segunda-feira, 16 de julho de 2012

Parada do Outeiro - Pitões das Júnias ... e
na aldeia velha do Juriz, ou Sancti Vicencii de Gerez

Regressado ontem das terras mágicas do Gerês, apetece-me escrever que vivi (vivemos) intensamente a semana que passou! Primeiro, três dias de autonomia, a dois, bebendo a montanha, quase tocando o céu, dormindo ao som dos chocalhos ou do correr das águas, sentindo-nos parte um do outro mas também parte daquelas montanhas mágicas, daquele Juriz - Gerês que eu amo, do qual não me canso,
Ponte da Ribeira do Campesinho, Pitões das Júnias, 12.07.2012
no qual descubro novas cores, novos sons, novas sensações.
À autonomia dos três primeiros dias, descrita no post anterior, seguiu-se na 5ª feira uma jornada a solo completamente diferente, em que a montanha virou bosque, em que os desfiladeiros e os picos rochosos se transformaram numa panóplia de ramos, folhas, sombras e reflexos, em que as águias se transformaram em borboletas e em melros, esvoaçando à minha volta, posando para a minha câmara, em que as águas se precipitam em alvos lençóis de seda pura, saciando-me a sede e a alma. Intervalando este peregrinar, a sexta feira 13 de Montalegre foi, para nós, um banho de espanto! Jamais imaginámos a dimensão daquele acontecimento, daquela autêntica festa do "país" barrosão. Jamais imaginámos o banho de multidão em que nos vimos envolvidos, o esplendor da recriação de rituais profanos e sagrados, cultos e ocultos. Finalmente, sábado, também a solo … "encontrei" a aldeia quase mítica de Juriz, a aldeia medieval de Sancti Vincencii de Gerez, referida já nas Inquirições Afonsinas, onde parece ter havido um castro celta, onde o denso carvalhal camufla e protege os toscos vestígios do povoado, onde se ouvem nas sombras as especulações sobre o seu abandono no século XV, talvez devido à peste, talvez devido a uma praga de formigas … talvez ... talvez!
Na "igreja" do "castelo" da aldeia velha de Juriz, 14.07.2012
Que turbilhão de sentimentos!
Sei que é difícil entender estas sensações para quem não as vive.
É a entrega, a comunhão, o êxtase, a partilha, tudo junto num turbilhão de sentimentos de superação, de con-quista … de felicidade! Lá, junto à cruz da "igreja" do "castelo" de Juriz … eu ajoelhei-me, eu comunguei, eu senti a energia telúrica daquele pétreo "altar". A sudoeste, lá do alto da sua fraga, a Ermida de S. João parecia dizer-me que eu estava ali bem, que eu estava a fazer parte da paisagem! Mais do que nunca, senti o rosto queimado pelo vento, os olhos em busca do destino no horizonte longínquo, senti-me a escutar a majestade do silêncio ... senti-me incluído num texto que adorei e que, em Janeiro, veio ter comigo por acaso, escrito por um outro amante da montanha que nem sequer conheço pessoalmente...
Gente dura, os montanheiros!

                 Rostos queimados pelo vento,
                 Olhos que buscam o destino no horizonte longínquo
                 ... Gente dura, os montanheiros!
                 Aceitam o sopro gelado da montanha,
                 Enfrentam o calor do seu abraço nas duras encostas.
                 Numa quimera inútil e sem fim, palmilham os trilhos!
                 ... Gente dura, os montanheiros!
                 Gente que escuta a majestade do silêncio, nos grandes espaços,
                 Gente que explode de alegria com o sucesso conjunto,
                 Gente que se detém extasiada na imensidão das paisagens,
                 Gente pronta a dar a mão ao companheiro,
                 ... Gente dura, os montanheiros!
(José Carlos Machado)                          
Na quinta feira, a minha pequena "salta-pocinhas" preferiu ficar a descansar da fabulosa autonomia que tínhamos feito nos três dias anteriores. Da Estalagem "Vista Bela" à aldeia de Parada foi um salto, e pouco  depois  das  nove da  manhã  estava a iniciar,  a solo,  uma caminhada circular  que me  levaria  a
Parada do Outeiro, 12.07.2012, 9:20h - Início de mais uma jornada pedestre
Pitões das Júnias. Pela primeira vez chegava a Pitões a pé, atra-vés do fabuloso bosque que ladeia a encosta esquerda dos ribeiros do Beredo e do Campesinho, cujas águas correm para a barragem de Paradela e para o Cávado. Antes, contudo, já havia passado pelo Fojo do Lobo de Parada, pouco depois do qual se abriu o "ecrã" magnífico dos Cornos das Alturas, que coroam a aldeia de Pitões das Júnias.
Fojo do Lobo
de Parada
E abrem-se os horizontes, do S. João da Fraga à Brazalite
Pouco depois entrava no carvalhal do Beredo ... e num mundo de cores, sons e sensações mágicas!

