sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

De Vale de Espinho à Quinta do Major ... nas terras do lince

Depois do fim de semana com a minha "família" caminheira, continuo em terras raianas. Alguma outra jornada pedestre surgiria naturalmente, apesar do tempo frio e ventoso. Parado é que não. Aliás, nestas "minhas" terras,  acontece-me sempre como ao mestre Leal Freire:
A caminho da raia, 16.02.2012

Corri à guisa do vento
Ao certo nem sei as léguas
Se a rota é mesmo a contento
As pernas não pedem tréguas
(Manuel Leal Freire, poeta arraiano)

Assim, na companhia de um amigo natural de Vale de Espinho (que aliás acompanhou a segunda caminhada com os Caminheiros Gaspar Correia), o dia de ontem foi dedicado a uma "romagem" a um meu local de culto, onde há já algum tempo não ia: a Quinta do Major, no coração da Malcata ... as terras do lince. Linces infelizmente já não os há, mas aquele lugar mágico é sempre cativante e convidativo à poesia, à meditação, à viagem no tempo, para um passado esquecido e muito pouco conhecido. À beira do Bazágueda e do Ribeiro da Casinha, fiquei satisfeito de ver correr água, neste inverno extraordinariamente seco.

Atingida a Lomba, a direcção é Sul!
Os dois caminhantes no Cabeço do "Crelgo", 1011m alt.
A Marvana, sempre a Marvana, serra de lendas, de histórias e de estórias
"Mistérios" da Malcata
Antes das oito horas, saíamos assim de Vale de Espinho rumo à raia. O mesmo percurso que ainda há pouco mais de um mês segui, quando da "romagem" às lendas da Marvana. Marvana que aliás tínhamos no horizonte, até começarmos a descer o Vale Feitoso, rumo à Quinta do Major.
Com 15 km percorridos em 3 horas, pouco antes das 11h estávamos à beira do Bazágueda. Os meus receios de o ver quase seco foram felizmente infundados; pouca água, mas alguma. E o encanto daquele lugar cativou o meu companheiro de jornada, que, apesar de Valespinhense, nunca ali tinha ido.

No paraíso do Bazágueda, junto à Quinta do Major
Cruzando o Bazágueda
Água da vida, água espelho, água divina
Bazágueda: águas e sombras, Natureza e vida
Quinta do Major, Casa Grande: que histórias, que mistérios, que labutas guardam estas paredes? 
O que continua a não cativar ninguém é o autêntico crime do abandono a que as antigas casas florestais foram votadas. Mas por ali nos detivemos ... e fizemos o primeiro reforço alimentar.

Casa abrigo da Quinta do Major: dinheiros públicos ao abandono...
O Ribeiro da Casinha e as ruínas que testemunham a vida e o labor das gentes que ali trabalharam - no pão, na azeitona - fizeram-nos recuar no tempo, deambulando por entre aquelas velhas paredes, muros, engenhos, mós.

"Casinha" da Quinta do Major, junto ao Ribeiro da Casinha
Guardião da casa...
Ribeiro da Casinha
Vestígios de um tempo que não volta...
O regresso foi pela Malhada Medronheira e Carvalhos Basteiros. Paisagem típica do interior puro e duro da Malcata ... em que dos 620 metros de altitude da Quinta do Major voltámos acima dos mil metros.

Quinta do Major, vista já da subida para a Malhada Medronheira
Paisagem típica do interior puro e duro da Serra da Malcata

Carvalhos Basteiros: painel interpretativo
Casa abrigo da Ventosa: outro crime ao abandono!...
Por volta das 14:30h foi a nossa segunda paragem de descanso e de reforço alimentar ... junto a outro crime de património ao abandono: a Casa Abrigo da Ventosa, com capacidade para mais de 20 pessoas ... jaz abandonada na encosta sul da Malcata, virada ao morro de Monsanto, e às terras de Penamacor.

Casa abrigo da Ventosa ... mais um paraíso ao abandono
Ali é Vale de Espinho!
E é mesmo! Vale de Espinho visto da Lomba
Ribeira do Vale da Maria ...
... e o Côa, no Pisão; estamos quase em Vale de Espinho
Pelo barroco branco, Cabeço da Moura, Pelada e Vale da Maria ... antes das seis da tarde estávamos de regresso a Vale de Espinho, com 34 km nos pés. Sem dúvida mais uma bela jornada por terras da Malcata ... em que o filho adoptivo fez de guia a mais um filho biológico da raia... :)

Vale de Espinho, 17:50h - 10 horas de caminhada, 34 km percorridos
Fica o link para o álbum completo de fotos desta jornada e o percurso efectuado:

1 comentário:

Lírio disse...

Amigo!

O nosso Portugal tem locais tão lindos!!
Ainda bem que há pessoas que procuram e valorizam todos os cantinhos, apesar de muitos deles estarem quase ao abandono...prefiro dizer adormecidos! Temos de acreditar que um dia irão acordar, tal como o sonho desta vida :)

Obrigada pela partilha,
um grande abraço!