No final da crónica da
XV Marcha Nacional de Montanha, deixei no ar a pergunta que regressa sempre, teimosa e luminosa: qual será
a próxima Montanha? A resposta não tardou. A “montanha” seguinte já estava
marcada pela mão da família gasparita — os
Caminheiros Gaspar Correia
— e levar-nos-ia às terras de Penha Garcia e das Idanhas. Só
que… a “Marta” também quis juntar-se ao fim de semana. E quem foi a “Marta”? Mais uma das intermináveis depressões que nos têm visitado, insistente e
ruidosa, tentando assustar o grupo. Mas um grupo com 41 anos de caminhadas não
se deixa intimidar assim. Tudo se resolve com gestão, calma… e aquela velha
arte de adaptar o passo às circunstâncias.
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| Penha Garcia sob a "Marta", 07.Fev.2026, 15h25 |
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| Barragem do Rio Ponsul, Penha Garcia, 15h15 |
E não houve outro remédio senão adaptarmo-nos às circunstâncias. Os
“gasparitos” não são loucos. Depois de aprendermos o que são
cruzianas
e de imaginarmos como seriam as paisagens no tempo das trilobites, e depois
ainda de visitarmos a eclética
Casa‑Museu do Padre João Pires de Campos, que guarda o vasto espólio pessoal que doou ao município, subimos ao
miradouro e ao Castelo, aproveitando uma ligeira aberta da tempestade. Mas não
houve outro remédio senão “fugirmos” para o abrigo que nos estava reservado,
em Idanha‑a‑Nova. A
Rota dos Fósseis
teve de ficar para outras "núpcias". Mas a habitual festa de Carnaval
Caminheiro, essa, não se perdeu — evidentemente.
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| E o dia seguinte acordaria completamente diferente. Idanha-a-Nova, 08.02.2026, 07h35 |
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| De Carroqueiro a Idanha-a-Velha, numa bela manhã de domingo |
Descemos ao Ponsul e à ponte romana, sólida e serena. Caminhámos até à
antiga Sé, austera, quase solene, lembrando que esta pequena aldeia foi, em
tempos, centro de poder espiritual e administrativo.
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| Também pode ver no Relive ou no Wikiloc |
E entre conversas, risos e o conforto merecido, celebrámos mais uma jornada bem vivida — porque, no fim, nem a fúria da velha da serra consegue travar quem gosta verdadeiramente de caminhar. A Madalena, claro, também alinhou nesta “aventura”… até porque já é gasparita de pleno direito.
E às sete horas estávamos em Lisboa. Em dia de eleições, naturalmente — mas o dever cívico já o tínhamos cumprido antecipadamente no domingo anterior. Cívico… e civilizacional…!










3 comentários:
Excelente reportagem que reproduz fielmente esta bela atividade caminheira, carnavalesca e cultural!
Muito bom, Callixto! Viajei comodamente no sofá e ainda me fartei de rir a imaginar o trabalho da velha a tentar estragar a vossa caminhada😅😅
Só é pena ser anónimo...
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