Panóplia de ramos, folhas, cores, sombras, reflexos ... vida!
Ponte sobre a Ribeira do Campesinho, 12.07.2012
A ribeira do Campesinho é afluente do Beredo. As suas águas são as que bordejam o vetusto Mosteiro de Santa Maria das Júnias, precipitando-se depois na famosa Cascata de Pitões ... onde perdi a conta às vezes que lá fui nos últimos 30 anos! A menos de 200 metros a poente da cascata e cerca de 100 metros mais abaixo, o conjunto de pequenas cascatas junto à ponte de madeira do Campesinho não é contudo menos belo. É um jogo de verdes, da água e da pedra, da luz e da sombra, desafiando os limites da nossa imaginação criadora e poética.

Jogo de verdes, de água e de pedra, de luz e de sombras, junto à ponte do Ribeiro do Campesinho
À ponte do Campesinho seguiu-se a subida para Pitões das Júnias, onde claro que não podia faltar à visita à "Casa do Preto" ... a "minha" casa em Pitões há mais de 30 anos! As duas senhoras Marias, mãe e filha, fizeram-me mais uma vez uma festa ... e obrigaram-me a prometer que lá voltaria com a minha parceira. Em boa hora o fizeram, adiante se perceberá porquê...

Pitões das Júnias à vista, 12.07.2012

"Casa do Preto": Srª Maria ... já lá vão mais de 30 anos!
   
O Café "Rato do Eiró" e a Taberna "Terra Celta" são
outros dois pontos "míticos" em Pitões das Júnias!
O regresso de Pitões a Parada do Outeiro programara fazê-lo pelo vale da ribeira das Aveleiras e encosta da fraga de S. João. Nunca gosto de ir e vir pelo mesmo caminho, além de que esta alternativa me permitiria procurar a quase mítica aldeia velha de Juriz, "perdida" nos carvalhais, algures entre aquele vale e o do Beredo. Em tantas e tantas vezes em Pitões, há muito que ambicionava sentir o peso da história e das estórias daquela aldeia. Passei-lhe perto quando da travessia Pitões - S. João da Fraga - Cornos de Candela - Portela do Homem, em Junho de 2010, mas a dimensão da jornada não permitia a procura dos vestígios de Juriz. Seria agora que ia finalmente encontrá-la?

Descida para SW, para o vale das Aveleiras e do Beredo: abrem-se os horizontes sobre a barragem de Paradela
Já no vale, sob o denso arvoredo, pouco passava das duas da tarde de 5ª feira quando iniciei a busca. A carta 18 assinala o lugar do "Castelo" ligeiramente acima da ponte sobre a ribeira do Beredo, pelo que foi aí que tentei, em vão, encontrar a mítica aldeia. Um pouco a norte, subindo o Beredo, um pouco a leste ... mas nada. Mais de hora e meia depois e de alguns declives acentuados e silvados ... desisti. Até porque ainda tinha de regressar a Parada do Outeiro. Mas, como toda a luta tem um prémio, esta primeira procura inglória do Juriz deu-me o privilégio de ver uma corça em plena liberdade! Curiosa, parou à distância a olhar-me ... ou a pedir para que a fixasse na fotografia!


