Há rituais que o tempo não apaga...
Há tradições que correm nas veias das gentes raianas, desde que os celtas
habitavam estas serranias. Em Vale de Espinho - para onde viemos
três dias depois de regressados de
Somiedo
- o Solstício de Verão e o São João fundiram-se numa celebração telúrica: a
tradicional queima do 'pinho', erguido como uma torcha gigante a desafiar a
noite e a saudar a chegada do Verão. Mas a homenagem ao Sol não terminou
quando as brasas esmoreceram. Apenas três horas depois... madruguei.
Às cinco da manhã, já as botas trilhavam a serra rumo ao
Cabeço Melhano. Ali, num silêncio quase sagrado, recebi o último e mais
magestoso nascer do Sol desta Primavera de 2026.
Fica o registo em imagens e
movimento: o fogo da terra que ardeu na noite, e o fogo do céu que me iluminou
a alma ao amanhecer.

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