sábado, 29 de dezembro de 2012

2012 ... mais um ano de "aventuras"...

Iniciado a 9 de Janeiro de 2011, este blogue começou por contar as histórias e estórias de 40 anos de "fragas e pragas". Depois, 2011 contou com 28 "aventuras", já escritas e descritas mais ou menos "em directo". Em 2012 ... foram 42! E os 42 artigos tiveram, até ao momento, quase oito mil leituras!
Assim, a todos aqueles que tiveram a paciência de me ler, a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, fazem parte da minha vida ... é mais uma vez com um vídeo retrospectivo que vos desejo um

FELIZ  2013  para  todos!




Com mais ou menos crise, que 2013 nos traga a todos saúde, paz, harmonia, amizade, partilha ... vida!

Que 2013 nos possa continuar a pôr … cada vez mais no alto! Projectos na montanha, no verde, na magia dos bosques, nos meus paraísos perdidos ... tenho muitos...J!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Gigantes, serras e frades: regresso à Arrábida

Depois de muitos anos afastado da minha velha Serra da Arrábida, as voltas e fragas da vida fizeram que agora, em menos de um mês, fizesse duas caminhadas espectaculares naquela que era, nos "anos loucos" de há 40 anos, uma das zonas que mais frequentava. Levado pela minha "família" dos Caminheiros Gaspar Correia, voltei ontem à Arrábida para repetir, em sentido contrário, parte do percurso da GRD entre Castelos de há quatro semanas atrás.
De Pedreiras para nascente, rumo às Terras do Risco
Partindo de Pedreiras para nascente, a primeira atracção foram as marmitas de gigante da Ribeira do Risco, depressões mais ou menos arredondadas existentes no leito rochoso de alguns rios e ribeiros. Trata-se de um fenómeno de erosão hídrica causado pelo fluxo da ribeira ao longo de um afloramento calcário que ganhou, assim, formas ímpares.
Mas ... formas ímpares e algumas escorregadelas também foram frequentes, enquanto avançávamos lenta e prudentemente ao longo da "selva" da ribeira do Risco, engrossada pelas águas das intensas chuvas dos dias anteriores, principalmente da véspera. E assim se levam duas horas para progredir ... 1 quilómetro...J


Marmitas de Gigante da Ribeira
do Risco, 15.12.2012
Ao longo da Ribeira do Risco
Terras do Risco
Atravessada a estrada 379-1, o destino era agora o Convento da Arrábida, com fabulosas panorâmicas de serra e de mar.

Convento da Arrábida
No Convento da Arrábida, revivemos a vida e as memórias de Frei Agostinho da Cruz, pela descrição do autêntico "guardião do templo" que é Quirino Lopes de Almeida, o zeloso cicerone que orgulhosamente descreve a história do convento ... ou não tivesse sido ele já actor de Manoel de Oliveira.
Quirino Lopes de Almeida, o zeloso
guardião do Convento da Arrábida
Solidão, naquele lugar isolado, diz nunca ter sentido. No convento começou uma vida nova: a sua contratação para tão particular trabalho levou-o - talvez influenciado pelo lugar - a querer saber mais sobre o lado oculto e espiritual e a pôr de parte outros géneros de leitura. Diz que aquele local é "altamente energético". Senta-se num banco em frente ao mar azul que banha as praias da Arrábida, o mesmo onde se sentava Sebastião da Gama escrevendo poesia.
Perdido no imenso espaço do Convento (onde todas as 19 horas acerta o relógio para que o tempo ali entre), Quirino tem ainda outras funções: do outro lado do oceano, a Fundação Carl Sagan conta também com os seus préstimos.
Esta instituição tem um programa de descodificação de milhões de sons que chegam à Terra, através de um rádio telescópio no Peru. Através da internet, o guardião da Arrábida soube da sua existência e ajuda na descodificação dessa informação que vem de todo o Universo. “Se há vida no nosso sistema solar, que é considerado pequeno em relação a outros, em outros maiores ou com as mesmas condições não poderá haver também?”                  Fonte: "Correio da Manhã", 21.09.2003


"Alta Serra deserta, de onde vejo
as águas do Oceano de uma banda,
da outra, já salgadas, as do Tejo"

(Frei Agostinho da Cruz)

domingo, 9 de dezembro de 2012

60 anos de uma vida...

