quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vale de Espinho, uma melodia ... com 40 anos!

Sentado no banco de trás de um velho Cortina vermelho, ao lado da minha namorada arraiana, lá ia eu com os meus 19 anos pelas velhas estradas de Mora, Montargil, Ponte de Sor,  Nisa,  Rodão...!  À  frente,
A caminho de Vale de Espinho, na Fonte dos
Amores (estrada Nisa - Rodão), 19.04.1973
os meus futuros sogros. O destino, era uma aldeia do concelho do Sabugal, encostadinha ao Côa e à raia de Espanha: Vale de Espinho! Era o dia 19 de Abril do ano de 1973 ... já lá vão 40 anos!
É verdade: há exactamente 40 anos, conheci Vale de Espinho, a aldeia que viu crescer o amor de dois jovens estudantes, a terra que adoptei como minha, aquela a que hoje chamo o meu retiro, a aldeia onde repousa o meu saudoso sogro. Quando em Janeiro de 2011 iniciei a escrita destas minhas memórias, recordei esses primeiros 5 dias maravilhosos ... nas férias da Páscoa de um longínquo 1973.
Nessa primeira deslocação a Vale de Espinho, um dos primeiros locais que conheci foram as Veigas, junto ao Côa.
19.04.1973 - nas Veigas, com o "t'Zé" Joaquim Malhadas (à direita),
pai do meu saudoso sogro, José Clemente Malhadas (à esquerda)
Era lá que estava, quando chegámos, o "avô Quim", pai daquele que, então com 42 anos, viria a ser meu sogro. No lameiro, apascentava a sua cabrinha e a burra, que tratava com tanta estima. Os animais ouviam a tosse rouca da bronquite que para sempre o marcou, desde que foi encarcerado por engano nos calabouços de Cáceres, quando, nos tempos difíceis da guerra civil espanhola, tratava das oliveiras que eram suas, nos olivais de Pesqueiro.
Não tendo naturalmente as vivências dos verdadeiros filhos da raia, estes 40 anos têm-me permitido contudo conhecer pedaços de vida, de história, de raízes, de labuta, que me habituei a ouvir contar, a conhecer ... fazendo destas terras as terras que abracei como minhas e às quais dediquei, em 2006, o filme a que dei o título "Vale de Espinho, Uma Melodia a 4 Estações".

Nas margens do Côa tinha nascido, 20 anos antes, quem me acompanharia para toda uma vida...
19.04.1973 - No curral do "t'Zé" Joaquim Malhadas

20.04.1973 - Nas sagradas Fontes Lares,
com a velha casa ainda de pé

                               
                               
Um ano depois, 11.04.1974 ... 2 semanas antes da revolução
Perto das Aleguinhas
11.04.1974 - com o avô Quim ("t'Zé" Joaquim Malhadas)
e a "avó de baixo" ("ti" Maria "Clementa"
15.04.1974 - Com a "avó de cima" ("ti Gusta B'gueira")
16.04.1974 - Nas escaleiras da "avó de cima"
9.06.1974 - "T'Zé" Joaquim Malhadas,
com as suas burra e cabra de que tanto gostava
9.06.1974 - Levo os meus pais a Vale de Espinho:
no curral, com a "avó de baixo" ("ti" Maria "Clementa")
"Avó de baixo" e "avó de cima"...! A minha arraiana habituara-se de menina a chamar-lhes assim, porque
9.06.1974 - Em Vale de Espinho...
que ia passar a ser "minha"... J
ambas moravam na mesma rua ... uma mais abaixo e outra mais acima... J! Eram histórias de uma infância de aldeia, de uma época em que a menina, por todos querida, perguntava: "os bonecos da rádio são de sola ou de papelão?"...
A minha arraiana e os pais ficaram em casa da avó "de cima"; eu, claro ... fiquei em casa da avó "de baixo". E mesmo assim, em 1973, já era uma grande ousadia estar ali, como "namoro" de uma moça da aldeia. Evidentemente que não podíamos ir sozinhos ao rio, ao Côa de águas límpidas e frescas...
Aqueles 5 primeiros dias em Vale de Espinho, ainda no "estatuto" de namorado da arraiana que também era colega de faculdade ... parecem-me simultaneamente perto e longínquos no tempo. A 19 de Abril de 2013, 40 anos depois ... eu tinha de lá estar! E por isso cá estou ... a caminho de Vale de Espinho... J!
Escrevi estas linhas nas vésperas do "Dia Q" (de "Quarenta"...) ... porque escolhi o dia 19 de Abril para mais uma romagem pelas terras da raia. Uma longa "peregrinação" que me vai levar, a solo, de Vale de Espinho a outras terras ... a outras gentes. A "aventura" segue dentro de momentos... J

VALE DE ESPINHO... Rio Côa...

"Rio que brilha e que canta, mesmo quando a saudade atormenta."
(Aurora Martins Madaleno, sobre foto de José Manuel Corceiro)

2 comentários:

ZéBaleiras disse...

Aventura, aventura mas tinha que ter uma marca,bonita a tua escolha para comemorar 40 anos.Bom caminho lá te esperamos.

Aurora Madaleno disse...

Boa maneira de festejar quarenta anos.

Qualquer pessoa se tenta
A cantar uma canção
Se já completa quarenta
E se lembra do refrão.