segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Regresso às terras de Sanábria

Pouco mais de 2 meses depois da minha "conquista" de Peña Trevinca … voltei na semana passada a terras de Sanábria, agora com a minha "família" Caminheira. Em Maio éramos quatro … agora fomos 42…! Em Maio estava frio e apanhámos chuva, granizo e neve … agora esteve Sol e calor! Mas o encan-
Cascata de Sotillo, Sanabria, 30.07.2012
to das terras sanabresas ... esse continua como em Maio.
Integrado na actividade de verão dos Caminheiros Gaspar Correia, este regresso a Sanábria foi apenas o começo de uma semana intensamente vivida, que terminou em terras transmontanas, saboreando o convívio, a amizade, as brincadeiras e a partilha da vida com os grandes amigos daquela minha "família", que aliás levei a viverem também as primeiras duas noites do mágico e histórico Festival Intercéltico de Sendim, em que, com a minha parceira de vida, participámos pela terceira vez.

Recebidos domingo no Centro de Interpretação do Parque Natural do Lago de Sanábria, para uma introdução ao que todos iam ver e viver, na segunda feira dedicámos a primeira caminhada da semana ao bosque e à cascata de Sotillo. O jogo de luzes, sombras e verdes encantou todos … e todos nos voltámos a sentir pequenos ante a imponência das águas do Rio Truchas, ao precipitarem-se ávidas de atingir o vale.
Um bom cartão de visita de Sanábria, portanto, para esta "família" que eu e os meus três parceiros de Maio fomos agora guiar. E no dia seguinte dividimos o grupo em dois: enquanto eu e o outro "guia" conduzimos os caminheiros mais dotados pelo fabuloso canhão do rio Tera, as nossas duas "guias" levaram os menos preparados fisicamente a descer a Senda de los Monjes. Ambos os percursos foram, naturalmente, os que tínhamos percorrido os quatro, em Maio.

Nas encostas de Peña Mesa, sobre o canhão do Tera, 31.07.2012
Já se avista a Cueva de San Martín
Lago de La Cueva de San Martín
E depois ... começava a "aventura"...
Ao longo da descida do canhão do Tera
Poza de Las Ninfas
O Tera em Ribadelago Viejo, 31.07.2012
Para descanso pedestre, 4ª feira foi dia de cruzeiro ambiental no Lago de Sanábria. E que esplêndido serviço ali encontrámos! Num confortável e silencioso catamaran, movido a energia eólica e solar, quase demos a volta completa ao lago ... incluindo o seu fundo! O comandante mergulha com uma câmara subaquática, permitindo ver num écran a vida animal e vegetal das águas escuras do lago!

A bordo do catamaran do Cruzeiro Ambiental no Lago de Sanábria, 1.08.2012
5ª feira a caminhada era destinada à parte mais alta do Parque, o Alto Tera. Ainda pensei inicialmente levar alguns elementos do grupo ao cume de Peña Trevinca, onde subi em Maio, mas seriam muito poucos, obrigando os restantes a uma espera prolongada. Assim, da Laguna de los Peces subimos a encosta de Peña Cabrita, de onde, tal como há dois meses, se nos deparou a soberba panorâmica do alto Tera, com o maciço de Peña Trevinca a noroeste e a barragem de Vega del Conde aos nossos pés.

Subida da Laguna de Los Peces à encosta de Peña Cabrita, 2.08.2012
E dominando os meandros do alto Tera, com Peña Trevinca ao fundo e Vega del Conde à esquerda
Nos meandros do alto Tera. Ao fundo ... Peña Trevinca.
Abrigo da Majada de Trefacio, à beira de Vega del Conde
Descida a encosta, estávamos na Majada de Trefacio. Paragem para repor energias ... e aí havia que decidir entre regressar pela encosta menos íngreme - o trajecto que em Maio fizemos debaixo de neve... - ou descer à barragem de Vega de Tera, cujo colapso em Janeiro de 1959 provocou a tragédia de Ribadelago. Foi esta última opção que tomámos ... e que nos levou a uma penosa subida, praticamente sem trilhos, de regresso à Laguna de Los Peces e ao autocarro. As panorâmicas e, principalmente, a percepção do que terá sido aquela tragédia, valeram contudo o esforço.

Contornando Vega del Conde
Barragem de Vega de Tera, a presa rota, cujo desmoronamento em Janeiro de 1959 provocou a tragédia de Ribadelago
Junto à barragem de
Vega de Tera
Como foi possível?... Este´documentário é elucidativo do que foi a tragédia de Ribadelago
E o Tera segue o seu rumo, a sudeste da presa rota
A penosa "travessia" de regresso à Laguna de Los Peces (340m de desnível em pouco mais de 2,5 km)
Ao fundo ainda se vê a presa de Vega de Tera ...
... mas pouco depois já estávamos à vista do autocarro!
E assim chegámos a 6ª feira, em que nos tínhamos de despedir de Sanábria ... rumo a terras mirandesas! Ficou a foto de grupo, em Galende, à porta das instalações em que ficámos alojados.

3.08.2012 - À porta do Hostal "El Ruso", em Galende, Sanábria, em dia de despedida
Ficam também os quatro percursos que ficaram para a história dos Caminheiros Gaspar Correia.

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