Aos 60 anos e depois de uma Vida "
por fragas e pragas" - desenhada nos
instantâneos de ar livre que fui relatando nestas minhas memórias - despertou
em mim uma nova vertente: os caminhos de peregrinação. Se em 2013 percorri os
Caminhos de Fátima, 2014 marcaria o meu verdadeiro baptismo jacobeu: o meu primeiro
Caminho de Santiago. A motivação era simples: Ir!... Aliar o misticismo do Caminho
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À partida de Braga, há 12 anos, 05.07.2014
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à minha paixão pelos grandes espaços. Sem saber ao certo quem sou ou o que
busco... percebi logo que não se tratava de uma caminhada como as outras.
Éramos quatro. Mais tarde viríamos a chamar àquele primeiro Caminho o "
Caminho da Aventura". Baseei-me em mapas, baseei-me em registos históricos que encontrei sobre
rotas de peregrinação a atravessar o Gerês, a descer aos vales do Minho e do
Avia, rumo a Santiago. E... foi uma aventura! Sem setas, sem albergues,
valendo-nos apenas das escassas pistas sobre um traçado que se chamaria
Caminho Minhoto-Ribeiro.
Doze anos se escoaram entretanto. E nestes 12 anos... percorri sensivelmente
5000 km em 17
Caminhos de Santiago
e de Fátima, além do
Caminho de Assis... nos passos de Francisco e Clara de Assis. O Caminho "da Aventura" de há
12 anos transformava-se gradualmente numa busca interior. A semente de uma
espiritualidade viva germinou e passou a revelar-se-me no dia a dia dos
Caminhos: no recorte das montanhas, no recolhimento dos vales, na espuma
branca das vagas, na sinfonia dos pássaros, no murmúrio do vento a embalar as
folhas. E em 12 anos... fui vendo renascer a história: as velhas rotas de
peregrinação
de Braga a Santiago de Compostela
foram sendo resgatadas do esquecimento por entidades e associações apostadas
em devolver a vida a estes caminhos ancestrais.
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E assim, 12 anos depois da "aventura, dois "manos" partiam de
Braga para cruzar o Cávado e seguir... rumo a
Santiago
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A 29 de agosto - dois dias depois de completar 73 anos - parti bem cedo com o
Zé Messias para
Braga, dando desde logo início ao nosso
Caminho da Geira e dos Arrieiros, como em 2019 foi certificada esta rota pelo Cabido da Catedral de
Santiago. A designação 'Caminho Minhoto-Ribeiro' continua a existir,
tendo inclusivamente dado origem à existência de duas associações distintas,
numa evolução infelizmente nem sempre muito pacífica. O
site
debragaasantiago.com
retrata muito bem o historial dos trabalhos - e das 'faíscas' - que levaram à
certificação do Caminho da Geira e dos Arrieiros. Ao longo do nosso percurso,
contudo, muitos foram os locais em que vimos placas a sinalizar o
Camiño Miñoto Ribeiro... muitas vezes completamente fora do percurso que a própria associação de
municípios pretende homologar... outras vezes alterando ou destruindo a
sinalização da Geira e dos Arrieiros.
De Braga às terras altas do Gerês...
À partida, em
Braga, esteve connosco um dos "pais" deste Caminho. O
Henrique Malheiro
é um dos nomes incontornáveis na promoção e divulgação do Caminho da Geira e
dos Arrieiros. Tendo-nos conhecido pessoalmente, há uns anos, não quis deixar
de nos desejar Bom Caminho, junto à Sé Catedral. Eram sensivelmente onze e
meia da manhã quando partimos, atravessando
Dume, o
rio
Cávado na
Ponte do Bico,
Rendufe e
Caldelas... tal como há 12 anos.