Na senda da aldeia velha do Juriz ... tive o privilégio
de fotografar uma corça (Capreolus capreolus)
Em cerca de duas horas regressei a Parada, pela base do S. João da Fraga e cruzando de novo o Beredo já próximo da barragem de Paradela.

Na base da Ermida de S. João, que me
vigiava do cume da sua Fraga
Numa floresta de fetos, no percurso de regresso a Parada do Outeiro
Nas Voltas do Pala Serra, rumo à barragem de Paradela, 12.07.2012
Mas o destino e a minha amiga "White Angel ", responsável pelo blog "Alma de Montanhista", quiseram que eu voltasse a Juriz ... e encontrasse a aldeia "perdida"! Efectivamente, na sexta feira 13 encontrámo-nos na "Noite das Bruxas", em Montalegre, o tal monumental evento que nos levou ao Barroso. Aquela que é, muito provavelmente, a pessoa  que actualmente melhor conhece a Serra do Gerês, deu-me as preciosas indicações que me guiaram e levaram ao Juriz perdido no tempo! Como tinha prometido às Sr.as Marias voltar a Pitões e à "Casa do Preto" com a minha parceira ... sábado lá estava eu de novo na senda daquela que foi, provavelmente, a primitiva aldeia de Pitões e a que deu origem ao nome da própria Serra: Gerês! Verificando que o erro de quinta feira foi ter avançado demasiado para o vale do Beredo, concluí também que tinha estado ... a escassos 100 metros da aldeia!!!

"Casas" e "ruas", na aldeia velha do Juriz, 14.07.2012
E de repente, por entre a ramagem ... surge a cruz da velha "igreja" do Juriz
No "castelo" da aldeia velha de Juriz, o turbilhão de sentimentos é avassalador. Coroando a rocha onde se terá localizado um castro celta, a cruz assinala a "igreja" de Sancti Vincencii de Gerez. Dela se divisa Pitões, ao fundo, dela se dominam os vales das ribeiras das Aveleiras e de Beredo. Na aldeia propriamente dita, são visíveis os restos de vetustas casas de pedra, dos muros que ladeavam as ruas! Imagens perdidas na noite dos tempos ... imagens gravadas na memória dos tempos!
E como se os amantes do Gerês estivessem pré-destinados a cruzarem-se naquela serra mágica, quando no sábado estava a descer de Pitões de novo na senda do Juriz ... encontro-me com outro casal de caminhantes, com quem igualmente já havíamos estado na véspera, na "festa das bruxas". Vinham da Fraga de S. João e das alturas da Fonte Fria ... onde a "White Angel " e um pequeno grupo se encontrava igualmente no sábado, em autonomia, a caminho do galego Prado Seco. O Gerês não só atrai como une os seus amantes!

Como habitualmente, aqui ficam os percursos realizados na quinta feira e no sábado ... retirando do de 5ª feira as voltas e voltinhas na inglória busca pela aldeia perdida ... e encontrada.


 
Também os álbuns completos das fotos destas duas jornadas em terras de Pitões:
Parada do Outeiro - Pitões das Júnias - Parada do Outeiro
Aldeia velha de Juriz

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Autonomia no Gerês
Fafião - Pinhô - Pousada - Roca Alva - Velas Brancas - Mourisca - Fichinhas - Touça - Porto da Laje - Fafião

