No
Albergue das Veigas, a madrugada estava fria. Os campos vestiam-se de geada, quando saímos rumo
a
Vido,
Portelinha e ao
Porto dos Cavaleiros, um pouco
baralhados entre a hora portuguesa e a hora espanhola. Aos 1043 metros de
altitude, atingimos o ponto mais alto do Caminho da Geira e dos Arrieiros e
descemos para o rio
Trancoso - também chamado
Troncoso, ou
Barxas - que estabelece a fronteira ao longo de quase todo o seu curso,
entre os municípios de
Melgaço e
Padrenda.
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Entre as Veigas e Vido, 02.09.2026, 07h25 ... numa manhã
gélida de início de Setembro
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Marco nº 2 da fronteira luso-galega, no Porto dos Cavaleiros,
junto ao rio Trancoso
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Descida ao longo da fronteira, acompanhando
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o Rio Trancoso
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Na Azoreira, despedimo-nos da aldeia
portuguesa de Alcobaça, para entrarmos definitivamente na
Galiza
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Descida dos montes castrejos aos vales do Minho e do Avia
Ao entrarmos na Galiza, pela aldeia deserta da
Azoreira, começámos a descida gradual para o
vale do rio
Minho, que se adivinhava ao fundo, debaixo de um manto de
núvens brancas. Lembrava-me bem desta descida; há 12 anos, logo desde a
Portelinha, fizemo-la quase sempre debaixo de chuva. Até
Monterredondo não há qualquer outra
povoação, embora se vejam algumas pequenas aldeias ao longo da encosta
portuguesa do
Barxas, até à sua foz em
Cevide, próximo de
Ponte Barxas.
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Desde a Azoreira (foto superior), na
interminável descida para o vale do Minho, que permanecia
debaixo de um manto branco
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Passava das onze da manhã quando entrámos em
Monterredondo, o primeiro povoado
significativo que se encontra depois da travessia do Porto dos Cavaleiros. Em
2014, impulsionado por pistas perdidas nos registos históricos, desviei-me e
aos meus companheiros em busca da mítica aldeia de
A Escusalla e da
Ponte Silvares, sobre o rio
Gorgua,
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Ponte Silvares, sobre o rio
Gorgua, 08.07.2014
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chave nas antigas rotas medievais. Encontrámo-la, mas fazendo jus ao "Caminho
da Aventura" de então, vencer os acessos ao vale do
Gorgua e às suas múltiplas cascatas foi uma autêntica odisseia.
Certamente dadas as dificuldades, o traçado oficial do CGA não passa por
aquelas paragens perdidas, tanto mais que, depois da ponte, obrigam a um
percurso bem maior, por
Freáns e
San Roque de Crespos, rumo ao
vale do
Deva, a
Ponte Trado... e ao
Minho.
Compreende-se, por isso, que a sinalização oficial do CGA contorne aquelas
paragens secretas, que implicariam um rodeio considerável até ao vale do
Deva. Fiéis ao traçado certificado, seguimos em direcção a
San Amaro, não sem antes subirmos à Capela de São Miguel, de onde a vista se
espraia para norte e noroeste, adivinhando-se quase os contornos de
Melgaço no horizonte.
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Capela de S. Miguel, próximo de
San Amaro: lá em baixo, ao fundo,
está o vale do Minho
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Este foi um dos dias em que, no pensamento do meu companheiro de peregrinação,
mais importância tinha o seu... "
kit de sobrevivência". Falavam-nos de
um café em
San Amaro... mas só ao fim de
semana. De outro em
San Roque de Crespos... mas esse seria fora do
Caminho... e sem certeza de estar aberto. E, na parte final da etapa, de outro
5 km antes de
Cortegada... do qual nem lhe
vimos a sombra. É, aliás, um contraste marcante que cada vez mais noto nas
zonas rurais da Galiza: o silêncio das ruas, a ausência de pessoas, tudo de
portas fechadas. Por cá, por mais modesta que seja a aldeia, haverá quase
sempre um café aberto a acolher quem passa. Será este abandono um sinal de
desertificação ainda mais severa do que a nossa? O certo é que o contraste é
um facto.
