias" de grandes amigos construídas ao longo da vida. A amizade é um bem que não tem preço nem se agradece; a amizade sente-se, vive-se, constrói-se, fomenta-se ao longo da vida, da vida ao longo da qual construímos as tais várias "famílias". Tal como na família propriamente dita, algumas amizades podem por vezes estar mais afastadas fisicamente, o contacto pode desvanecer-se e tornar-se difícil … mas não ficam por isso perdidas no tempo. Todas estão, pelo contrário, bem vivas e bem presentes na memória e no mais íntimo de nós. E que bem sabe conseguir ir buscar, nalguns casos ao fundo desse baú das memórias, algumas de que andámos afastados durante anos e décadas. Claro que com graduações diferentes na ligação que nos une, mas é esta amizade, são estas "famílias", construídas ao longo da vida … que dão sabor à vida!
De que vale uma vida vivida para dentro? De que vale a vida sem esse sabor, sem o sabor da partilha de vivências e de emoções, sem os ombros amigos aos quais sabemos que nos podemos encostar, sem o companheirismo vivido ao longo das metas que vamos vencendo, sejam elas as "fragas e pragas" das montanhas e dos vales, das escarpas e barrocos, das torrentes e ribeiros … ou as "fragas e pragas" da vida. Até porque...
"A vida é somente este lugar, este tempo, este instante, simplesmente agora…"
(Lisa Engelhardt)