À semelhança dos dois anos anteriores, participei na
Marcha Nacional de Montanha da
FPME - Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada - este ano na sua X edição e organizada, como sempre, pelo
Grupo de Montanhismo de Vila Real.
E ... que fim de semana! Decididamente ...
"Eu sou lá dos montes
Sou das frias serras onde primeiro o Sol nasceu
E onde os rios ainda são apenas fontes." ...
(Branquinho da Fonseca)
O programa era aliciante: uma travessia invernal da
Serra do Alvão, com uma primeira etapa completamente diferente da do ano anterior, no sentido sul/norte, a começar na aldeia de
Quintã, na margem do
rio Sordo, e uma segunda etapa que me parecia, à partida, idêntica à IX edição, entre a Capelinha do
Fojo, próximo das
Fisgas de Ermelo, e a terminar no cume da
Senhora da Graça (
Monte Farinha). Mas mesmo esta segunda etapa pouco teve de comum com a de há um ano ... e ambas se definem numa única palavra: fabulosas! Outra aliciante: nesta X Edição da Marcha de Montanha, entre muitos outros amigos e companheiros de "aventuras", tive a companhia de nada menos de três dos meus "manos" ... irmãos que o Universo trouxe aos meus caminhos ... ao Caminho da minha Vida!
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... com o habitual briefing do Presidente da FPME |
À semelhança do ano passado, a base logística foi em
Mondim de Basto, no acolhedor
Hostel Carvalho. Sábado bem cedo os carros foram ficar junto à Capelinha do
Fojo, de onde o autocarro da organização nos levou para
Quintã, início da marcha ... início de duas etapas fabulosas de uma fabulosa travessia. Se me pedissem agora para caracterizar em poucas palavras o que foram estas duas jornadas pedestres, as minhas palavras seriam: montanha, verde, água, horizontes ... magia!...
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Montanha, verde, horizontes ... magia! Entre Quintã, Pêpe, Mascoselo, rumo a Pardelhas |
Rumávamos ao vale do
Rio Olo, de sul para norte, cruzando pequenas aldeias, subindo e descendo ... descendo e subindo, por vezes por entre muros cobertos de musgo ... por vezes à espera de nos cruzarmos com fadas e duendes ... com espíritos do ar e da terra. Mas o que nos surgiu ... foi um autêntico
géiser! Não um
géiser natural, termal ... mas um furo numa conduta de onde jorrava água a largos metros de altura e desenhando no ar as cores do arco íris, próximo de um portal rochoso que mais parecia uma passagem para um qualquer universo paralelo.
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Um géiser ... ou uma passagem para outra dimensão?
(Foto da direita: Alexandra Lopes)
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O almoço foi na antiga Escola Primária de
Pardelhas. Mais uma vez ... uma tradicional feijoada transmontana ... como "combustível" para os cerca de 10 km que ainda faltavam.
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Pardelhas, 12h50 ... onde nos esperava |
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a tradicional e mui saborosa feijoada |
Um ziguezaguear contínuo levou-nos a descer à
Ribeira do Sião, para depois subir rumo a
Ermelo. À magia da montanha, do verde e dos horizontes ... juntava-se cada vez mais a magia da água! Estávamos mesmo nas "
frias serras onde primeiro o Sol nasceu ... onde os rios ainda são apenas fontes."
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Descida de Pardelhas para a Ribeira do Sião, afluente do Olo |
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No coração do Alvão ... e no coração de um reino mágico, a viver um sonho!... |
Em
Ermelo faríamos a última paragem da primeira etapa. Tínhamos o vale do
Olo para atravessar ... e a encosta norte para subir, à vista das
Piocas e não longe das
Fisgas de Ermelo ... enquanto o Sol descia num esplendor de cor. Com 20,150 km percorridos e mais de mil metros de desnível acumulado, às 17h45 estávamos de regresso aos carros, guardados pela singela Capelinha do
Fojo.
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Descida de Ermelo para o Rio Olo |
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E subida para o Fojo ... enquanto o Sol se punha numa paleta como nenhum pintor pinta |
Como também é de tradição, em
Mondim de Basto os participantes juntaram-se em jantar convívio, com a entrega dos troféus aos Clubes representados. Pelo terceiro ano consecutivo, representei o
Clube de Montanhismo da Guarda nesta X Marcha de Montanha ... e trouxe o respectivo troféu.
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A família não é |
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só a biológica... |
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No jantar convívio em Mondim de Basto, com o Presidente da FPME e o staff organizador |
Domingo retomaríamos a marcha no mesmo local. Tal como na edição de 2019, a segunda etapa era a ligação dali ao cume da
Senhora da Graça ... mas só os primeiros poucos quilómetros foram idênticos. A partir do açude das
Mestras, onde o
Rio Cabrão se junta ao
Rio Cabril, todo o percurso foi diferente ... e todo o percurso foi uma sucessão de magia indescritível ... um reino da água, do verde e da pedra.
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Junto ao Rio Cabrão, próximo da aldeia de Covas, 26.Jan.2020, 09h05 |
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Com o Monte Farinha ainda tímido |
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e coberto, descemos para o vale do Cabril |
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O Rio Cabril no Açude das Mestras ... e uma foto de quase família... 😊 |
Seguindo desta vez o percurso
PR7, acompanhámos o curso do
Cabril ao longo de uma magnífica levada a lembrar as da Madeira. O verde e a água acompanhavam-nos, à medida que o céu se ia limpando das nuvens iniciais. Antes das onze estávamos a subir para
Vilar de Ferreiros.
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Através do paraíso... |
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Ribeira da Velha, afluente do Cabril |
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E continuamos |
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no paraíso... |
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Vilar de Ferreiros, 11h05 |
Vilar de Ferreiros marcaria a base da dura ascensão ao
Monte Farinha, pela vertente sul. Já quando da
IX Marcha de Montanha contei
aqui uma das mais conhecidas lendas deste cone que se eleva a 942 metros de altitude sobre as terras de Basto ... e mais uma vez tinha
Santiago à minha espera no topo e no Santuário da
Senhora da Graça. Santiago é venerado no Monte Farinha, no seu dia, 25 de Julho, por ficar na rota dos Peregrinos provenientes do Santuário de Panoias que rumavam a Compostela.
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Subida de Vilar de Ferreiros ao cume do Monte Farinha ... ao encontro de Santiago |
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Santuário da Senhora da Graça, no cume do Monte Farinha ... e ao encontro de Santiago |
Pouco depois da uma da tarde, com 31 km percorridos nos dois dias e mais de 1600 metros de desníveis acumulados, terminava a
X Marcha Nacional de Montanha. Das três edições em que já participei ... foi sem dúvida a melhor. A organização está de parabéns ... e a fazer-nos a todos que participámos desejar mais e cada vez melhor. Até 2021...
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Esta Marcha de Montanha foi e é também ... uma |
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Festa da Amizade, da camaradagem ... e da família 😊 |