3ªfeira, 10 de Julho, 6:58h
Pouco passa das seis da manhã. Estou na cabana de Pinhô, pertencente à Vezeira de Fafião, nas terras "mágicas" do Gerês!  É mais uma autonomia nestas terras abençoadas!  Três dias de comunhão!
Curral de Pinhô, 10.07.2012, 5:45h
O dia desperta mágico na cabana de Pinhô
Três dias de pura magia! Regressar a estas terras, assistir a este "Despertar dos Mágicos", adormecer e acordar nesta envolvência ... são sensações indescritíveis, que só os amantes compreendem. Os amantes do Gerês, mas também os amantes da Natureza e da vida!
Com a minha companheira de vida e de "aventuras", viemos ontem de Lisboa, rumo à aldeia de Ermida. Queríamos conhecer as famosas Cascatas "do Tahiti", onde o rio Arado se precipita no rio Toco, entre Ermida e Fafião. Alguém um dia as baptizou com aquele nome...! E descobrimos ali ... um paraíso de água, de luzes e reflexos. Pouco depois estávamos em Fafião ... e o carro ficou lá, a dormir e a descansar, por duas noites e respectivos dias.
Cascatas "do Tahiti", rio Arado, 9.07.2012
Às duas da tarde iniciámos assim mais esta autonomia em terras do Gerês. Depois do Fojo dos lobos de Fafião e da Ponte da Pigarreira, no rio Toco (outro paraíso), iniciámos a subida para Pinhô. Queríamos conhecer esta cabana, mais uma das muitas que têm sido recuperadas pelas gentes desta serra. Mas esta não é apenas mais uma ... é a maior e melhor, confirmando o que já havia lido noutros blogs e o que outros amantes do Gerês já me haviam dito.
Cascatas "do Tahiti"
E agora ... daqui a pouco vamos começar nova jornada. Para onde? Para onde o destino e a vontade nos levarem. Talvez Rio Laço, talvez Fichinhas, talvez Porta Ruivas ... talvez! Até quarta feira, este post continuará assim quando for possível.

6ªfeira, 13 de Julho, 8:50h
E ... só hoje foi possível! Terminámos anteontem à tarde os restantes dois dias de mais esta "aventura" em autonomia. E que dois dias! Uma palavra resume o que acabámos de viver: FABULOSO! A minha e nossa paixão pelo Gerês é grande, já perdi a conta a quantas "aventuras" já aqui vivi ou vivemos, mas a cada nova comunhão com esta serra a paixão aumenta, a admiração torna-se êxtase e catarse. O Gerês faz parte de mim ... eu faço parte do Gerês!
Quando acordei na terça feira, em Pinhô, o dia também estava a acordar. E estava a acordar ... mágico! Aquela magia que só se vive na serra, que só se sente na serra. O nevoeiro escondia a paisagem que havia visto na véspera, escondia formas, levava a imaginar outras. As vacas e bezerros que haviam regressado à noite ainda se encontravam também meio adormecidas. Afinal ainda nem seis da manhã eram! Mais tarde, o dia viria a mostrar-se limpo e belo, revelando-nos as maravilhas escondidas por trás de cada novo cabeço, do lado de lá de cada vale ... revelando-nos a alma destas montanhas mágicas.

À vista do Cutelo de Pias, sobre o vale do Rio do Conho, 10.07.2012
E a partir de Pinhô (780m alt.), o rumo era para norte, paralelos ao vale do rio Conho, que no ano passado tínhamos descido. Já acima dos 900 metros, surge-nos a visão deslumbrante do Cutelo de Pias, que igualmente no ano passado admirámos do fundo do vale. Atravessado o curral de Pousada, começámos a subir para Pradolã, com os Bicos Altos a nascente. E é nessa subida que vemos, em sentido contrário, um outro casal de apaixonados pelo Gerês. Eram a Lírio e o Orion, do blog "Cabra do Gerês", que já nos tinham tentado contactar, dado que ambos sabíamos do potencial encontro na serra! Na nossa autonomia de Junho do ano passado tínhamos casualmente encontrado o Orion na Ponte de Servas; não conhecíamos ainda a Lírio pessoalmente. E assim a magia do Gerês vai proporcionando que os seus amantes se conheçam, que o destino os unam. Uns minutos mais e não nos teríamos encontrado, dado que eles seguiam directos para Fafião e nós havíamos subido de Pinhô. Com os Bicos Altos a ouvirem-nos, para lá do vale da Corga de Carnicente, para ali estivemos quase hora e meia a conversar, a partilhar "aventuras", a viver e reviver a mútua paixão por estas terras. Chamaram-nos a atenção para a abundância do tomilho-serpão (Thymus serpyllum); e ainda nos ofereceram o que lhes sobrava de um delicioso licor de mel do Barroso ... para nos aquecermos quando chegasse a noite! Obrigado Lírio e Orion, obrigado amigos!

