sábado, 17 de janeiro de 2026

Vale do Jamor... em estreia "gasparita" de 2026

Em junho de 2023, na 4ª etapa da "Rota dos Palácios", com mais 8 carolas das caminhadas, fui de Oeiras a Queluz, seguindo a partir da Cruz Quebrada o vale do rio Jamor. Hoje, na primeira actividade do ano dos Caminheiros Gaspar Correia - a grande família gasparita - descemos o Jamor desde o fundo de Carnaxide, junto ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Rocha.
Santuário de Nª Srª da Conceição da Rocha,
17.01.2026, 10h00, junto ao rio Jamor
O Santuário da Senhora da Conceição da Rocha é um Santuário Mariano no vale do Jamor, na localidade de Linda-a-Pastora. A 31 de Maio de 1822 foi encontrada uma imagem de Nossa Senhora da Conceição - padroeira de Portugal - numa gruta das margens do Rio Jamor. Sobre o local da aparição, foi mais tarde construído este templo, inaugurado em 1893.
Descendo o Jamor, pelo túnel sob a A5 e pelos passadiços que em 2023 estavam destruídos
Mas depois... nem tudo foram rosas, para chegar ao Moinho de Linda-a-Velha
Começou a "dança na lama", na descida
para o Centro de Treino de Ténis do Jamor
Cruz Quebrada, 12h15... próximo da foz onde o Jamor se entrega ao Tejo
O topónimo Cruz Quebrada flutua entre a lenda de um cruzeiro partido por uma cheia e o romantismo de um marco de navegação que sucumbiu ao tempo. A Cruz Quebrada ensina-nos que mesmo o que se parte pode dar nome a um lugar, pode criar uma identidade nova e tornar-se um ponto de chegada.
Agora, há que subir de novo o curso do rio... e vinha lá chuva...
E aí estava ela...
Que borrasca havia para os lados de Cacilhas...
Mas entretanto eram horas de almoço, junto à Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem
O nome "da Boa Viagem" não é por acaso: era aqui que as famílias dos pescadores e marinheiros da zona (e também de Paço de Arcos) vinham rezar e acender promessas, pedindo proteção contra as tempestades e o sucesso das fainas. Foi ali que almoçámos, com Tejo lá em baixo.
Farol do Esteiro, que em conjunto com o Farol da Gibalta, mais abaixo, e o Farol de S. Julião,
formam o que se chama de uma "linha de enfiamento"
Regressamos ao vale, agora rumo a montante
O Jamor proporciona belos recantos, belas cores
Estávamos na parte final desta estreia "gasparita" de 2026! Junto ao Jamor, regressaríamos ao túnel sob a A5 e à Senhora da Rocha, totalizando 10 km de uma bela caminhada com alternância entre Sol e chuva. Venceu contudo o astro rei... e venceu o convívio a indiciar a continuidade deste "jovem" grupo de caminheiros, no início do seu 41º ano de vida.
Clique para ver no Wikiloc ou no Relive

E assim se passaram umas horas de ar livre... na véspera de umas eleições que podem ditar muito do futuro deste cantinho lusíada.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Óbidos... into the light