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Mosteiro e calçada de Rendufe,
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| 29.08.2026, 15h15 |
Mas há 12 anos não havia setas amarelas, não havia albergues, não havia um
Caminho estruturado. Por isso a primeira etapa foi maior; fomos dormir aos
Bombeiros de
Terras de Bouro, lá no fundo do vale do rio Homem. Agora,
a realidade é outra. Outro dos grandes "pesos-pesados" na promoção do CGA é o
alberguista do
Albergue de Santiago de Caldelas. O José Almeida, figura bem conhecida ao longo de toda a rota, carimbou-nos
as Credenciais com dois dos selos mais bonitos de quantos conhecemos! Seria,
contudo, a primeira de muitas noites... sem a companhia de outros peregrinos.
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Com o José Almeida,
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no Albergue de Santiago de Caldelas, no final da primeira
etapa.
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E no domingo, 30 de agosto, saímos de Caldelas ainda não eram
sete horas de uma manhã mágica...
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Quase completamente desconhecido há 12 anos, o
Caminho da Geira e dos Arrieiros é hoje percorrido por algumas centenas
de peregrinos por ano. Soubemos sempre de outros caminhantes na mesma rota,
como o espanhol Javier, dois dias à nossa frente, ou o casal belga Marijke e
Albert, que começara quatro dias antes, mas que, a um ritmo mais pausado,
viemos a conhecer na penúltima etapa, em Couso, Pontevea... e no dia seguinte
em Santiago, na Oficina do Peregrino!
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Passagem pelas ruínas da Antiga Fábrica de Real, embora a
denominação seja incorreta, tratando-se na verdade de uma antiga casa
agrícola cujo proprietário fez fortuna no Brasil no final do séc. XIX
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Continuação de uma manhã mágica, por Paranhos e
Santa Cruz, com o vale do Homem ao fundo
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Justificando a designação adoptada para este Caminho, cedo começámos a
encontrar os conjuntos de marcos miliários romanos que assinalavam a
Geira, a via que ligava
Bracara Augusta a
Asturica Augusta - Braga a
Astorga - e que acompanharíamos até ao dia seguinte, já em terras galegas.
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Ao longo da Geira romana, 30.08.2026, 10h00 - E não estamos
sós...
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Pelo meio de um sonho, rumo a Covide... e ao meu amado
Gerês
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Uma pausa para hidratação e repouso...
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Covide, 15h00 -
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À vista do Campo do Gerês, 16h05 - Estávamos quase a terminar a
segunda etapa do CGA
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Antes das cinco da tarde estávamos a passar junto à Pousada de Juventude de
Vilarinho das Furnas. Impossível não recuar no tempo e recordar as
viagens com os grupos de alunos nos anos 80 e 90... quando o ensino era
Ensino! Teríamos podido pernoitar ali, mas haviam-me recomendado a
GerêsTer, um complexo
de turismo rural composto por cinco casas rústicas e a
Adega da Geira, na aldeia de
S. João do Campo (Campo do Gerês). A Dª Mariana,
proprietária, supostamente proporciona um fantástico jantar peregrino a preço
peregrino (13€)... mas o "fantástico" jantar baseou-se em duas minúsculas
formas de carne picada...; o pequeno-almoço, levado de véspera ao quarto numa
cesta, ainda assim foi a componente menos má. Nas instalações que nos
atribuíram, praticamente só as roupas de cama primavam pela limpeza -
valha-nos isso - mas o mais chocante foi ainda a total ausência de
hospitalidade: ao entrar na Adega onde já estávamos... a dita Dª Mariana nem
uma palavra nos dirigiu! Estranha forma de acolher quem chega, seja peregrino
ou simples visitante. Pelo valor cobrado, ganha sem esforço o troféu de pior
acolhimento deste Caminho da Geira e dos Arrieiros.
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E no dia seguinte - último dia de agosto - estávamos junto à albufeira
de Vilarinho das Furnas
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Vilarinho das Furnas, o rio Homem, a
Mata de Albergaria, a
Portela do Homem, hão-de ser sempre terras a que me sinto pertencer.
Quantas e quantas vezes percorri aquele estradão, guiando alunos que, na sua
maioria, nunca tinham tido verdadeiro contacto com a Natureza e o ar livre!