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Travessia do Deva - afluente do
Minho - e a caminho de
Vilanova da Barca, numa tarde quente
a pedir um bar que não existia
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16h10 ... e chegamos à margem esquerda do Minho, já
relativamente próximos de Cortegada
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Entrámos em
Cortegada por volta das cinco da tarde. Uma tarde quente,
um trilho junto ao rio, passando pelos históricos
balneários termais,
teoricamente em funcionamento. Mas... tudo deserto. Só começámos a ver gente
(e pouca) já dentro da vila mesmo, a caminho da "
Casa do Conde", onde tínhamos o alojamento reservado, e passando pelo pavilhão desportivo
onde dormira a equipa de 2014.
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| Igreja de |
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Santa María de Cortegada
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5ª feira, 3 de Setembro, 6ª etapa: ao longo dos vales do
Miño e do
Avia, era uma das etapas mais fáceis, quase
sempre a acompanhar, inicialmente, a margem esquerda do Minho.
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Igreja de San Bieito de Rabiño, na
manhã mágica de 03.09.2026, 08h00
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O espelho de água do Rio Miño, muito
pouco antes da foz do Arnoia, 09h15
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Lembrava-me perfeitamente destas paisagens ribeirinhas... e da profunda
metamorfose da paisagem ao nosso redor, relativamente aos dias anteriores. As
serras agrestes e graníticas da Raia davam lugar à suavidade cénica, agrícola
e vinhateira. Particularmente a partir da aproximação ao
Arnoia... estávamos a entrar nas terras do
Ribeiro... "
onde a auga reza, o viño fala e a pedra cala."
Polos viñedos do Ribeiro
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E assim entrávamos
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nas vinhas do Ribeiro
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Melhor cartão de visita não podíamos ter...; há 12 anos temos
aqui igualmente uma foto 😂
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O vinho do
Ribeiro é a alma da comarca banhada pelos rios
Miño,
Avia e
Arnoia. A viticultura remonta aos romanos, mas foram os monges cistercienses no
Século XII que aperfeiçoaram o cultivo das castas. Nos séculos XV e XVI, o
Ribeiro era exportado para toda a Europa, transportado por arrieiros
até aos portos atlânticos — uma ligação directa à história dos
Caminhos de Santiago. Embora também se produza vinho tinto, o
Ribeiro é mundialmente consagrado pelos seus brancos, dominados pela
casta
Treixadura, frequentemente acompanhada por
Godello,
Torrontés,
Loureira e
Albariño.
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O Paraíso existe... às portas de
Ribadavia. Rio Avia,
03.09.2026, 10h55
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Praza Mayor de
Ribadavia... igualmente e
estranhamente com muito pouco movimento
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Castelo dos Condes de Sarmiento, 12h10
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Igreja de Santiago,
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Ribadavia
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E lá vêm as águas límpidas do Avia,
oriundas da Serra do Suído, no município de Avion
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A norte de
Ribadavia, no "Caminho da
Aventura" de há 12 anos, a escolha natural parecia ser subir o curso do
Avia rumo a
Leiro, onde aliás a equipa de então terminou
etapa. Mas já nessa altura vira referências à passagem dos peregrinos por
Beade e
Berán, povoados cravados nas encostas
vinhateiras da margem direita do rio. Agora, na preparação deste Caminho de
2026, naturalmente que quis seguir o traçado homologado do Caminho da Geira e
dos Arrieiros, fixando o final da etapa em
Berán... tanto mais que se
perspectivava um dos alojamentos peregrinos mais carismáticos do CGA.
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Beade, 03.09.2026, 14h05 - Estávamos
literalmente no meio dos vinhedos
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Desde que saíramos de
Ribadavia... nem um
bar! Numa tarde que deve ter sido a mais quente do nosso Caminho...!

À entrada de
Beade, contudo, uma seta com
uns dizeres apelativos desviava-nos do Caminho para a estrada... mas dizia
apenas 100 metros. Em boa hora acreditámos! No "
Bar Celta", o Zé Manel pediu uma cerveja negra... mas este Zé pediu...
uma copa de Ribeiro, pois claro! E que saboroso e fresquinho ele
estava; tão fresquinho... que teve de vir o segundo!...😂
Faltavam sensivelmente 4 km para o nosso destino.
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Igreja e antigo Mosteiro de Santa María de Beade... no meio das vinhas!