"A amizade é um reduto inviolável que não conhece preconceito,
nem tempo, nem género, nem o mínimo esquecimento;
é um abrigo da honestidade, nele moram a verdade e a compaixão;
é na amizade que o amor se transcende e se torna alegria e compreensão,
na amizade a diferença é um pormenor,
é na amizade que nos tornamos humanos até à medula,
criativos nas palavras, sensitivos nos olhares, disponíveis na atitude 
"
(Luís Miguel Vendeirinho)
Este artigo no blog é completamente diferente de todos os outros...J Hesitei, por isso, antes de o publicar. Ao contrário dos restantes, não relata nenhuma "aventura", nenhum "instantâneo de uma vida ao ar livre" ... mas refere-se à minha companheira de vida e de "aventuras".  Aquela  que  me  acompanha
7.12.2012, 20h - A aniversariante encara a "multidão"... J
(Clique na foto para ver as restantes)
há quase 40 anos ... completou 60 anos de vida na passada sexta feira ... e 60 anos não se fazem todos os dias!
O artigo não relata portanto nenhuma aventura, mas foi uma aventura pôr de pé, na clandestinida-de, uma comemoração que iria contar, como contou, com mais de 100 pessoas. A minha pequena estrela sabia que iria jantar fora, comigo, com os filhos e netos, com a mãe dela. Éramos 7 adultos e 3 crianças ... fomos só mais 100...J
Para além da família propriamente dita, esta "multidão" proveio, naturalmente, das várias "famílias" de grandes amigos construídas ao longo da vida. A amizade é um bem que não tem preço nem se agradece; a amizade sente-se, vive-se, constrói-se, fomenta-se ao longo da vida, da vida ao longo da qual construímos as tais várias "famílias". Tal como na família propriamente dita, algumas amizades podem por vezes estar mais afastadas fisicamente, o contacto pode desvanecer-se e tornar-se difícil … mas não ficam por isso perdidas no tempo. Todas estão, pelo contrário, bem vivas e bem presentes na memória e no mais íntimo de nós. E que bem sabe conseguir ir buscar, nalguns casos ao fundo desse baú das memórias, algumas de que andámos afastados durante anos e décadas. Claro que com graduações diferentes na ligação que nos une, mas é esta amizade, são estas "famílias", construídas ao longo da vida … que dão sabor à vida!
De que vale uma vida vivida para dentro? De que vale a vida sem esse sabor, sem o sabor da partilha de vivências e de emoções, sem os ombros amigos aos quais sabemos que nos podemos encostar, sem o companheirismo vivido ao longo das metas que vamos vencendo, sejam elas as "fragas e pragas" das montanhas e dos vales, das escarpas e barrocos, das torrentes e ribeiros … ou as "fragas e pragas" da vida. Até porque...
"A vida é somente este lugar, este tempo, este instante, simplesmente agora…"
(Lisa Engelhardt)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