Naquela manhã de sonho, o jogo da luz e das cores resgatou essas memórias e
transportou-me para um Mundo de profunda tranquilidade — um refúgio abençoado,
tão distante do sobressalto em que o mundo hoje vive.
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Sob a copa secular da Albergaria, o rio
Homem rasga a serra, num santuário de luz, silêncio e
memórias...
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Da Portela do Homem a Castro Laboreiro, pelas terras da
Baixa Limia e do "planalto lunar"...
Pouco depois das nove da manhã estávamos na
Portela do Homem... a
fronteira que une mais do que divide, a linha que marca apenas a cumeada onde
o
Gerês passa a ser
Xurés... e onde provisoriamente íamos entrar em terras galegas. Continuamos a
acompanhar a
Geira romana. Entre as milhas XXXV e XXXVI conservam-se os
restos da
mutatio de
As Mouruás, onde se realizava a mudança de cavalos e a assistência logística. A
sinalização do Caminho Geira / Arrieiros é que, naquele troço, deixa bastante
a desejar, em contraste com o que vimos até à fronteira.
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Portela do Homem, 31.08.2026, 09h50 - Entrávamos na Galiza...
por pouco mais de 24 horas...
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Nas ruínas da mutatio romana de
As Mouruás, 10h15
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Descendo o curso do Rio Caldo,
chegamos a Os Baños... esses mesmos,
os banhos quentes de Lobios
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O
Rio Caldo, afluente do Lima, nasce nas
imediações da Portela do Homem. Várias nascentes termais concentram-se nos
famosos e sempre concorridos
baños quentes, próximo de
Bubaces, onde as águas chegam aos 66ºC.
Em diversas "aventuras" da minha "segunda adolescência" (anos de
2011 a 2016), ali acabei algumas autonomias e travessias de "longo curso", inclusive com
o Zé Messias, vindos das alturas dos Carris ou das Sombras. Obviamente, desta
vez não foi exceção: fizemo-nos à água para um banho retemperador... e para o
primeiro
pulpo deste nosso Caminho.
Os Baños foi o primeiro local onde nos
afastámos do percurso seguido no "
Caminho da Aventura" de há 12 anos. Nessa altura, depois de uma noite na Pensão "
As Termas", alguns dados históricos a que as minhas pesquisas tinham conduzido
guiaram-nos para ocidente, por
Padrendo e
Manín, cruzando o
Lima próximo de
Aceredo. O traçado do CGA que viria a ser
homologado dirige-se contudo a
Lobios e
atravessa o Lima entre
Fondevila e
Feira Vella, onde um
singelo
Hotel Barcelona
foi a nossa guarida na terceira etapa deste périplo... mas não sem que, antes,
parássemos no "meu" velho
Hotel Lusitano,
em
Lobios — pousada de tantas memórias, onde já pernoitei a dois,
a quatro... e a liderar dezenas de caminheiros!
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Lobios, 31.08.2026, 17h00 - O "meu" velho Hotel Lusitano. O
João, funcionário... reconheceu-me logo 😁
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Feira Vella é um pequeno povoado antes
de
Entrimo ... onde no
Café-Bar Plaza
jantámos uma das melhores
pizzas de que há memória. E no dia
seguinte o pequeno almoço não lhe ficou atrás, no
La Entrimeña, pouco antes da imponente Igreja de
Santa María A Real de Entrimo.
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O Despertar dos Mágicos do 1º dia de Setembro, junto à Igreja de
Santa María A Real de Entrimo
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E ainda de Entrimo... com a Serra Amarela ao fundo!
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Em
Entrimo voltámos a estar no percurso de 2014... e tal como há
12 anos resolvemos descer ao vale do rio
Agro, para subir à aldeia de
Bouzadrago... cujo orago é Santiago. Toda a
comarca de Lobios e Entrimo está ligada ao culto jacobeu. Entre os vales da
Baixa Limia e as passagens de montanha rumo a
Castro Laboreiro e
ao vale do
Minho, estas vias não eram apenas caminhos de peregrinação,
mas as grandes rotas dos arrieiros - transportadores de vinho e mercadorias
entre o Ribeiro, a Galiza interior e o Norte de Portugal. O culto a Santiago —
protector dos caminhantes, peregrinos e viajantes — era uma garantia de bênção
para quem enfrentava as duras e perigosas travessias serranas.
