domingo, 17 de junho de 2018

Cabreia e Minas do Braçal (Sever do Vouga)

De regresso dos passadiços do Paiva, o fim de semana dos Caminheiros Gaspar Correia foi complementado com uma segunda caminhada, agora em terras de Sever do Vouga.
Silva Escura, 17.Junho.2018, 10h55
Tratou-se de um misto dos percursos pedestres PR 2.1, 2.2 e 2.3, tendo como tema central a fabulosa Cascata da Cabreia e o que resta do antigo Complexo Mineiro da Malhada e Braçal, onde era explorada galena e minério de chumbo. A descoberta de vestígios antigos permite concluir que a existência destas minas remonta provavelmente ao tempo dos romanos. A sua exploração mais intensiva ocorreu entre 1836 e 1958. Chegaram a trabalhar neste complexo 742 operários. O encerramento das minas provocou um grave problema social, que forçou ao êxodo desta mão-de-obra para a emigração na França e na Alemanha.
O percurso, circular, começou e acabou em Silva Escura, junto ao Restaurante "Ponto Final" ... onde no fim fomos brindados com um excelente e muito bem confeccionado almoço.

Ao longo do paraíso, nas margens do Rio Mau
Mina da Malhada

Minas do Braçal.
À direita a Torre Fundição.
Minas
do Braçal
Panorâmica sobre o Vale da Nogueira, 13h35
O topónimo Sever do Vouga tem origem numa lenda segundo a qual uma linda moura tinha o costume de ir pentear os seus longos cabelos para as margens do rio Vouga. Certo dia, viu a sua imagem reflectida na água; a partir daí, dizia a todos que ia se ver no Vouga ... Sever do Vouga.
E à procura talvez da moura encantada, pelo meio do paraíso ... aproximávamo-nos do oásis: a fabulosa Cascata da Cabreia, ex-libris deste fabuloso percurso

E pelo meio do paraíso ... aproximávamo-nos do oásis: a fabulosa Cascata da Cabreia
Cascata da Cabreia, 17.Junho.2018, 14h15 ... uma ilha no Paraíso...
Há uma lenda que diz que os mouros deixaram cair uma grade de ouro no poço mais fundo da Cabreia. Segundo a lenda, é possível recuperá-la com dois bois pretos e uma reza que vem no livro de S. Cipriano. Foram os mouros que deram início à lenda, quando habitaram no ponto mais alto ao lado da Cabreia, no Castro. Dizem ainda que há muitos anos um homem tentou tirar a grade com uma junta de bois, mas conforme os bois iam puxando o homem ia praguejando e quando a grade já cá estava fora, o homem disse: "Graças a Deus, já cá estás fora" ... e nisto a grade arrastou com ela os bois para o fundo do poço! Nós ... bem a procurámos... 😊

A uma hora um pouco tardia para almoçar, às três da tarde estávamos de regresso a Silva Escura e ao Restaurante "Ponto Final". Merecemos bem aquele opíparo almoço, a fechar um fim de semana sem dúvida excepcional. Obrigado Caminheiros Gaspar Correia, obrigado Amigos e companheiros!
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sábado, 16 de junho de 2018

Calcorreando os passadiços do Paiva

Ao longo da margem esquerda do rio Paiva, no concelho de Arouca, os passadiços do Paiva foram inaugurados em Junho de 2015, transformando-se desde logo num certo turismo ambiental de massas ... e parcialmente consumidos pelas chamas em Setembro de 2015 e Agosto de 2016.
Passadiços do Paiva (Foto: Facebook da entidade gestora)
Não fui "a correr" conhecer aquela que se tornou uma moda para multidões de visitantes de todos os tipos. Preferi deixar que a moda atenuasse ... e em boa hora esperei, já que agora, três anos depois ... os Caminheiros Gaspar Correia levaram-me aos passadiços do Paiva, eleitos como projeto turístico mais inovador da Europa em Setembro de 2016 nos World Travel Awards, voltando no ano seguinte a ganhar o prémio de melhor projecto de desenvolvimento turístico da Europa, em São Petersburgo, na Rússia. Mesmo assim, no primeiro sábado de quase verão ... a multidão de visitantes era grande demais para meu gosto, não invalidando apesar de tudo a grande beleza da maior parte do percurso.

Descida à praia fluvial do Areinho e início do trilho, 16.Junho.2018, 11h50
O rio Paiva nasce na Serra de Leomil, na freguesia de Pêra Velha, pertencente ao concelho de Moimenta da Beira, e desagua no Douro em Castelo de Paiva. Foi considerado ainda não há muitos anos o rio menos poluído da Europa. O percurso dos passadiços estende-se entre as praias fluviais do Areinho e de Espiunca, passando entre as duas pela praia do Vau. Ao longo dos seus 10 Km (desde o parque de estacionamento acima da praia do Areinho), podemos desfrutar de paisagens de beleza ímpar, num autêntico santuário natural, junto a descidas bravas de águas, em leito escavado e apertado, na área conhecida como a Garganta do Paiva.

