sábado, 14 de abril de 2018

De regresso aos Caminhos de Fátima

Dos Olhos de Água a Minde, com os Caminheiros Gaspar Correia

Em jornada non stop ou por etapas, a partir da grande Lisboa, de Santarém ou de perto da Malveira ... já perdi a conta às vezes que passei pelas nascentes do Alviela nos Caminhos de Fátima.
Praia fluvial dos Olhos de Água, 14.Abril.2018, 9h30
Contudo, nunca tinha levado os "gasparitos" - os "meus" Caminheiros Gaspar Correia - àqueles trilhos. A proposta surgiu no calendário deste ano ... e assim foi, hoje. O percurso, entre os Olhos de Água e Minde, corresponde sensivelmente a metade daquela que se considera normalmente a quinta e última etapa do "Caminho do Tejo". Mas, evidentemente, as etapas dependem da capacidade e da vontade de cada um. Esta foi uma caminhada ... à medida dos "gasparitos" 😊

Entre as nascentes do Alviela e a aldeia de Monsanto
O principal objectivo era o de mostrar que o verdadeiro Caminho se faz pelos campos, por trilhos ancestrais, caminhos rurais e veredas, atravessando planícies e serras, e não como infelizmente a maioria dos Peregrinos, utilizando as estradas nas suas peregrinações. Muitos desconhecem até que os Caminhos de Fátima estão muito bem assinalados. Alguns grupos e associações religiosas são infelizmente responsáveis por aquela opção, com a justificação de ser mais perto, quando na realidade a diferença é mínima. Como sempre tenho dito, pela estrada a entrega à Natureza e ao Caminho não pode ser a mesma, qualquer que seja a mística que nos leva a percorrê-lo.
O percurso já o descrevi portanto sobejamente nas "páginas" deste blogue. Depois de semanas e dias de chuva, S. Pedro deu-nos um sábado de Sol e até algum calor. O Alviela rebentava pelas costuras! E por volta das dez horas mais de 50 caminheiros estavam a partir daquele cantinho que conheço há quase meio século ... nos Caminhos de Fátima e de Santiago.

Peregrinando pelos campos, entre Monsanto e o Covão do Feto
Entre Monsanto e o Covão do Feto optei pelo trilho que percorri com a minha "Mana" Paula no verão do ano passado, por forma a fugir ainda mais ao alcatrão. E a paragem para almoço foi no Covão do Feto ... para ganhar forças para a encosta que a separa de Minde. Aos menos habituados a desníveis acentuados foi-lhes dada a hipótese de neutralizarem ali, sendo portanto "teletransportados" para o espectacular "miradouro" sobre Minde e o seu polje. Não deixei de lhes dizer, claro, que quando em Outubro passado comecei aquela subida ... já levava mais de 100 km nos pés... 😟!


Subida para o "miradouro" sobre Minde e o polje
Panorâmica do alto sobre o polje de Minde

E a uma subida ... segue-se uma descida...
Estamos nos Caminhos de Fátima ... e de Santiago
Em Minde, fomos ver as margens daquele famoso "mar", o polje de Minde, e terminámos a caminhada junto ao Mercado. Dali a Fátima ... seria outra etapa, para os pés dos "gasparitos" que hoje peregrinaram dos Olhos de Água a Minde.

E às quatro horas estávamos em Minde e à beira do seu "mar"
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sexta-feira, 30 de março de 2018