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Bifurcação do caminho para
Bouzadrago (em cima, para a
esquerda) e ponte medieval sobre o rio Agro
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É por caminhos mágicos que se entra em
Bouzadrago...
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Capela de Santiago de Bouzadrago, 01.09.2026, 10h20
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Das serranias de Bouzadrago vêem-se as cristas do
Gerês / Xurés e percebe-se o
vale da Baixa Limia
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A aldeia de
Bouzadrago já em 2014 me tinha atraído, sabendo da
existência de uma pequena e singela Capela dedicada ao Santo. Tal como muitas
das ermidas nas serranias da Raia, foi erguida pela devoção comunitária dos
aldeões, servindo tanto para o culto diário da população como para assinalar a
passagem e proteção dos viajantes que cruzavam as serras. Tudo tentei para
visitar a Capela... mas talvez Santiago queira que eu vá ainda uma terceira
vez a
Bouzadrago. Nenhuma das três ou quatro
pessoas com quem falámos na aldeia tinha a chave. Quem talvez a tivesse andava
na lavoura... e nem um aldeão de 96 anos me conseguiu dar a preciosa
informação. Soube apenas que a Capela acolhe uma imagem de Santiago —
tradicionalmente representado na iconografia de Santiago Peregrino (com o
bordão, a vieira e a cabaça) — venerada sobretudo por ocasião das festividades
estivais.
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Se alguma vez voltar a Bouzadrago...
espero que o simpático aldeão ainda lá esteja...
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E pela fonte e lavadouro, deixamos Bouzadrago seguir o seu Tempo...
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À saída de
Bouzadrago, tínhamos agora à nossa frente o "planalto lunar"
que nos havia de conduzir à fronteira da
Ameixoeira e a
Castro Laboreiro, com o vale do rio Laboreiro a poente. A expressão
"planalto lunar" descreve perfeitamente o impacto visual e emocional daquelas
paragens. Ao deixar para trás a vegetação densa dos vales do
Xurés e do
rio
Agro, a paisagem despede-se das árvores de grande porte e abre-se
numa imensidão nua, dominada por grandes caos graníticos, penedos de formas
caprichosas e blocos erráticos esculpidos pela erosão do vento e do gelo ao
longo de milénios.
A urze, o tojo e a giesta cobrem o solo numa manta de tons acastanhados e
arroxeados, reforçando a sensação de isolamento. E a ausência de obstáculos
visuais proporciona um sentimento de pequenez perante a vastidão da montanha,
onde o silêncio é apenas interrompido pelo vento.
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Numa intensa e emocionante entrega à Natureza "lunar" do planalto que
conduz a Castro Laboreiro
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Fronteira da Ameixoeira, 01.09.2026, 11h15 - Voltávamos a
Portugal...
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Da fronteira a
Castro Laboreiro são pouco mais de 6 km... quase sempre
a subir. Mas o esforço é atenuado pela envolvência da paisagem e dos marcos
históricos. Um dos símbolos do Caminho da Geira e dos Arrieiros, a Ponte da
Cava da Velha, é frequentemente associado a uma origem romana (servindo
as vias que cruzavam a serra), mas a estrutura actual é de construção
medieval, possivelmente erguida entre os séculos XII e XIII para consolidar as
rotas de montanha no Reino de Portugal. Cruzá-la... é como que atravessar um
portal do Tempo...
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O rio Laboreiro na Ponte Nova, como também é conhecida a
Ponte da Cava da Velha
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E surge Castro Laboreiro e o morro do Castelo. São quase horas
de almoço...