GRD entre Castelos: Palmela - Sesimbra

Depois de um sábado chuvoso ... um domingo de Sol esplendoroso! Depois de uma caminhada por terras de Grândola ... uma grande rota na Serra da Arrábida, entre castelos, de Palmela a Sesimbra! Depois das grandes rotas TransMalcata, da Serra de Candeeiros e da Serra das Mesas à Serra da Gata ... mais uma GRD com a "equipa" que já vai começando a ser, também, uma outra minha "família" caminheira. E depois de 41 anos ... voltei ao velho "Tic-Tic", no Porto de Abrigo de Sesimbra, aquele que era, nos longínquos "anos loucos" do início da década de 70 do século passado, o "porto de abrigo" de quantos, como eu, ali se recolhiam para comer qualquer coisita, nos intervalos dos mergulhos que fazíamos na velha barca do Joaquim Zé, ou enquanto não recolhíamos à velha camarata na velha casa abrigo do Centro Nacional Juvenil de Mergulho Amador, das velhinhas EBECs (Escolas de Brigadas Especiais de Campo). Para além das maravilhas do mundo submarino que em cada mergulho se nos patenteavam, não faltavam nunca as horas de convívio, de sã camaradagem, de cânticos cantados no velho "Tic" ou nas escadas do porto de abrigo, enquanto os compressores enchiam as garrafas para as novas "aventuras" que nos esperavam no dia seguinte.
Pela Serra do Louro, com Palmela ao fundo, 18.11.2012
Mas a "aventura" deste domingo foi outra, a "aventura" de unir os dois castelos da Arrábida, de Palmela a Sesimbra, pela Serra do Louro e de S. Francisco, subindo depois ao cume do Formosinho (onde igualmente já não subia há 20 anos) e descendo à vertente norte da Serra do Risco. O projecto era o de fazermos ainda a falésia do Risco, sobre o Cabo de Ares, onde assistiríamos ao pôr-do-Sol, mas os dias curtos desta época do ano levaram a cortar directamente da povoação de Pedreiras para Sesimbra, já de noite. Foram, mesmo assim, sensivelmente 31 km de uma caminhada intensa.

Panorâmica da Serra do Louro para sudoeste, com a Serra de S. Luís e a Arrábida ao fundo
Descida para Picheleiros, com o Formosinho a chamar-nos
A pausa para almoço foi no Parque de Campismo de Picheleiros ... imediatamente antes de atacar a forte subida para o Formosinho. As panorâmicas para norte, com o Tejo e Lisboa ao fundo, e para sul, com o azul do oceano, a península de Troia, as cruzes de El Carmen, as escarpas da Serra do Risco, tudo nos enchia as medidas.

Formosinho à vista ...
E o "chefe" diz: "Subam, é lá em cima..."... J
Troia e o Estuário do Sado
Panorâmica do cume do Formosinho, 501 metros de altitude
O "grupo expedicionário", no cume do Formosinho
Panorâmica para El
Carmen e a encosta sul
Ao fundo, as escarpas da Serra do Risco
Rumo às Pedreiras ...
... e já perto do destino: Sesimbra e o seu castelo, by night
Esta foi sem dúvida mais uma bela jornada, para os 22 participantes e amantes de uma forma mais intensa de caminhar. Para mim, teve igualmente a nostalgia de recordar a "minha" velha Arrábida ... e a recordação do velho "Tic". Lá ao fundo, no porto de abrigo, era a nossa velha casa abrigo do mergulho amador ... nos "anos loucos" de todas as "aventuras"...

Porto de Abrigo de Sesimbra:
no velho "Tic-Tic" ... 41 anos depois!
Ver álbum completo de fotos
GRD Entre Castelos: Palmela - Sesimbra (31 km), 18.11.2012

           

sábado, 17 de novembro de 2012

Do Canal Caveira ao Monte da Estrada, Grândola

Sábado com previsão de chuva ... que se cumpriu. Mas sábado, 17 de Novembro, estava agendada mais uma actividade da minha "família" caminheira ... que ainda por cima seria complementada pelo magusto caminheiro. E portanto, pouco depois das oito da manhã, estávamos a partir para terras de Grândola, a vila morena! E quem disse que uma caminhada à chuva não tem história? Esta teve ... e que história...J. A Ribeira do Canal Caveira, engrossada pelas chuvadas dos últimos dias e noite anterior ... pregou-nos a partida de termos de a atravessar a vau. E serviram todas as formas de o fazer...J.