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Em plena vindima, muitas vinhas mostram-se ainda carregadas
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E Berán surge na encosta,
destacando-se a sua Igreja de San Breixo. Desde as margens do
Avia tinha sido tudo a subir...
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Em
Berán, esperava-nos o Albergue "
O Casar do Peregrino"... sem dúvida um dos alojamentos mais carismáticos em que fiquei nos meus
Caminhos. Trata-se de uma grande casa brasonada, toda em pedra, propriedade do
igualmente carismático
Abdón Fernández, que a adaptou para o que ele
próprio chama de
aloxamento altruista. Mais do que uma descrição...
algumas imagens ilustram o estilo.
Inicialmente, pensávamos jantar n'"
O Trote", mesmo ao lado e com referências a jantares peregrinos. Mas, em plena época
das vindimas... o Bar estava encerrado por completa impossibilidade da senhora
que o gere. Por isso... trazíamos uma
pizza na mochila, para fazer
no forno, com muita pena de não ter vivido aquele albergue com outros
peregrinos. Aliás, estávamos a ver que nem conhecíamos o amigo Abdón, mas
felizmente poude fazer um brinde connosco e dar-nos um abraço e desejos de
Bo Camiño.
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O jantar possível n'"O Casar do Peregrino"... mas regado com
"Raíces Galegas"...
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No dia seguinte, dia 4, deixámos "
O Casar" ainda de noite, para uma etapa exigente de 28 km e fortes desníveis. Ficava
para trás
Berán, mas também uma marca
simbólica: estávamos a 100 km de
Santiago!
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Outeiro de Lebosende, no despertar dos mágicos de 04.09.2026
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Num alvorecer mágico, cruzámos a
carballeira de
Lebosende ao som do
lendário grupo galego
A Quenlla
e da sua... "
Alborada de Lebosende". E voltámos ao percurso de há 12 anos junto à Igreja de S. Miguel... no
momento que o Sol escolheu para despontar sobre as colinas, além do
Avia.
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Igreja de San Miguel de Lebosende,
04.09.2026, 08h20 ... com o Sol a despontar sobre as colinas do vale
do
Avia
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Em cada figueira que via, o Zé Messias ia comendo dúzias de figos.
Lebosende, não foi excepção, pouco antes de
começarmos a descer de regresso ao vale do
Avia. Em 2014 tínhamos optado por passar
pela aldeia abandonada de
Viñoá; agora
descemos directos ao rio, o que nos permitiu admirar a vetusta
Ponte da Cruz, destruída nos confrontos com
as tropas napoleónicas, no início do Séc. XIX.
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O rio Avia na
Ponte da Cruz, símbolo da
resistência do concelho de Boborás nas guerras
napoleónicas
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E às 9h30 da manhã entrávamos em Pazos de Arenteiro
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Pazos de Arenteiro é uma das grandes pérolas
históricas e arquitetónicas do concelho de
Boborás e de toda a comarca
do Ribeiro. A povoação parece parada no tempo e condensa, num único espaço, a
nobreza da arquitetura fidalga e a herança das antigas ordens de cavalaria que
protegiam as rotas do comércio e da peregrinação. Quando ali passámos há 12
anos, o Bar "
A Ponte" estava fechado... e agora fechado estava. Mas, vendo-nos indecisos, uma
simpática senhora perguntou-nos se queríamos um café, ou alguma outra coisa.
Tinha o Bar fechado por causa das vindimas e o tempo contado, mas abriria
especialmente para nós. E assim foi, numa demonstração de pura hospitalidade e
humanidade.
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Café-Bar "A Ponte", Pazos de Arenteiro, com a
simpática proprietária, 04.09.2026, 09h35
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Igreja de San Salvador,
Pazos de Arenteiro... com alguma ginástica para a
fotografar...
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Pazos de Arenteiro desempenhava um papel estratégico fundamental
para os arrieiros que subiam das zonas baixas do
Ribeiro em direcção às
serras de
Beariz e à
Terra de Montes, rumo a Santiago de Compostela. Também no traçado do Caminho da Geira e dos
Arrieiros,
Pazos de Arenteiro funciona como uma verdadeira "porta de
transição": é o ponto onde o peregrino deixa para trás a suavidade soalheira
das encostas vinhateiras, para começar a subida rumo às serras mais agrestes
do interior.