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Tínhamos percorrido apenas pouco mais de 17 km, mas as características do
terreno, o desnível, o cansaço acumulado dos dias anteriores e as pausas em
Entrimo e
Bouzadrago faziam-nos apontar para um
almoço em
Castro Laboreiro, até porque a etapa iria terminar menos de 2
km depois, no
Albergue das Veigas. Ora, à entrada da vila, uma das primeiras coisas com que nos deparámos foi
o anúncio: "Menu Peregrino 17,5 €"... com uma composição que agradava à
primeira vista e num Restaurante apinhado de gente, o que é sempre bom sinal.
E assim... batemo-nos com uma divinal sopa de legumes e um bife "de metro"
para cada um, no "
Miradouro do Castelo"... um sítio a que certamente voltaremos.
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tínhamos talvez o melhor almoço deste Caminho
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Almoço em Castro Laboreiro: à 4ª etapa...
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Com um almoço tão substancial e a menos de 2 km do final da jornada... ainda
fomos ao morro do castelo, onde a rocha da tartaruga e a escultura que
homenageia o cão de Castro Laboreiro se destacam na paisagem. Depois... depois
senti a entrada na
Igreja de Santa Maria da Visitação como um momento
marcante, quase solene. Como lá diz um cartaz, talvez "
num lugar de memória sem tempo se possa afigurar o passado e vislumbrar o
futuro"...
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Passeio pelo morro do Castelo de Castro Laboreiro... para
digerir o almoço... 😂
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Igreja de Santa Maria da Visitação, 15h45
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O
Albergue das Veigas
resulta da recuperação de antigas casas de traça tradicional em granito,
mantendo a arquitetura rural da região. Mas, muito mais do que isso, resulta
da dedicação de um casal que abraçou os valores da hospitalidade,
proporcionando aos peregrinos e caminheiros um espaço acolhedor com cozinha
equipada, camaratas e áreas de descanso que convidam à partilha de vivências.
Infelizmente não tivemos o prazer de conhecer pessoalmente a Julieta e o Nuno,
a não ser pelo telefone, o que mesmo assim permitiu testemunhar o que vai
dentro do coração de duas almas boas. E o jantar, podemos comprar alguma coisa
em Castro Laboreiro e cozinhar, perguntava eu. Não é necessário: a Julieta
deixou já confeccionado e preparado para meter no forno um delicioso arroz de
pato "regado" com um bom vinho verde. Isto além de tudo o mais, bebidas, pão,
fruta... tudo! Pena não termos outros peregrinos para termos vivido um
verdadeiro jantar comunitário.
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paz, hospitalidade e comodidade
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Naquele paraíso em plena Natureza, sob a imensidão de um céu estrelado, senti
que o
Albergue das Veigas selava o fecho da primeira parte do nosso Caminho. Foram quatro etapas
exigentes, de
Braga a
Castro Laboreiro, palmilhando a antiga
Geira romana, descendo aos vales do baixo
Lima galego e tornando a
ascender ao imponente planalto castrejo. 93 quilómetros que me devolveram a
memória da dureza do percurso, da beleza dos seus contrastes... e das suas
infinitas maravilhas! No dia seguinte, a descida rumo ao vale do
Minho abrir-nos-ia, em definitivo, as portas da Galiza.
4 comentários:
A "estrada" é uma contínua descoberta....na sombra e luz, do segredo e alivio que nos desperta, da incerteza do caminho, da dúvida e do deslumbramento que nos liberta....
Que maravilha! Parabéns , não é para todos...
Muito obrigada pelas amáveis palavras sobre a hospitalidade do Albergue das Veigas. Sentir que os nossos peregrinos são acarinhados no espaço é muito importante e motivador para continuarmos esta nossa jornada de hospitaleiros. Um bem-haja para os dois.
Beijinhos aos dois da Julieta e do Nuno.😘
Excelente reportagem, que nos faz reviver um Caminho único como peregrinos até Compostela. Um caminho que fiz este ano iniciado em 10 de junho, que com muito esforço atravessamos os dias de maior calor do ano. Mesmo sendo um caminho exigente espero continuar com forças para o reviver mais uma vez na vida mesmo que com 76 anos. Bom caminho!!
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