sábado, 21 de março de 2015

Seguindo a água da Prata...

Em Outubro de 2014, com um dos meus vários grupos de amigos do pedestrianismo, "descobrimos" o Aqueduto de Évora, o Aqueduto da Água da Prata. No fim de Janeiro, com 3 companheiros da "família" Gaspar Correia, tinha ido rever e reconhecer mais um pequeno troço e hoje lá estávamos de novo ... mas desta vez com cerca de 70 caminheiros, prontos a percorrer o trilho daquela que foi a principal fonte de abastecimento de água à cidade de Évora.
Início do trilho da Água da Prata, Évora, 21.Março.2015
Mas esta não foi apenas mais uma caminhada dos Caminheiros Gaspar Correia. Esta não foi uma caminhada qualquer: foi, por um lado, a caminhada comemorativa do 30º Aniversário do Grupo, mas também a primeira caminhada depois da perda brutal de um grande Amigo, que partiu ao cumprir o sonho de subir o Pico, como relatei no artigo anterior. Foi um dia de celebração da Vida! Da Vida que deve ser vivida, dia a dia, minuto a minuto. Vivida para poder viver a felicidade de ter Amigos! Uns partem ... mas no mistério da vida e da morte estão e estarão sempre connosco!
Ao longo do Aqueduto da Água da Prata ... no primeiro dia de Primavera
Este primeiro dia de Primavera ameaçava aguaceiros, que no entanto não se concretizaram. Os campos rejubilavam já de cor e de vida. E lá fomos seguindo o aqueduto, à vista de velhas quintas, a maioria testemunhando velhos tempos há muito perdidos, como a Quinta da Manizola, que pertenceu ao visconde da Esperança e foi a Quinta do Arcediago, propriedade de André de Resende.

Mais um troço da Água da Prata, junto à ...
Fonte do Arcediago
Quinta da Manizola
E já se percebe Évora, para lá do Aqueduto
Mosteiro de São Bento de Cástris, da Ordem de Cister: o mais antigo mosteiro feminino a sul do Tejo
Antes das três e meia da tarde, com 12 km percorridos, estávamos na estrada de Arraiolos, cruzada pelos arcos do velho aqueduto, junto a um pilar com torre incorporada e cúpula de estilo manuelino, onde se encontravam as imagens de S. Bruno e S. Bento, patronos dos mosteiros da Cartuxa e de São Bento de Cástris.

Ao fundo, o Mosteiro da Cartuxa

E a caminhada terminava, junto ao pilar e torre
onde se encontravam as imagens de S. Bruno e S. Bento
Terminada a caminhada ... o 30º aniversário do Grupo foi comemorado - tal como já o 25º o tinha sido - nas instalações do Coral Etnográfico Cantares de Évora, nos antigos celeiros da EPAC. A gastronomia alentejana esteve naturalmente em força ... mas também o portentoso Cante Alentejano, Património Cultural e Imaterial da Humanidade. Esta foi a mais bela e emotiva homenagem que o Grupo poderia prestar ao nosso querido Luís Fialho Rodrigues, que os desígnios da Terra Mater chamaram a si, há tão só duas semanas! Onde quer que esteja ... ele estará sempre com os seus Caminheiros Gaspar Correia!

Cantares de Évora, nos antigos celeiros da EPAC: o Cante Alentejano marcou presença!
A comemoração dos 30 anos do Grupo ... foi também uma sucessão de belas surpresas para esta "família", que ainda conta com 4 membros que permanecem, no activo, desde a primeira caminhada, no já tão longínquo mês de Março do longínquo ano de 1985! Em jeito de prémio, novos e velhos membros ... viram-se de repente capa da conceituada National Geographic...J

À semelhança das "bodas de prata", há 5 anos, fui igualmente responsável pela compilação das memórias Caminheiras de 30 anos, através da elaboração de uma Brochura comemorativa.


A capa da brochura ... revela a autêntica obra-prima de um artista Caminheiro, saída das suas mãos e moldada pelas suas mãos ... e pelo amor dedicado ao Grupo, para o Grupo ... para a muita amizade e a muita partilha que o caracteriza. Pertencer ao Grupo de Caminheiros Gaspar Correia ...é para mim um privilégio de que muito me orgulho! Obrigado, Companheiros! Obrigado, Amigos!

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