Vista sobre o vale do Paiva e a ponte da EN 326-1, Arouca - Alvarenga
Após um curto troço ao longo do rio, a parte inicial dos passadiços é também a de maior desnível, através de uma longa escadaria que vence cerca de 150 metros, até ao miradouro sobre o vale e ao controlo de entradas. O percurso pode contudo ser feito nos dois sentidos.

Cascata das Aguieiras, vinda de terras de Alvarenga, 16.Junho, 13h15
As cabras não precisam
dos passadiços...

Ponte suspensa próximo da Praia do Vau
Praia fluvial do Vau
Junto à Praia fluvial do Vau
E já quase em Espiunca, onde terminaríamos este belo percurso dos Passadiços do Paiva
Às quatro e meia estávamos no final do trilho dos passadiços, junto à ponte de Espiunca, sobre o rio Paiva, onde igualmente existe um posto de controlo de entradas, permitindo fazer o percurso em qualquer dos sentidos. E ali ... uma razoável fila de táxis aguardava os visitantes que deixaram os carros no Areinho. Quanto a nós ... o autocarro aguardava-nos para nos levar para Entre-os-Rios, cujo INATEL havia sido eleito para nos receber para a pernoita ... antes de outra "aventura".
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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Marcha Atlântica, do Espichel à Caparica

O Clube Associativo Santa Marta do Pinhal (CASMP) organiza há dois anos consecutivos uma Marcha Atlântica entre o Cabo Espichel e o Cristo Rei. No último dia de Maio, a minha Mana Cristina pegou nesta ideia ... e desafiou 3 Amigos para a acompanharem 😊. O projecto, ligeiramente mais curto, acabava na Costa da Caparica, implicando a logística de deixar um carro em cada ponta do percurso.

Santuário de Nossa Senhora do Cabo (Espichel), 31.05.2018, 8h15
Assim, pouco depois das 8 da manhã estávamos os quatro destemidos caminheiros, prontos para nos lançarmos à aventura. Tínhamos um desafio especial, dentro do desafio: saber se seria possível passar a Lagoa de Albufeira; a maré vazia era às 10h30...

Ermida da Memória, Cabo Espichel (Foto: J. M. Messias)
Descida à Praia dos Lagosteiros ... e subida à Pedra da Mua
As cores e os perfumes, os sons do mar ao longo de uma belíssima manhã de Primavera, faziam-nos querer ser gaivotas, agradecendo ao Universo dar-nos dias assim. Para mim ... o ano bem poderia ter apenas Outono e Primavera, o adormecer e o renascer...

Entre a ponta dos Lagosteiros e o parque "Campimeco", numa sucessão de paisagens ... que me lembravam a Irlanda
Obrigado Universo! (Foto: J. M. Messias)
A seguir ao "Campimeco", optámos por descer à praia. Tínhamos recebido a confirmação de que a Lagoa estava aberta, mas que se passava bem, embora a vau. Foram contudo mais de 5 km de areia, onde a progressão é sempre fastidiosa, amenizada pelo voo dos muitos Fernão Capelos.

Ao longo da praia, entre a foz do Rio da Prata e a Lagoa de Albufeira (Foto: Cristina Ferreira)
A sempre bela Lagoa de Albufeira ... que era preciso ultrapassar
Algum atraso inicial e as características do terreno ditaram que chegássemos à Lagoa ... mais de duas horas depois da maré baixa. Mas a ligação entre a Lagoa e o Mar não oferecia dificuldades, embora obrigando-nos a descalçar e à passagem com água pelos joelhos ... almoçando nas dunas, logo a seguir à "aventura". Depois ... continuaria a progressão para norte.


Travessia da Lagoa de Albufeira ... "remando" contra a maré a encher...
(Foto da esquerda: Cristina Ferreira)
Passava das duas da tarde quando deixámos a lagoa para trás. O Espichel, contudo, vigiava-nos sempre, a sul, enquanto a norte a Serra de Sintra se aproximava, bem como as arribas fósseis da Mata dos Medos e da Caparica.

O Cabo Espichel vigia-nos a sul, enquanto a norte a Serra de Sintra se aproxima...
E entramos nas arribas fósseis, a caminho da Fonte da Telha (Foto de cima: Cristina Ferreira)
Eram quase seis da tarde quando chegámos à Praia do Rei. Depois de umas "loirinhas", durante um troço seguimos pela linha do mini-comboio da Caparica, mas depois ao longo das praias da Rainha, da Mata e da Saúde, até à Costa, assistindo ao ocaso gradual do astro-Rei e às lides da tradicional arte Xávega, tipo de pesa artesanal cujas origens se perdem na noite dos tempos.

Brincando aos comboios 😊 (ao longo da linha do Transpraia, o mini-comboio da Caparica)


O Sol desce sobre as praias da Caparica, enquanto avançamos para norte
e as redes são recolhidas por artes que têm séculos de história

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Às 19h00 estávamos ... a matar a sede pela última vez. E meia hora depois terminávamos, junto aos Bombeiros da Caparica, onde nos havíamos encontrado mais de 12 horas antes. Depois ... havia os abraços e as despedidas, até à próxima "aventura" ... e havia que ir buscar o outro carro. Obrigado Cristina, Zé Manel, Arménio! Foi um belo dia de Marcha, com o Atlântico como tema.
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