domingo, 2 de fevereiro de 2014

Trilho das cascatas, Vila de Rei

Ao olhar de relance para algumas das fotografias que ilustram o presente artigo, talvez se pense que, depois de ontem ter andado pela região saloia de Bucelas e Arruda ... hoje parti para algum dos "paraísos perdidos" do norte peninsular, os paraísos pelos quais a vida me fez apaixonar! Mas não ... o dia de hoje foi dedicado à zona de Vila de Rei, o Centro Geodésico de Portugal.
Vila de Rei, 2.Fev.2014 - Na senda das Cascatas
Tal como tem acontecido com outros grupos, há bastante tempo que acompanho nas redes as actividades do CLAC - Clube de Lazer, Aventura e Competição - um clube sediado no Entroncamento, com um programa de actividades de fazer inveja a qualquer amante do ar livre. A agenda é contudo sempre difícil de gerir ... e não se tinha proporcionado ainda acompanhar os passos do CLAC. Foi hoje o dia ... e que dia! A proposta era o Trilho das Cascatas, uma curta caminhada de apenas 10 km, acompanhando as cascatas de algumas das muitas ribeiras que correm nos vales a poente da Vila, hoje cidade, geograficamente situada no Centro de Portugal.

Em direcção à aldeia
... chegamos à
de Lavadouro ...
primeira cascata.
Responderam à chamada do CLAC ... nada menos de 146 caminheiros! Uma autêntica multidão...! Para a dimensão do grupo e características do percurso, a jornada decorreu contudo da melhor forma, para o que em muito contribui seguramente a experiência e a forma de acolher do grande dinamizador destas actividades e dos seus companheiros da organização.
Esperava-se que o trilho fosse bem interessante ... mas o que ali fomos encontrar foi uma sucessão de espectaculares quadros naturais. O primeiro foi a Cascata do Escalvadouro.

Cascata do Escalvadouro
E se a primeira cascata encheu as medidas aos caminhantes ... as seguintes foram num crescendo de espectacularidade. E que melhor local poderia haver para o repasto ... do que precisamente junto ao segundo conjunto de cascatas, na mesma Ribeira do Lavadouro, um pouco mais a jusante da primeira?

Segundo conjunto de cascatas na Ribeira do Lavadouro ... local de almoço
Da Ribeira do Lavadouro, passámos à Ribeira do Vale do Feito, entre as aldeias de Estevais e Paredes. Nesta última ... o sorriso de uma aldeã à janela parecia parado no tempo dos tempos...

Ribeira do Vale do Feito
Aldeia de Paredes ...
... onde o tempo parou no tempo...!
A seguir à aldeia de Paredes, o troço final da caminhada foi ao longo do Ribeiro da Vila.
E quando pensávamos que estávamos apenas de regresso a Vila de Rei ... surge-nos o maior e mais espectacular conjunto de cascatas destas paragens paradisíacas. Por entre escarpas altaneiras - ou por entre as fragas e pragas que a ribeira ali teceu... - subir aquele troço da Ribeira da Vila é qualquer coisa de espectacular!

Ribeiro da Vila ... mas isto era apenas o começo...
Cascatas do Ribeiro da Vila, Vila de Rei
Pouco depois das duas e meia da tarde estávamos a subir para a estrada Vila de Rei - Vilar. O grupo parecia uma multidão de peregrinos serra acima... J

Estávamo-nos a despedir dos vales de Vila de Rei...
E Vila de Rei à vista, com o cume da Melriça atrás, centro geodésico de Portugal.
Com pouco mais de 11 km percorridos, uns minutos antes das três da tarde estávamos de regresso à Igreja Matriz de Vila de Rei, onde tínhamos começado esta espectacular jornada no Trilho das Cascatas. Obrigado CLAC!
Trilho das Cascatas by CLAC
(álbum completo)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Pelos montes e vales de Arranhó e da Ribeira do Boição

Mais um desafio dos "Novos Trilhos": uma caminhada circular, com cerca de 23 km e uns 700 metros de desnível acumulado ... como é "norma" neste grupo, para o qual em boa hora entrei há quase um ano.
1.Fev.2014 - Com os Novos Trilhos nos campos de Arranhó
Desta vez entre Bucelas e Arranhó, nos limites dos concelhos de Arruda dos Vinhos e Loures, maioritariamente ao longo dos vales do Rio Pequeno e da Ribeira do Boição, afluentes do Trancão!
Pouco depois das nove da manhã saíamos de Arranhó rumo a Alcobela de Baixo, para logo virar para sul, acompanhando o vale do Rio Pequeno, com Vila Nova e Bucelas no horizonte.
O vale do Rio Pequeno, afluente do Trancão, com Vila Nova à esquerda
Paisagens rurais nos campos de Bucelas, aqui nos Moinhos do Catadouro
Cruzado o Rio Pequeno e passada Vila Nova e a Bemposta, quase entrámos em Bucelas ao virar de novo para norte, para subir o curso da Ribeira do Boição.

Rio
Pequeno
A Ribeira do Boição é um afluente da margem esquerda do Trancão, ao qual se junta em Bucelas. Terra de vinhas e vinhos, o percurso ao longo da ribeira leva-nos a locais de especial beleza, apenas ensombrada pelas ruínas de quintas e de casas que seguramente ali tiveram a sua época áurea.
E depois ... chegamos à Cascata do Boição. Não se tratando de uma cascata espectacular, mas a precipitação das águas empresta sempre à paisagem uma beleza especial.

Subindo o vale da
Ribeira do Boição
Cascatas da Ribeira do Boição
Antes da uma da tarde estávamos a caminhar agora para nascente, em direcção a Santiago dos Velhos, para logo depois rumarmos de novo a poente e ao geodésico de Alrota e Forte do Arpim, nos limites com o concelho de Vila Franca de Xira.


Campos a norte do Boição
Geodésico de Alrota / Forte do Arpim
Ruínas do Forte do Arpim
Pouco passava das duas e meia e estávamos no Santuário de Nossa Senhora da Ajuda. Conta a lenda que, em tempos longínquos, ali apareceu certo dia a Virgem Maria a uma pequena criança que pastava o seu rebanho. Nossa Senhora nesta aparição indicou à menina que seu pai deveria erguer uma ermida em sua honra num lugar com abundância de água. A menina, cumprindo o desejo de Nossa Senhora, falou com seu pai, Afonso Anes, um agricultor de S. Tiago dos Velhos, que não acreditou nas aparições nem na palavra de sua filha, porque o local era árido e com pouca água. Certo dia, depois de mais uma das aparições de Virgem Maria à pequena pastorinha, deu-se um milagre: debaixo de uma pedra, levantada pela menina brotou água fresca e cristalina. Rendido ao milagre, Afonso Anes cumpriu o pedido de Nossa Senhora construindo uma ermida em sua honra a 200 metros desta fonte e desde então nunca mais faltou água naquele lugar. Afonso Anes ofereceu o local e outros devotos ofereceram os materiais para a construção da sagrada Ermida, e com as esmolas que os fiéis ofereciam em agradecimento aos favores prestados pela Virgem, foi possível terminar e aperfeiçoar a obra. Dentro desta pequena capela foi colocada uma imagem de Nossa Senhora em pedra com altura de três palmos e com o Menino Jesus nos braços, onde ainda hoje pode ser adorada.
Para nós ... foi o local escolhido para a habitual foto de grupo. E pouco depois estávamos de regresso a Arranhó, com 22 km percorridos por montes e vales da região saloia...

Os Novos Trilhos no Santuário de Nossa Senhora da Ajuda ... em quase fim de jornada
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