Em 2014, contudo, não descobri dados sobre este histórico traçado, pelo que
seguimos por
Boborás,
Brués e pelos montes de
O Paraño.
Pelas comarcas da Terra de Montes...
Acompanhando ainda o vale do
Avia, mas agora
a meia encosta, tínhamos pela frente a tão falada subida para
Salón e
O Igrexario. O que tinha lido e as
informações quase diariamente fornecidas pelo Henrique Malheiro e o Zé Almeida
diziam-me tratar-se do maior desnível do CGA. E foi, efectivamente... mas
fez-se, sem esforço de maior, até porque ainda era de manhã, antes do calor da
tarde.
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Subida para Salón e Capela de
Santa Lucía
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Aqui já há castanhas...
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Às 11h25 estávamos junto à Igreja de
San Miguel de Albarellos
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E uma hora depois junto à isolada Capela de San Lourenzo...
tínhamos subido 450m desde Pazos de Arenteiro...
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Seguia-se uma suave descida até
Feás. Eram
horas de almoço. Tinham-nos falado de um "
Café Solidário". Parecia fechado... mas logo apareceu uma simpática senhora a convidar-nos
a entrar... e assim conhecemos duas
Ángeles del Camino, a
Chus Carballeda e a prima. Principalmente a
Chus, só me fez
lembrar a Carmen da
Casa Avelina, no Caminho Inglês e no
Caminho do Mar e dos Apóstolos.
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Com a Chus Carballeda e a Bety, as duas primas do Café Solidário
de Feás
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O que se seguiu foi quase prodigioso: tendo nós pedido apenas
duas bebidas para refrescar, surgiu à mesa um banquete improvisado de sopa
quente, crepes, pastéis, geleias e bolos, servido com a humanidade e o afeto
genuíno que só as grandes almas sabem oferecer.
De Feás a Beariz, porém, o Caminho exigia que continuássemos a subir. A cota máxima do dia,
rondando os 800 metros de altitude, não fica muito longe do alto de
O Paraño... o cume onde, em 2014, um
quarteto de peregrinos portugueses "comandados" por este então sexagenário
ergueu um monólito de pedras que acabaria por ficar para a história. Talvez
por isso, no nosso Caminho do presente... surgiu-nos um
milladoiro pouco antes do cume!
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De Feás a Beariz, pouco antes do cume, surge-nos este milladoiro. Cerca de 4
km a norte, à mesma cota (se seguíssemos a cumeada)... está o alto de
O Paraño... onde em 2014 construímos
um monólito histórico...
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11.07.2014, 11h30 ... Quando construímos um "monólito" histórico
no alto de O Paraño...
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Só ao escrever esta crónica me apercebi da proximidade entre os dois locais.
Se tivéssemos seguido a cumeada, depois do
milladoiro e antes de
começarmos a descer para
Magros e
Beariz... teríamos ido ter ao cume de
O Paraño! Coincidências?... Fica a dúvida...
Mas
Beariz esperava-nos. Ou melhor, em
Beariz tínhamos reservado o
Refugio "
Reposo del Caminante". Continuávamos sem mais peregrinos, mas o hospitaleiro -
D. Pepe Balboa - deu-nos telefonicamente as indicações para entrar... e
logo pelo telefone ficámos com vontade de o conhecer. Quando lhe disse que
completei há dias 73 'primaveras'... respondeu-me que, aos 17 anos, poderia
ter sido meu pai! Ora, fazendo contas... D. Pepe tem portanto a bonita idade
de 90 anos... e lá foi ter connosco ao seu
Refugio... mais um dos
icónicos albergues que ficam na memória de qualquer peregrino!
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Pouco depois das 5 da tarde do nosso 7º dia de Caminho, estávamos em
Beariz (Igreja de
Santa María)
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Faltavam três dias para
Santiago. As maiores altitudes pareciam
vencidas... mas o dia seguinte reservava uma longa travessia, superior a
trinta quilómetros... com previsão de temperaturas elevadas. Não importa: no
Caminho, cada dia é um novo começo... e cada obstáculo só se enfrenta quando o
chão nos exige o passo.
A continuar nas próximas crónicas
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