Nas margens do Loire ... e do Sena

Não é todos os dias que se completam 90 anos...! E o 90º aniversário de uma tia, residente em Tours,
27.03.2018, 7h13 ... e nasce o Sol sobre um manto de nuvens
cidade que nunca nos cansamos de visitar, proporcionou mais de 30 km de caminhadas a este "velho" peregrino. Peregrino, sim, porque apesar de não estar a fazer um Caminho ... eu estava no Caminho de Santiago, na Via Turonensis (Paris - Tours - Saint Jean Pied-de-Port - Santiago de Compostela).
Um primeiro voo ao fim da tarde de 2ª feira levou-nos ao Porto e 3ª feira bem cedo voámos do Porto a Tours, ambos nas asas da Ryanair; há quase 5 anos que não íamos a Tours.
Tours, 15h15 - Nas margens do Loire
Vieux Tours:
Place Plumereau e Passage du Pelérin
Sendo embora o dia 27 o do referido aniversário, logo a tarde desse dia proporcionou uma pequena volta pelas margens do Loire e pelas velhinhas ruas do Vieux Tours ... onde a minha veia peregrina logo foi encontrar a Passage du Pèlerin, próximo da Torre de San Martin. No dia seguinte, quarta feira ... lancei-me à redescoberta de Tours, agora pelos olhos de quem, entretanto, absorveu os Caminhos de Santiago na sua Vida. Efectivamente, Tours faz parte da Via Turonensis, um dos quatro Caminhos de peregrinação franceses rumo a Santiago. Liga Paris a Saint Jean Pied-de-Port, num total de cerca de 960 km ... mais do que de St Jean Pied-de-Port ao Obradoiro (800 km, que percorri em 2016).
Catedral de Saint Gatien, Tours, 28.03
Um dia vou começar um Caminho de Santiago em Tours ... ou em Paris...
A marcação e divulgação dos Caminhos de Santiago em França teve um impulso mais tarde do que em Espanha, o que, aliado ao facto de que só há 4 anos tive o "chamamento" que me tem levado a percorrê-los, originou que nas anteriores visitas a Tours não desse pela sua existência. A Via de Tours, como também é chamada, atravessa o Loire pela bela ponte de Saint Synphorien, a "Pont de Fil ", rumo à imponente Catedral de Saint Gatien, frente à qual fui encontrar as primeiras Vieiras, cravadas na pedra dos velhos passeios, como ao longo da Rue Colbert, que tantas vezes já havia palmilhado antes.
Tours, Rue Colbert ... no Caminho de Santiago
Tours, 28.03.2018, 11h30 - Basílica e Torre de Saint Martin
Pelas ruas do Vieux Tours, o Caminho segue para a Basílica de Saint Martin. São Martinho foi um dos impulsionadores da cristianização da Europa, no século IV. Viria a ter uma vida longa, como Missionário, Evangelizador e Bispo de Civitas Turonorum, a atual Tours. Três dias após a sua morte, em 11 de Novembro de 397, ali foi sepultado, tornando-se um dos Santos mais populares da Europa medieval. A romagem ao seu túmulo - gallicana peregrinatio - viria a ser o terceiro grande Caminho de peregrinação europeu, depois de Roma e de Jerusalém e anterior portanto ao de Santiago de Compostela. A Via Turonensis não poderia pois deixar de passar no Santuário de Saint Martin.
Nave e cúpula da Basílica 
de Saint Martin de Tours
Uma das muitas lendas atribuídas a S. Martinho conta que um dia, observando umas aves em disputa por peixe, ele explicou aos seus discípulos que os demónios disputam de igual modo as almas dos Cristãos. Aquelas aves ficaram assim conhecidas pelo seu nome; são os Martins-pescadores, ou guarda-rios (Alcedo athis). Mas a lenda mais conhecida é a que deu origem à expressão "verão de São Martinho": quando da sua morte, as flores  terão florescido em Novembro, à passagem do seu corpo cruzando o Loire.
Tours, 28.03.2018 - Place Jean Jaurès
Nesta redescoberta de Tours à luz do Caminho de Santiago, sempre a pé, percorri 17 km pelas margens do Loire e pelas ruas e ruelas da cidade. E teoricamente a deslocação a França ter-se-ia
29.03.2018, 14h ... em Paris (Gare de Austerlitz)
resumido aos dias 27 e 28; teoricamente, na manhã do dia 29 regressaríamos do mesmo modo que fomos, nas asas da Ryanair, num voo para o Porto seguido de outro para Lisboa. Pois é ... teoricamente. Mas como tudo se transforma ... de Tours fomos para Paris, devido a uma greve da Ryanair ... ou, vá-se lá saber ... porque as minhas netas me tinham pedido para tirar uma fotografia à Torre Eiffel, quando lhes dissemos que íamos a França... 😃. Fiz-lhes a vontade ... e fiz 15 km a pé em pouco mais de 3 horas 😇. Afinal ... PARIS é sempre PARIS 😊.
Paris, 29.03.2018, 16h30 ... e afinal as minhas netas tinham razão ... vim tirar uma fotografia à Torre Eiffel 😋
O périplo extra em Paris levou-me portanto não só à Torre Eiffel, como também às margens do Sena, sempre romântico, sempre apinhado de turistas ... incluindo um casamento japonês! Estava muito longe de me ver em Paris; quanto à minha "estrelita" ... preferiu ficar a descansar da aventura da alteração de planos e da viagem de três horas de comboio 😏
Paris, 17h00 - Junto à Torre Eiffel e nas margens do Sena (Ponte de Iéna)
Ao longo do Sena, pelo Cais de Branly, Ponte de l'Alma e Cais de Orsay
Eu limitava-me a querer uma caminhada para recordar Paris ... mas a caminho da Praça da Concórdia, na esquina da Ponte da Concórdia ... mais uma vez o Caminho de Santiago veio ter comigo. Os meus olhos saltaram de imediato para as setas amarelas, cruzando o Sena, apontando a sul ... apontando a Chartres e a Tours.
Praça da Concórdia ...
no Caminho de Santiago
Jardins das Tuileries, 17h55
Pont du Carrousel e a Nôtre Dame ao fundo - Despedida de Paris
A "corrida" por Paris totalizou 15 km em pouco mais de três horas. E ... agora é que era mesmo a despedida de França. 5ª feira bem cedo estávamos a caminho do Aeroporto de Orly, para voar nas asas da Transavia rumo a Lisboa. Uma viagem em que, a partir da costa basca, voámos quase sempre à vista do solo, incluindo uma magnífica panorâmica dos Picos de Europa.