A magia do Gerês liga e une os seus amantes...!
Com os amigos Lírio e Orion, do blog "Cabra do Gerês"
Sobre o vale do Rio Laço, 10.07.2012 - Sublime!
À uma e meia de uma tarde esplendorosa, estávamos a almoçar no Vidoirinho. De lá à Roca Alva foi um pulo. Terreno já nosso conhecido, inclusive não há muito tempo, com parte da "família" caminheira. Já nosso conhecido mas sempre diferente, nas cores, nos sons, no espírito destas montanhas.

Prado e cabana da Roca Alva, 1275m alt.
Já a nordeste das Rocas, atravessámos um belo campo de algodão (Eriophorum angustifolium). O desnível acumulado de subida começava contudo a pesar ... principalmente na minha pequena "cabritinha". A ideia era portanto, agora, descer para a Touça pela Mourisca e Fichinhas mas, por conselho da Lírio e Orion, justificava-se fazer um pequeno desvio às Velas Brancas, precisamente sobre aqueles vales. A minha guerreira aproveitou assim para descansar, ante uma panorâmica fabulosa que abrangia o Pé de Medela, os prados da Messe, o Cantarelo, o vale do Porto das Vacas. E lá estava também o "nosso" curral do Conho, onde no ano passado fizemos a primeira noite de autonomia. Acabei por fazer dois desvios, o primeiro sobre a Corga do Salgueiro e o segundo ao topo das Velas Brancas, sobre o imponente vale que íamos descer.

Campo de bolas-de-algodão,
com a Roca Negra ainda ao fundo

Sobre a Corga do Salgueiro, 15:50h
Velas Brancas, sobre o vale das Fichinhas,
10.07.2012, 16:30h
Com as Rocas Alva e Negra ainda ao fundo
A descida para a Mourisca e Fichinhas é vertiginosa, principalmente na parte inicial, em que se descem cerca de 150 metros de desnível em pouco mais de 600. E o curral das Fichinhas viria a ser o nosso ponto de paragem na 3ª feira. Cansados mas felizes, ali assistimos ao esconder do Sol, ao som das belas águas que corriam ao nosso lado, a caminho do fundo do vale, o fabuloso vale das Sombrosas.

Descida para a Mourisca e Fichinhas
Fichinhas, 18:10h, 1050m alt.
O descanso da
grande guerreira...
Ao som das águas que correm para a Touça, 10.07.2012, 18:30h
Quarta feira, terceiro dia de autonomia. Embora o Sol nasça pouco depois das seis da manhã, às sete e meia o paraíso onde estávamos estava ainda envolto nas sombras. O extremo norte das Sombrosas e as alturas de Porta Ruivas impediam que víssemos o astro rei. E foi já quase às nove da manhã que iniciámos a derradeira jornada, que nos levaria de regresso a Fafião. Rapidamente ultrapassámos a foz da ribeira de Porto das Vacas ... e entrámos no fabuloso vale da Touça, ou das Sombrosas, com Porta Ruivas a acompanhar-nos a nascente.

11.07.2012, 8:00h - O Sol vai começando
a iluminar o paraíso onde estávamos
Vale do Rio da Touça, 11.07.2012, 8:55h
No vale da Touça, sentimo-nos fazer parte daquela Natureza quase virgem. O espectáculo grandioso do aparecer do Sol sobre Porta Ruivas, o som das águas que saltam em pequenas cascatas, por entre as rochas alvas que aquelas lavaram por milénios, a ramagem do bosque por onde vamos avançando ... tudo ali é magia, sonho, meditação!

