segunda-feira, 25 de abril de 2016

Vía Verde de la Sierra

Nas vésperas da partida para o grande Camiño a que me referi no respectivo Prólogo, os Caminheiros Gaspar Correia levaram-me, a mim e à minha "musa", para terras andaluzas. Três dias destinados a Sevilha e à Vía Verde de la Sierra.
Sevilha, 23.04.2016 - A Torre del Oro e o Guadalquivir
Situada entre Sevilha e Ronda, a Vía Verde de la Sierra era uma linha ferroviária adaptada para pedestrianismo e ciclismo, entre as localidades de Puerto Serrano y Olvera, encravada nas magníficas paisagens das serranias béticas. Uma das curiosidades desta antiga linha férrea é desde logo o facto … de nela nunca ter circulado nenhum comboio. Com as obras praticamente concluídas, o estalar da guerra civil espanhola paralisou a concretização do projecto.
Sábado, uma viagem madrugadora proporcionou um almoço e uma tarde em Sevilha. E às seis horas estávamos em Coripe, pequeno município encravado entre as províncias de Sevilha e Cádiz, junto à confluência dos rios Guadalete e Guadalporcún. Guadal, prefixo comum à maioria dos rios do sul ibérico (como o Guadalquivir), deriva da palavra árabe wadi, que se refere a cursos de água fortemente sazonais, muito caudalosos na época das chuvas e secando-se quase completamente no verão. Com o grupo distribuído por vários alojamentos em Coripe, o primeiro percurso pedestre começou na própria vila, ao longo do vale do Guadalporcún, que a Via Verde acompanha quase permanentemente, para começarmos a descobrir cantos e recantos destas paragens escondidas entre margens escarpadas. Iam-se começar a suceder os túneis, principalmente a partir do viaduto e da estação de Coripe, transformada em hotel e restaurante.

Estação de Coripe
Ao longo da Vía Verde ... rodeados de verde
Às onze e meia estávamos junto ao Centro de Interpretação do Peñón de Zaframagón, uma alta e escarpada penedia onde nidificam os abutres e onde se situa uma ilustrativa exposição e um observatório que nos permite ver, em tempo real, o que se passa nos ninhos, escarpas e nos céus de Zaframagón.

Centro de Interpretação do Peñon de Zaframagón
Mais 5 túneis, com o percurso agora um pouco mais afastado do rio mas atravessando campos de um verde intenso, rodeados de elevações que nos permitiam imaginar que estávamos em paragens muito mais longínquas e exóticas, e estávamos na Estação de Navalagrulla, a única que nunca foi reabilitada. Aqui nos esperava o autocarro, que dali nos levou a Olvera, município de rasgos árabes declarado Conjunto Histórico-Artístico, na chamada rota dos Pueblos Blancos. Do alto do castelo, a panorâmica era de 360º

E continuamos por entre campos verdes e montanhas exóticas...
... até Olvera, pueblo blanco
Antes do regresso a Coripe, já com a primavera andaluza a ultrapassar os 25º, ainda fomos conhecer outra pérola encravada naquelas serranias: Setenil de las Bodegas, povoação que nasceu autenticamente "debaixo" e "dentro" das rochas.

Setenil de las Bodegas, encravada na rocha, nas margens do Guadalporcún
E chegava 2ª feira, 25 de Abril. Os 42 anos da revolução dos cravos foram comemorados, para nós, com um segundo percurso pedestre igualmente a sul de Coripe, cujo principal atractivo foi o monumento natural do Chaparro de La Vega, que ultrapassa os 14 metros de altura e os 30 metros de diâmetro da copa. No local são frequentes múltiplos convívios … como aquele com que encerrámos alegremente as actividades deste belíssimo fim de semana prolongado. Efectivamente … o almoço foi um lauto e bem animado "banquete", preparado e servido no aprazível espaço de lazer do Chaparro de La Vega. A Primavera, naquelas paragens, já sabia a Verão…

No Chaparro de La Vega
Uma saborosa paella,
junto ao milenar chaparro
Restava o regresso a casa … na véspera da minha partida para aquele que se espera ser um longo Caminho das Estrelas...
Via Verde de la Sierra (Coripe)

1 comentário:

Amélia Fresco disse...

O que recordo e aprendo contigo!
Bem haja Callixto!
Segue o caminho que o coração te pede.
Beijinhos grandes