Aeroporto de Orly, 30.03.2018, 7h20 - A bordo da Transavia, vamo-nos despedir de França
Uma hora e meia depois estávamos à vista dos Picos de Europa
8h29 ... com Fátima aos nossos pés...
e às voltas sobre a zona de Santarém
Zamora, Viseu, Coimbra, viram-se perfeitamente ... e às 8h30 tínhamos Fátima aos nossos pés. Há duas semanas, a minha "Mana" Paula levou-me, a pé, de Santarém ... agora avistava nitidamente o Santuário do ar. Sinais?...
8h52 ... aquele avião vai aterrar
ao mesmo tempo que nós...
Dez minutos depois sobrevoávamos Santarém; segundo informações da tripulação, tráfego aéreo obrigou a umas voltas por cima da cidade e do Tejo. Sinais?... Antes das nove da manhã aterrávamos em Lisboa, no sentido nordeste/sudoeste, contrariamente ao habitual. E houve um avião a aterrar ao mesmo tempo que nós... 😄
Estava terminada a "aventura". O 90º aniversário da tia em Tours foi comemorado ... percorri as margens do Loire e do Sena ... revi a sempre bela Paris ... e senti-me no Caminho ... com os Sinais a chamarem-me. Um dia ... qualquer dia ... pode ser que eu lhes responda...
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Percurso efectuado em Paris, 29.03.2018

sábado, 24 de março de 2018

E a Primavera começou em Cheleiros...

Os "Novos Trilhos" agendaram a primeira actividade da Primavera de 2018 para a já batida zona de Cheleiros. Já batida ... mas sempre diferente.
O Lizandro em Cheleiros, 24.03.2018, 9h05
E se o Inverno teve dois meses em que já todos ansiávamos por chuva, o último mês trouxe-a felizmente em quantidade, enchendo os rios, ribeiros e campos ... e permitindo imagens que mais pareceriam do Minho, da Galiza, ou de outros paraísos verdes.
E assim, às 9 horas estávamos a sair de Cheleiros para sudoeste, primeiro ao longo do Lizandro, depois ao longo da Ribeira da Cabrela, seu afluente.
Ponte "romana" de Cheleiros
A progressão ao longo da Ribeira da Cabrela nem sempre foi fácil, mas proporcionou recantos de rara beleza
Com mais de duas horas de caminhada, entre próximo de Armés e de Fervença, tivemos de subir uma íngreme ladeira ... que nos conduziu às traseiras de uma fábrica 😊. A chuva, que de vez em quando já tinha ameaçado, de vez em quando brindava-nos mesmo. E ... para sair da fábrica? Pela frente apareceu-nos um "exército" de 5 cães ... soltos ... correndo para nós ... e para o pobre cão que entretanto tinha resolvido fazer a caminhada connosco. Felizmente ... o guarda humano da fábrica também lá estava ... e lá ordenou ao seu exército que recolhesse ao quartel! 😛Exemplar e simpático, este guarda, que compreendeu a nossa "invasão" e nos foi abrir o portão de saída.
O vale da Ribeira da Cabrela e, lá ao fundo ... a ladeira que tivemos que subir para as traseiras da fábrica! 
Extremo sul do nosso percurso, já não muito longe de Sintra, antes do meio dia estávamos na Cascata de Fervença. As chuvas das últimas semanas engrossaram a ribeira, dando à cascata a dimensão dos seus melhores invernos. Pena é o acesso estar completamente ao abandono...

Cascata de Fervença
O almoço foi no jardim de Montelavar. Tínhamos mesas e bancos ... e tínhamos Sol! E até tínhamos uma Feira, com bancas de bolos 😊. Depois, rumámos a Maceira e a Anços, já no vale da Ribeira do Mourão, onde nos aguardava o espectáculo imponente da Cascata de Anços, que já conhecia, mas não com a impressionante quantidade de água que agora debita. Simplesmente fabuloso!

Cruzando a Ribeira do Mourão, ou de Anços ...
... chegamos às cascatas do mesmo nome. Fabuloso!
A magia da água, nas Cascatas de Anços (esta última, Foto de Cristina Madeira)
Ao longo do vale da Ribeira do Mourão
Já não estávamos longe do ponto de início e de final da caminhada, mas ... faltava atravessar o rio Lizandro. Há pouco mais de um ano, em Fevereiro de 2017, aquela mesma travessia tinha sido épica...

Travessia do Rio Lizandro ... valeu tudo... 😜
Com mais ou menos pés molhados ... pouco depois estávamos em Cheleiros. Pouco passava das três e meia da tarde, com 21 km percorridos nesta primeira caminhada de Primavera. Espectacular ... como sempre é com os "Novos Trilhos" 😊

Cheleiros, 15h35 - Foto de grupo, no final da primeira caminhada de Primavera
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