Há dias em que o corpo não pede distância, pede profundidade. Hoje não
foram precisos grandes trilhos nem metas distantes; bastaram 5 km de uma
caminhada que foi um exercício de libertação.
|
|
O Côa entre o Moinho dos Pecas e a foz da ribeira dos
Abedoeiros, 19.01.2026, 15h20
|
O frio foi compensado por um Sol generoso, daqueles que parecem querer
abraçar a Alma. Fui procurar o
Côa em
Vale de Espinho — a aldeia que, não sendo minha... é minha, há
já mais de meio século. Estava a precisar deste "retiro", deste silêncio que
só o campo sabe oferecer, para calar o ruído cá de dentro. Pelo caminho, o
destino cruzou-me com dois filhos da terra. Entre o tilintar dos chocalhos e
a paciência do pastoreio, com o Zé Manel "ratinho" (ou Zé Manel "da
gatinha") colhi fragmentos de vida e partilhei memórias que o tempo não
apaga, como as do meu querido Zé Malhadinhas, dos irmãos e do pai dele, avô
da minha arraianazinha. Vai fazer em abril 53 anos que conheci estas terras
e gentes💖
|
Vale da ribeira dos Abedoeiros
Com o Zé Manel "ratinho", partilhando fragmentos de vida
e memórias que o tempo não apaga...
|
|
|
A velha Ponte do Côa, ex-libris de Vale de Espinho
|
Com as mãos na terra, lá estava também o Manuel Lucas, cuidando da horta que
o rio alimenta. "
Sempre que quiserem venham buscar couves",
relembrou. Frases que são a essência da hospitalidade da Raia. Os meus
"carregadores solares" abasteceram-se de chão e de rio, de silêncios e
memórias.
|
As hortas do "B'ceiro" ao Sol a caminho do poente, 16h40 Em
cima o Manuel Lucas, do alto dos seus mais de 90 anos, continua a
labutar.
|
Voltei à nossa casinha (a que chamamos "da Branca de Neve") com a Alma
lavada e a certeza de que, às vezes, é num pequeno vale que encontramos a
maior imensidão.
Sem comentários:
Enviar um comentário