Onde o Trilho se Faz Luz: Crónica de um Sábado entre o Céu e a Lagoa

Ao rever as imagens de 2025, no segundo dia do ano, senti o inverno lá fora... e um certo outono cá dentro. Descobri um ano estranho: caminhei menos do que em qualquer outro dos últimos quinze anos, não por falta de pernas ou de vontade, mas porque a vida, às vezes... tece-se por fragas e pragas.
O mundo interior por vezes tem as suas fragilidades, os seus silêncios... e o fim de um ano e início de outro nem sempre é fácil. Neste início de 2026, sinto essa mistura estranha de gratidão e melancolia, ternura e amargura. A
A8, rumo a norte, 10.01.2026, 07h50
música diz muitas vezes por mim aquilo que às vezes não sei escrever.
Estava a precisar de caminhar - de conViver - como que de pão para alimentar o meu mundo interior - into the light... ou The Light.
Caminhar e Ser Feliz, é o lema do meu amigo Deonel... talvez o ser humano que eu conheço que mais caminha à face da Terra...🤪
Para hoje o Deonel tinha proposto uma caminhada circular, entre Óbidos e a Lagoa. Para mim... foi assim como que a minha primeira respiração do ano. Não era a paisagem... não era o azul ou o verde. Era o carregar baterias... era o deixar as ondas negativas... era o convívio... a Amizade... a Vida! Dezasseis caminheiro(a)s, incluindo a Madalena... a minha peregrina peruana... galega... recém chegada da terra das valsas... da terra dos Sonhos. E a Ana Cristina... outro Ser de Luz... que sinto aproximar-se pelo Universo Inteligente... 🙏
Óbidos, 09h00 - Dezasseis caminheiro(a)s juntaram-se para uma proposta de uns previstos 22 km de festa da Vida
À boa maneira do Deonel, a "aventura" teve adrenalina suficiente, com muito sobe e desce, muita lama... mas sempre por belas panorâmicas de um ameno sábado de inverno, por vezes com Sol, por vezes com nuvens... mas sempre com companheirismo e o Universo a entrar em nós.
Subimos aos moinhos a SW de Óbidos, descemos à Estação CP... subimos à Ermida de Santo Antão
Diz-se que estas pedras guardam o suspiro de um homem, Antão Vaz Moniz, fidalgo obidense, cavaleiro do rei D. João I. Herói de Aljubarrota — onde lutou na lendária "Ala dos Namorados" — Antão Vaz fez deste monte o seu altar de gratidão. Após lutar pelo Reino, escolheu a solidão de asceta, tal como o santo de quem era devoto. Apenas o vento e Deus sabiam quem ali descansava.
Trás do Outeiro, 10.01.2026, 10h30... seguindo o "chefe" 💞
Por trilhos nem sempre direitinhos e limpinhos... chegamos à Lagoa de Óbidos, 11h25
A Lagoa de Óbidos é o coração pulsante do vale. É o sistema lagunar mais extenso da costa portuguesa, onde o rio Arnóia se funde com o Atlântico numa dança constante de marés. Historicamente, a lagoa era muito maior do que é hoje. Na Idade Média, as suas águas chegavam mesmo ao sopé da colina de Óbidos, permitindo que as embarcações atracassem junto às muralhas do castelo. Com o passar dos séculos e o fenómeno do assoreamento, a água recuou, deixando para trás as terras férteis que hoje vemos, mas a aura de "porto de mar" ainda se sente na brisa. Paraíso para os amantes da Natureza e do birdwatching, a lagoa é um ponto de paragem vital para as aves migratórias, como os flamingos, garças reais, patos reais e outras.
Dois peregrinos do Mar... das Montanhas Peruanas... da Amizade... dos Sonhos...
E com a Ana Cristina... também ela peregrina. Seremos três Seres de Luz uns dos outros?...
E o grupo... quase todo. Falta o fotógrafo e obreiro deste pequeno/grande projecto "Caminhar e Ser Feliz 👍😀"
Bordejando a bela Lagoa de Óbidos, com flamingos a vigiar-nos...
No extremo sudoeste da lagoa, inflectimos para o interior... e descobrimos que o conceito de almoço é relativo. Nós queríamos as sandes; as melgas queriam-nos a nós. E não eram melgas amadoras: estas criaturas usavam brocas de diamante que atravessavam t-shirts e lenços de cabeça sem pedir licença, como se estivéssemos nus. Emílio... ali é que eu te queria ter visto em tronco nu 🤣! Diz a lenda que estas melgas descendem dos tempos de D. João I e que ainda hoje guardam o espírito de combate de Aljubarrota... mas aplicam-no nos nossos corpos a pedir a paz!
Desce e sobe, a SE da Lagoa, 13h10
Sim, foi no alto daquela subida que almoçámos... nós e as melgas... 😞🤪
E se subimos... temos de descer... às vezes tipo escorrega... ou
no jogo do agarra agarra... 😁

Em baixo, a união dos rios Real e Arnóia, próximo do aeródromo de Óbidos
Os 6 km que nos separavam de Óbidos foram cumpridos em passo de carga, numa marcha de 75 minutos pelas várzeas generosas do Arnóia. Quando o relógio bateu as três, estávamos de novo na Estação da CP. Dali, partimos para o "assalto" épico ao Castelo. Deixámos o silêncio da Natureza para trás e mergulhámos no habitual mar de gente que inunda a vila, serpenteando entre turistas e história, com a adrenalina de quem ainda tem quilómetros no corpo.
6 km em 1h15' pelas terras férteis do Arnóia, com a aproximação a Óbidos pela Ermida de Nª Srª do Carmo
E no habitual bulício de Óbidos, 15h20. Não... não fomos à Ginjinha... 😆
E não houve realmente filas nem balcões para a nossa Ginjinha de despedida. Bebemo-la em liberdade, cortesia da Madalena, que juntou ao brinde umas deliciosas 'pirâmidezinhas' de chocolate para rematar este sábado perfeito. Já as tínhamos também tomado como doping inicial... 😂
Igreja de Santa Maria, Óbidos, 15h25
(Clique para ver o álbum completo)
(Clique para ver no Wikiloc)
Foi a estreia das "fragas pisadas" em 2026. Mas acima de tudo foi o momento de abrir os meus próprios painéis solares. Há baterias que só carregam assim: com o corpo em movimento e a alma exposta ao que o caminho nos dá. No final, descobri que o motor está vivo e, sim, eu ainda sei andar.
Obrigado Deonel, obrigado Madalena, obrigado Ana Cristina, obrigado Luís Crucho... obrigado a todos os que participaram nesta que foi para mim uma caminhada... into the light. Obrigado Universo 🙏