terça-feira, 3 de abril de 2012

Dois dias no coração do Gerês puro e duro (1)

Apesar das muitas "peregrinações" que, ao longo de mais de 35 anos, me levaram às terras mágicas do Gerês, aquele "reino maravilhoso" continuará sempre a atrair-me. Mas também me levará sempre a partilhar os seus segredos mais escondidos e os seus paraísos perdidos com os amigos, com a família, com quem faz parte da minha vida e a ilumina! Acabo assim de viver mais duas jornadas através do coração do Gerês, guiando a minha "família" caminheira - os Caminheiros Gaspar Correia - respirando a amizade que nos une, num verdadeiro hino à alegria, mas também num louvor àquela Natureza agreste e enriquecedora.

Domingo 1 de Abril: Leonte - Pé de Cabril - Calcedónia - Covide

1.04.2012: o Sol desponta sobre o Gerês
Com "base" em Lobios, no Xurés galego, domingo foi dedicado à subida e à ligação entre dois dos pontos mais emblemáticos do Gerês: o Pé de Cabril e a fabulosa fenda da Calcedónia. Pelo lado galego subimos de autocarro até Leonte, onde pouco depois das 8 da manhã estávamos a começar a jornada. Lá de cima, o Pé de Cabril atraía-nos gradualmente; e à medida que íamos ganhando altura o vale do rio Gerês ficava aos nossos pés, dominado pelo altaneiro Borrageiro, do lado oposto.
Pé de Cabril à vista
A subida ao Pé de Cabril - que ainda pouco mais de 4 meses antes me tinha recebido a solo - é sempre uma "aventura" fabulosa. Em qualquer dos dois cumes rochosos que o encimam, sentimo-nos pequenos diante da fantástica panorâmica que se nos depara.
As fabulosas panorâmicas do Pé de Cabril
Do Pé de Cabril rumámos a sul, rumo à Junceda, cuja frondosa mata acolheu o repor de energias do frugal almoço. Depois ... foi a tristeza de atravessar a extensa zona queimada pelos miseráveis incêndios que têm, particularmente nos últimos anos, dizimado vastas áreas deste e de outros santuários naturais.
Na mata da Junceda
Panorâmica para as Caldas do Gerês
Rumo ao Cabeço da Calcedónia
Rodeando o geodésico de Lamas a nascente, ao fundo destacava-se já o imponente cabeço da Calcedónia. Em dia domingueiro e com bom tempo (contrariamente às previsões), como habitualmente muita gente por ali andava, mas apenas na base daquela "cidade" encantada e/ou acedendo pela via mais fácil ... não pela famosa e fabulosa Fenda da Calcedónia. Subi-la ... é um desafio às nossas forças e destreza, um desafio também ao espírito de entre ajuda. Lá em cima, "nascer" do ventre da rocha é uma sensação estranha e fantástica!
Subindo a fabulosa fenda da Calcedónia
Cabeço da Calcedónia: os 7 "magníficos" que saíram do ventre da rocha!
E a panorâmica da "cidade" de rocha
Da Calcedónia descemos a Covide, terminando ao longo dos belos prados que antecedem a aldeia, a oeste, onde o gado nos dava as boas tardes, com ar interrogativo; de onde viriam aqueles 21 humanos transpirados?...
Covide à vista
Campos de fim de caminhada, à chegada a Covide
Finda a jornada, houve que regressar a Lobios ... o que de autocarro significa uma longa viagem de quase duas horas. No dia seguinte, ontem, regressaríamos a Leonte para nova e espectacular jornada pedestre. Aqui fica o percurso e o álbum completo deste primeiro dia.
                              

2 comentários:

Orion disse...

Saudações Callixto

Por mais caminhadas que se façam no Gerês, fica sempre a saudade desta terra abençoada. Para já falta-me a coragem para ver como ficou a bouça da Mó, pelas tuas fotos o prado Marelo está queimado.

Abraços

José Carlos Callixto disse...

Orion, infelizmente é verdade, o prado Marelo está parcialmente queimado. O programa desta actividade com o meu grupo não o permitiria ... mas também não tive coragem de ir ver como ficou a Bouça da Mó...