Bonitos campos das terras de Grândola
Ribeira do Canal. Não estava no programa ter tanta água ...
... por isso a passagem foi "aventurosa"...J
E estávamos a chegar ao Monte da Estrada, onde decorreria o Magusto Caminheiro
Ficam as fotos e o percurso desta jornada.
 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Grande Rota da Serra das Mesas à Serra da Gata
... e em terras de Vale de Espinho

No último dia do passado mês de Junho, trouxe à raia um grupo de amantes das longas caminhadas, para uma Grande Rota TransMalcata, entre Foios e a Capela da Srª do Bom Sucesso. Complementámos essa travessia, no dia seguinte, com uma pequena caminhada circular na Serra das
Cume do Xalmas, 1492m alt., 23.10.2012
Eu sou lá dos montes
Que medem o céu,
Sou das frias serras onde primeiro o Sol nasceu
E onde os rios ainda são apenas fontes.
(Branquinho da Fonseca)
Mesas. Como então escrevi, as despedidas foram com a promessa, minha e deles, de um dia voltarem. Como também escrevi ... "É este o tipo de pessoas que eu gosto de encontrar, com quem gosto de conviver! Gente que dá e recebe, gente que transmite o calor da partilha, gente que transmite o sabor da amizade, gente ... que dá sabor à vida! ".
E por isso ... um dia eles voltaram...J! Pelo menos alguns deles, acompanhados por alguns estreantes nestas serras. E voltaram para uma nova grande rota, a unir as Mesas à porção ocidental da Serra da Gata, que iria incluir a subida ao mítico cume do Xálima ... que em Julho lhes tinha feito um "chamamento místico"...
Tal como em Junho/Julho, o projecto nasceu e foi posto em marcha via redes sociais. E, aos participantes inicialmente previstos, na 5ª feira à noite juntaram-se mais três, mobilizados por uma das participantes no MegaTransect da Estrela, em que participei nos primeiros dias de Setembro. Juntámo-nos assim 14 apaixonados pelos "montes que medem o céu ", 14 amantes "das frias serras onde primeiro o Sol nasceu ".
Não, não é uma vista de avião...! Cume do Xalmas, 23.10.2012
As fragas das redes sociais originam aliás novas e interessantes formas de comunicação e de aproximação: dois dos "estreantes" nestas serras ... só os conhecia virtualmente. Mas, tendo vindo mais cedo ... vieram almoçar na minha casa de Vale de Espinho, na 6ª feira! Mais: vieram juntos, da zona do Porto e Vila do Conde ... mas igualmente não se conheciam pessoalmente, só se conheceram quando se encontraram para vir J!

Quatro dias antes, na 3ª feira 23, fiz um reconhecimento solitário de uma alternativa de acesso ao Xalmas, numa manhã mágica, de Sol, a que se refere as primeiras fotos deste artigo. E é assim que, às seis e meia da manhã de sábado 27, ainda noite cerrada, nos encontrámos todos junto à antiga Escola Primária de Foios, em cuja camarata quase todos ficaram, como em Junho. A primeira parte do percurso fizemo-la portanto acompanhando o lento clarear de um novo dia, subindo a serra em direcção à nascente do Côa, por entre um nevoeiro mágico que emprestava um ar místico a toda aquela envolvência serrana. Depois de mais de dois dias de chuva ininterrupta ... sábado acordava para nós como um magnífico dia que se viria a mostrar soalheiro!

Foios, junto ao Côa, 27.10.2012, 7:00h
E o nevoeiro envolve-nos nos mistérios da Serra das Mesas
Sobre a planície de Valverde del Fresno, onde o Sol já clareia
Com pouco mais de uma hora de marcha e a 1220 metros de altitude, cruzámos a linha de fronteira perto do geodésico das Mesas, a que tínhamos ido em Julho ... para logo a seguir descermos para a nascente do Águeda e para os Llanos de Navasfrias. Estávamos então na estrada Navasfrias - Valverde del Fresno, com duas horas de caminho e quase 7 km percorridos.

