terça-feira, 5 de março de 2024

De Sol a Sol ... 57 km em terras de RibaCôa

Quando fiz 60 anos - já vou a caminho de mais 11... - prometi a mim mesmo tentar fazer 60 km a pé num máximo de 20 horas, proeza que até então nunca tinha feito. Depois disso já fiz "maratonas" de 70, 100 ... 127 km; devo estar garantido, portanto, até aos 127 anos...😂.
Encruzilhada da Có Pequena, 05.03.24, 06h30
Duvido que alguma vez venha a bater esse record pessoal, mas as caminhadas "de longo curso", não sendo o ideal que mais ambiciono, continuam a seduzir-me, particularmente se forem a solo. É assim como uma espécie de teste aos meus limites, e não só aos limites físicos; para uma "prova" desta natureza, é fundamental a gestão dos tempos e da média geral conseguida. Uma diferença de velocidade média de 1 km/h (por exemplo uma média de 4 ou de 5 km/h) ... resulta numa diferença de uma hora e meia a mais ou de uma hora e meia a menos num percurso de 30 km
Vem esta introdução a propósito ... de uma "maratona" de 57 km percorridos em 11 horas e meia, nas "minhas" terras de RibaCôa. Os dias já vão sendo maiores ... mas entre o nascer e o pôr do Sol ainda não há 12 horas, embora haja luz desde uma meia hora antes até uma meia hora depois. E para percorrer 60 km (vieram a ser apenas 57) em 12 horas ... é preciso manter uma média geral de 5 km/h.

06h54 ... e o Sol nasce, na Malhada Alta, a caminho do Soito
A travessia da semana passada, de Vale de Espinho à Sortelha, poderia também ter sido circular; não o foi, pelas razões então descritas, mas ultrapassaria seguramente os 60 km ... e com bastante mais altimetria do que o "circuito" que desenhei a norte e noroeste de Vale de Espinho ... "circuito" que me encheu as medidas. É difícil, ao fim de tantos anos, qualquer circuito raiano não ter troços já conhecidos ... mas mesmo os troços conhecidos nunca são iguais ... nem os sinto do mesmo modo.

Soito, 07h35 ... uma povoação praticamente deserta, mas aqui eu atribuí à hora matutina
Nos primeiros 25 km desta "prova de resistência", a média manteve-se bem acima dos almejados 5 km/h; mais concretamente, uma média que chegou a andar nos 5,7 km/h dava-me esperança de que, desta vez ... a 'coisa' seria "fazível". E foi! E foi uma jornada em que me senti literalmente nas nuvens ... nas nuvens de algo que se sente ... que não se descreve nem se explica. Apesar de caminhar a solo, a maior parte destas onze horas e meia fui "acompanhado" pela Ronda dos Quatro Caminhos, um dos nossos grupos folk de que mais gosto. Ouvi a discografia praticamente completa ... pelo menos a editada nos anos 80 e 90 do século passado.
Geodésico de Santiago (846m alt.) ... ou como de
repente me vi em Santiago...
Bismula, 09h45 ... e a jornada prosseguia a bom ritmo
Nesta fase sempre a caminhar para norte, fui ao encontro da Ribeira da Nave. Pouco antes de Badamalos, fiz então a inflexão para ocidente ... rumo ao Côa, que cruzei na histórica Ponte de Sequeiros. Provisoriamente, fiquei portanto na margem esquerda do Côa, a margem que sempre foi portuguesa, mesmo antes do Tratado de Alcanizes.

Velhos caminhos ... caminhos velhos ... caminhos com história. E cruzo a Ribeira da Nave, afluente do Côa
Descida para o vale do Côa ... e para a Ponte de Sequeiros. Eram 11h05 e tinha 27 km nos pés.
Lameiros da margem esquerda do Côa. Ao fundo, o Picoto do Seixo.
Claro que a média global já reduzira de uns iniciais 5,7 para 5,3 km/h. Desde que não fizesse praticamente paragens, a gestão da caminhada estava sob controlo. Comer? Sim ... em andamento 😀. Mas comer em andamento é coisa que nunca me importou ... particularmente se se tratar do delicioso folar de Vila do Conde que o Joaquim Gomes e a Fátima nos tinham deixado ... recheado com queijinho fresco de cabra, de Vale de Espinho 😋. Próxima "meta": Seixo do Côa.

Seixo do Côa, 11h50
Travessia da Ribeira do Boi, afluente da margem esquerda do Côa. Travessia ... a vau.
Pensei duas vezes antes de atravessar a Ribeira do Boi. O caudal dava pelo joelhos. Havia umas pedras a imitar poldras ... mas molhadas eram mais perigosas do que meter os pés na água. Os pés ... e as botas e as calças...😀! O esplêndido dia de pré-Primavera já me convidara a tirar a camisola ... e os pés molhados até soube bem, amenizou bastante o "massacre" que evidentemente já denotavam...
13h15 - Junto à Rapoula do Côa regressei à margem direita do Côa
Uma hora depois ... ao fundo já se vê o Rendo
Rendo, 14h35. Ainda me faltavam cerca de três horas ... mas já me começava a sentir em casa...
A partir do Rendo ... comecei a contagem decrescente para o final pelo número de povoações. Faltava-me atravessar o Cardeal, Torre e Quadrazais. Só que ... não vi viva alma! Se nas anteriores tinha visto apenas meia dúzia de "gatos" ... nestas não vi absolutamente ninguém... 😟
Igreja do Cardeal, 15h00 ... com 45 km percorridos
Quadrazais, junto à Senhora dos Caminhos e na Fonte próxima da Igreja
Praia fluvial de Quadrazais e Capela do Espírito Santo ... já faltava pouco...
Terras do Alcambar ... e a Praia fluvial de Vale de Espinho, 17h15
Vale de Espinho à vista. Estava a terminar uma belíssima jornada circular ... em grande círculo
De manhã vira-o nascer, das terras altas da Malhada Alta. Agora via-o deitar-se ... já em casa.
Adeus Irmão Sol ... a Irmã Lua vai nascer lá para as 4 e meia da manhã,
embora em minguante ... mas o Sol voltará para outro dia!
Entrei em Vale de Espinho ainda a ouvir a Ronda dos Quatro Caminhos. Só desliguei quase em casa. A Ronda fez sem dúvida parte desta bela terça feira de Sol e até de algum calor; desde antes do Rendo que eu vinha de manga curta ... e de manga curta entrei em casa!
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