quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Por terras do Almonda

Um amigo das lides pedestres publicou há dias numa rede social: "Convite para quinta-feira dia 23 de Janeiro. Longa Rota de 30km, com muitos pontos de interesse: Grutas das Lapas, túneis de arenito, Almonda, rio e nascente, moinhos, Serra d´Aire, Gruta do Almonda". Havendo disponibilidade ... teria de pensar duas vezes?... J.
Serra d'Aire ... aí vamos nós para mais uma bela jornada!
Responderam ao desafio 14 candidatos ... e pouco depois das nove da manhã estávamos a partir junto ao castelo de Torres Novas. O dia ... não poderia ter estado melhor!
Pouco mais de 20 minutos depois da partida estávamos na aldeia de Lapas, cujas grutas constituíam o primeiro motivo de interesse da jornada. As Grutas das Lapas são caracterizadas por formações labirínticas desde sempre dadas a interpretações fantasiosas. As suas origens não são conhecidas, mas alguns estudos datam-nas da época romana. As galerias hoje abertas ao público são apenas parte de uma rede mais vasta, que percorria quase todo o morro onde assenta a povoação. A geologia do solo – calcário mole conhecido por "tufo" – explica a relativa facilidade com que, em tempos, a mão do homem talhou esta singular preciosidade arqueológica.

Grutas das Lapas
O Almonda em Lapas
Mas para além das grutas, Lapas também nos ofereceu as primeiras e belas imagens ribeirinhas do Almonda. Depois ... a caminho da Serra d'Aire. Pelo Alto de Pedrógão e cruzando a Ribeira das Mouriscas, chegámos a Alqueidão ... para o primeiro reforço alimentar... J. A seguir vinha a primeira subida digna desse nome, ganhando belas perspectivas sobre a charneca e os Arrifes do Alqueidão.

Alqueidão ...
... e os Arrifes na Serra
Caminhando agora no sentido nordeste/sudoeste, dirigimo-nos para as nascentes do Almonda. Antes ... fizemos nova paragem para o segundo reforço alimentar no Centro de Interpretação da Gruta ... bem fechado e abandonado, como "mandam as regras" neste país...
Pouco depois das duas e meia da tarde, com 19 km percorridos, estávamos a descer a vertiginosa parede para a nascente do Almonda, nas traseiras da represa criada para abastecer a velha fábrica da Renova e por cima da gruta do Almonda ... onde há mais de 40 anos andei um dia, nos velhos e gloriosos "anos loucos" da Espeleologia e do Mergulho Amador...

Descida para a represa da nascente do Rio Almonda
A Gruta do Almonda desenvolve-se ao longo de mais de 10 km, constituindo um verdadeiro santuário da espeleologia nacional. Representa a mais extensa rede cársica actualmente conhecida em Portugal, composta de várias ribeiras subterrâneas que dão origem ao Almonda.

Represa nas traseiras da velha fábrica da Renova, nas nascentes do Almonda
E a jornada prosseguiria pelo Vale das Sesmarias e Casal da Pinheira, rumo a Ribeira Branca, de novo junto ao Almonda e onde fizemos um pequeno percurso de ida e volta até ao que resta do velho Moinho do Pego.

Cruzando o Almonda, próximo de Casal da Pinheira

O Almonda em Ribeira Branca
Ruínas do Moinho do Pego
De Ribeira Branca ao final levámos pouco mais de 50 minutos ... e às cinco e meia estávamos de regresso a Torres Novas, fazendo questão de terminar a jornada contornando o Castelo ... para a foto de grupo com que terminaríamos este belo dia de uma caminhada intensa, feita ao bom ritmo de quase 5 km/h de média em andamento. Obrigado, companheiros!

Castelo de Torres Novas à vista, 17:30h, com quase 31 km nos pés... J
Torres Novas ... e o Almonda
E terminámos mais uma bela e intensa jornada...
Ver álbum completo

2 comentários:

Paulo Teles disse...

Muito bom dia este, obrigado pela partilha e pela companhia...

EfeitoCris disse...

Excelente artigo. Dá gosto ver blogs assim!
Venham mais dias destes e claro, nesta boa companhia.

Obrigada
Cris