Descendo a encosta das nascentes do Águeda
Llanos de Navasfrias: 8:55h, 1070m alt., 6,6 km
Tínhamos agora pela frente a Serra do Espiñazo, cujos cumes rochosos são também conhecidos por Torres das Ellas, ou Torres de Fernán Centeno. Torres das Ellas porque de ali se avista a aldeia de Ellas, que, juntamente com as suas aldeias gémeas de San Martín de Trevejo e Valverde del Fresno, constituem as três aldeias do vale do Xálima, ou d’"A Fala", conjunto de dialectos mistura de galego, português e castelhano. A outra designação é menos nobre: ao galgar aquelas fragas, por entre o persistente nevoeiro, quase víamos saltar detrás dos rochedos as hordas de bandoleiros guiadas pelo celebérrimo Fernán  Centeno,  El Travieso,  senhor de Peñaparda,  que,  do seu castelo  de Rapapelo (de
Nas Torres das Ellas, em manhã de nevoeiro
que não restam vestígios), assolou no séc. XV grande parte destas terras e tomou os castelos das Ellas e de Trevejo.
A Serra do Espiñazo ficou também para sempre ligada à aventura do contrabando. Os seus esporões rochosos esconderam "carregos", testemunharam perseguições, fugas e mortes, por vezes aliadas a fenómenos naturais agrestes, como as fortíssimas trovoadas que aqui ocorrem. Em Agosto de 2009, numa caminhada orientada por fojeiros bem conhecedores destas rotas, aprendi histórias de barrocos cortados por um raio, de fontes que guardam tesouros escondidos ... histórias com que agora fui animando e alimentando esta manhã, ao longo das Torres das Ellas.
Barroco do Raio, Serra do Espiñazo
Majadal de los Guijos, 1170m alt.
San Martín de Trevejo à vista
Quando o nevoeiro se começou lentamente a dissipar, ainda conseguimos ver as povoações estremenhas das Ellas e, principalmente, de San Martin de Trevejo, bem como, já na encosta ocidental da Serra de Xálima, um dos maiores castanhais da Europa, o castanhal de Ojesto, ou de O’Soitu, pertencente à segunda daquelas típicas aldeias serranas.

Castanhal de Ojesto, com San Martín aos pés
Na calçada romana das Ellas ao Puerto de Santa Clara
A chegar ao Puerto de Santa Clara, entre o maciço do Espiñazo e o do Xálima
Já com quase 17 km nos pés, chegámos ao Puerto de Santa Clara (1024m), na estrada Payo - San Martín de Trevejo … e tínhamos pela frente o morro imponente do Xalmas, ou Xálima. É o ponto mais alto do ocidente da Serra da Gata (1492m alt.). O "ataque" ao corta fogo que vence os primeiros 70 metros de desnível (em menos de 400 metros...) foi um teste à resistência e um "aquecimento" para a longa subida aos 1492 metros daquele cume "sagrado". A origem etimológica do termo (Xálima, Xálama, Xalmas e outras grafias) parece derivar do deus Xalmas, a divindade pré-romana que habitava estas montanhas. Xalmas era o Deus vetão das águas, sendo os vetões parentes dos lusitanos, que habitavam estas terras em tempos pré-romanos.
Floresta de fetos em tons outonais
Serra do Espiñazo e Torres das Ellas, de onde viemos!
Depois do nevoeiro que nos acompanhou nas Torres das Ellas, o deus Xalmas foi-nos brindando com uma gradual abertura das nuvens. À medida que subíamos ... os céus iam-nos alargando os horizontes!
No "ataque"
final ao Xalmas