Vale da Touça: tudo é magia, sonho, meditação!
O Sol começa a brilhar sobre Porta Ruivas, 11.07.2012, 10:00h
Ao avançar para sul, ao longo das Sombrosas, as alturas de Porta Ruivas chamavam-me. Porta Ruivas é um dos locais de eleição da amiga "White Angel", responsável pelo blog "Alma de Montanhista"; com ela e outros apaixonados da montanha vivi em Novembro de 2011 um dia magnífico na Serra Amarela. Mas Porta Ruivas teve de ficar para outra vinda às terras mágicas do Gerês; subir ainda a Porta Ruivas seria demasiado para a minha pequena "cabritinha"...
Às dez e meia estávamos com a albufeira do Porto da Laje à vista. As Sombrosas iam começar a ficar para trás. Mas até chegarmos ao Porto da Laje, o êxtase continuou de pedra em pedra, de recanto em recanto, a cada curva do rio e do trilho. Já perto, o Rio do Laço e a Corga do Salgueiro precipitam-se na Touça. Na véspera, tínhamo-los visto das alturas!

Estas habitantes estavam curiosas perante
quem lhes "invadiu" o território...
E surge ao fundo a albufeira do Porto da Laje

As águas da Touça correm céleres para o Porto da Laje
Sombrosas e as alturas de Porta Ruivas
Vale do Rio do Laço
Albufeira do Porto da Laje, 780m alt. 11.07.2012, 11:40h
O regresso a Fafião seria pelo mesmo percurso que fiz, sozinho, na minha autonomia de Maio de 2011. Não deixou por isso de ser de novo aliciante, com a particularidade de termos encontrado a Vezeira de Fafião ao vivo, na pessoa de uma simpática aldeã que guardava o rebanho comunitário de cabras; coitada, já havia dado um tombo que a tinha deixado bem marcada. É a rudeza da vida bem patente no corpo, na fala, no olhar e, de certeza, na alma da boa gente que João Botelho retrata no seu documentário "Para que este mundo não acabe!".

Vale do Rio Toco, que deixou a maior parte das suas águas no Porto da Laje ...
... formando mesmo assim
belíssimas piscinas naturais
As Sombrosas ficaram para trás
Vida rude, na Vezeira de Fafião: D.ª Filomena guarda as
cabras da aldeia, ao ritmo do tempo de um mundo "perdido"
E os horizontes abrem-se para sul, para o vale do Cávado
Antes das quatro de uma tarde esplendorosa estávamos de regresso a Fafião, onde o carro nos esperava desde 2ª feira. Estava terminada mais uma "aventura" no Gerês: três dias em autonomia a dois, de Fafião ... a Fafião. E cada nova "aventura" vai-me alimentando a paixão por estas montanhas, pelas cores sempre diferentes, pela magia que elas encerram.

11.07.2012, 15:05h - Fafião à vista!
Estas foram, talvez, as jornadas mais duras de quantas fizemos até agora, principalmente as duas primeiras, de 2ª e 3ª feiras. Afinal, vencemos praticamente mil metros de desnível ... e nós somos quase sexagenários! Mas ... quanto mais velhos melhor... :-)

Alguns números:

- Horas de autonomia: 50 horas, entre as 14h de 2ª feira e as 16h de 4ª feira;
- Nº de noites na serra: 2
- Distância percorrida: 27,4 km;
- Desnível entre máximos: 950 metros;
- Desnível acumulado de subida e descida: 3034 metros;
- Ponto mais baixo: 360m alt. (Ponte da Pigarreira, sobre o Rio Toco);
- Ponto mais alto: 1310m (sobre a Mourisca e a Corga de Salgueiro)

Finda a autonomia ... tínhamos direito a um "mimozinho"...! De caminho para Montalegre (sexta feira 13...), estamos na Estalagem "Vista Bela" ... com vista para a barragem de Paradela e as alturas do Gerês!

No Outeiro, sobre a Barragem de Paradela. Terminada a autonomia ... temos direito a um "mimozinho", ou não?...
Esta é a vista da janela do quarto...

Aqui fica o álbum completo de fotos (mais de 300...) e o percurso destes três fabulosos dias.