E às 14:30h, com 22 km percorridos, atingimos o cume do Xalmas, ou Xálima: 1492m de altitude
No limite das províncias de Salamanca (Castela) e Cáceres (Extremadura), o cume do Xalmas é o lugar onde se juntam a terra e o céu, altar dos deuses vetões, de onde Xalmas faz brotar as águas que escorrem pelas encostas, precipitando-se por vezes em cascatas e alimentando rios. O vento frio massajava-nos as faces, enquanto a vista viajava daquelas alturas num ângulo de 360º. Para norte, estendem-se as terras castelhanas e leonesas, percebendo-se ao longe a nossa Serra da Marofa; rodando para nascente, as alturas da Serra da Penha de França e a região de Las Hurdes (a "terra sem pão", de Luis Buñuel); aos nossos pés, o vale de Acebo e a barragem da Cervigona; para lá do vale, a Serra da Gata continua a cordilheira em que nos encontramos, destacando-se bem a Torre Almenara, torre árabe sobranceira à vila de Gata, e percebendo-se mesmo ao longe a serra de Béjar. Contrastando com as montanhas, para sul estende-se o vale do Xálima e a planície de Moraleja e Coria, até ao vale do Tejo; e, para lá dele, nos limites do horizonte, avistava-se mesmo a Serra de S. Mamede.
O geocacher que deixou a 1ª cache do
Xalmas, na paisagem da Serra da Gata
Um pouco mais a poente e mais próximo de nós, a Serra de Penha Garcia deixava espreitar por trás o morro de Monsanto. E o vale do Xálima fecha-se, a poente, na Serra da Marvana, continuação natural da Malcata; mais longe, as serras da Gardunha e da Estrela completam o quadro, vendo-se também facilmente a Guarda.
Um dos companheiros que "mobilizei" para esta "aventura", apaixonado pelo geocaching, deixou a primeira cache existente naquela montanha mágica! Aguardará agora com ansiedade os primeiros registos de outros geocachers.
Do cume do Xalmas descemos para sul, sempre à vista dos vales de Acebo, a nascente, e de San Martín, a poente. Após uma descida mais abrupta, chegámos ao velho caminho que vem de terras de El Payo, ligando Castela à Extremadura. Ao entrar no magnífico carvalhal que bordeja o Arroyo de los Lagares, o nosso destino apareceu-nos ao fundo, o castelo medieval de Trevejo.
Os últimos cerca de 4 km conduziram-nos a esse autêntico museu vivo de arquitectura popular serrana, que é a aldeia medieval de Trevejo.

E descemos do cume do Xálima: panorâmica da Serra da Gata para sul
Vila de Acebo e, ao fundo, a barragem de Borbollón
Objectivo à vista: ao fundo, o Castelo medieval de Trevejo
Campanário da Ermida de S. João Baptista, Trevejo
E assim, pelas 17:30h e com um pouco mais de 31 km nos pés, estávamos a entrar na aldeia de Trevejo. Situado no alto de uma atalaia, entre a Serra de Xálima e a planície de Moraleja e Coria, a 750 metros de altitude, o castelo de Trevejo domina a aldeia e a ermida de S. João Baptista. Teve origem árabe, nos séculos IX a XII. O que dele hoje resta data contudo dos séculos XV e XVI, quando as ordens militares de Santiago e de Alcántara dominavam estas terras. Como já atrás referi, em 1474 o cavaleiro Fernán Centeno, em acto de rebeldia, deixou o seu castelo de Rapapelo para tomar o de Trevejo, onde encarcerava  e  agrilhoava os habitantes que não lhe obedeciam.  O  actual grau de destruição do castelo,
Ermida de S. João Baptista, Trevejo
do qual praticamente resta apenas de pé a torre de menagem, deve-se contudo essencialmente aos franceses, como estratégia habitual na retirada das invasões. Por sua vez, a pequena Ermida de S. João Baptista, aos pés do castelo, possui um altar exterior e está rodeada de pequenas tumbas antropomórficas, escavadas no granito. Separado do edifício, o campanário olha orgulhosamente para poente.
Tínhamos cerca de 45 minutos para visitar a aldeia e o castelo, completando com essa deslocação o último cerca de quilómetro e meio da jornada ... e assistindo precisamente ao espectáculo fabuloso do Sol poente, a partir das muralhas do castelo ou, mais atrás, por sobre a aldeia e a atalaia em que aquele se situa. A explosão de cores, sobre as serranias a sul da Marvana, foi sem dúvida alguma o melhor culminar que poderíamos desejar para esta nossa "aventura".

Castelo medieval de Trevejo ao Sol poente: magia em estado puro!
E começa uma longa sessão fotográfica sobre o espectacular pôr-do-Sol em Trevejo
Arms wide open...J

Às 18:24 o astro rei mergulha no horizonte de Trevejo ... fechando com cores de ouro este dia inesquecível!
Às 18:24h o astro rei mergulhou no horizonte. Depois ... depois seguiu-se o regresso aos Foios, com a importante e generosa colaboração da respectiva Junta de Freguesia, na pessoa do seu sempre inestimável Presidente, José Manuel Campos. Mas este regresso aos Foios, numa carrinha de caixa aberta (apenas os homens, as senhoras foram na cabina...) ... também foi uma autêntica "aventura"... J!
Clique para ver o álbum completo
Percurso Foios - Trevejo, 27.10.2012

Já sem a companhia de 4 dos 14 participantes na "aventura" de sábado, mas com mais duas novas caminheiras (uma das quais a minha habitual companheira de "aventuras"), o dia de ontem foi dedicado a uma caminhada mais suave, circular, mas igualmente bastante apreciada por todos. Como não podia deixar de ser, já que em Julho apenas se tinham fotografado no largo das Eiras, esta jornada de domingo teve por base a "minha" Vale de Espinho! Parcialmente ao longo do Côa, agora já saudavelmente mais caudaloso, por efeito das grandes chuvas dos dias anteriores ao fim de semana, levei o grupo também a um "cheirinho" da encosta norte da Malcata, entre os cabeços do Colmeal e do Alcambar, descendo depois para a quadrazenha Capela do Espírito Santo ... e para o complexo da TrutalCôa ... através de uma "selva" que custou a atravessar... J!

Vale de Espinho, 28.10.2012, 9:20h
Moinho dos Pecas, no Côa, Vale de Espinho
Vale da Ribeira dos Abedoeiros, afluente do Côa
Cores e brilhos do Côa,
na açude do Engenho, Vale de Espinho
O velho "engenho" de Vale de Espinho, antiga "fábrica da luz", antiga fábrica de mantas, antigo moinho...
Chegamos à velha ponte romana de Vale de Espinho
Moinho do Rato ... "e de repente damo-nos conta que envelhecemos, a ver envelhecer estas pedras que não envelhecem" (Paulo Sérgio Silva)
Junto à Capela do Espírito Santo, Quadrazais
O almoço significou também umas duas horas de são convívio ... após o que a caminhada prosseguiu, com o regresso a Vale de Espinho pelo Moinho da Ervaginha e Ponte Nova ... e terminando no "retiro espiritual" que é a minha casa de Vale de Espinho.

Moinho da Ervaginha, Vale de Espinho, 28.10.2012
O Côa junto à Ponte Nova de Vale de Espinho
E o regresso a Vale de Espinho, no fim deste fantástico fim de semana raiano
Este foi realmente, por todas as razões, um fim de semana fabuloso. Caminhar não é só caminhar, caminhar em grupo pode e deve ser o que todos nós vivemos neste fantástico fim de semana, fazendo e fortalecendo amizades.

E neste clima de amizade e convívio ... terminou este belo
fim de semana da GRD Mesas - Gata - Vale de Espinho
Muito obrigado a todos os companheiros que me "aturaram", seja ao impor o ritmo que as características da caminhada de sábado nos obrigavam, seja a atravessar "selvas" de giesta e de silvas... J! A vida é feita destes momentos! A vida é feita desta partilha, desta amizade. A vida é feita destes pequenos nadas que são muito, deste pequenos nadas que nos ficam cá dentro como os mais belos incentivos, destes pequenos nadas que nos dizem ... que a vida é bela!
Clique para ver o álbum completo
Percurso circular em Vale de Espinho, 28.10.2012