quinta-feira, 10 de março de 2022

De Ponferrada a Santiago, pelo Caminho de Inverno (3)

Polos Camiños máxicos dunha Galicia máxica...

Terça feira, 8 de Março, sétimo dia de Caminho. A Stella que o destino pôs no meu Caminho tinha-me dito, na véspera, que sairia cedo; "você logo me apanha", disse. Também saí cedo do Hostal Gamallo, em Chantada, já com o pequeno almoço tomado ... e este foi o dia em que tivemos de tudo: chuva, neve, granizo, Sol ... e, no final ... uma doce e amena confraternização, no albergue de Rodeiro.
Mais um verdadeiro Despertar dos Mágicos, pouco depois de sair de Chantada, 8.Março.2022, 7h55
Ao contrário dos dias anteriores, ao sétimo dia os céus toldaram-se e deles desceram, primeiro, a chuva e o nevoeiro. Com apenas cerca de 4 km percorridos ... passei a marca dos 100 km para Santiago de Compostela. Já faltava pouco! O destino, para já, era a Serra do Faro, que separa a província de Lugo da de Pontevedra e que inclui o ponto mais alto do Caminho de Santiago de Inverno.
Do bosque saltan fadas e elfos ...
mentres nos achegamos ao campo das estrelas...
Subida ao Monte do Faro, o ponto mais alto do Caminho de Inverno ... quando a neve surge aos pés...
O Monte do Faro foi, desde épocas remotas, um lugar de consagração de ritos pagãos, onde existiu provavelmente alguma atalaia galaico-romana. A sua situação estratégica fazia deste lugar um magnífico ponto de controlo entre os Conventus Lucensis e Bracarensis. No topo da serra, a 1155 metros de altitude, ergue-se a Ermida da Virxe do Faro, construída na segunda metade do século XVII, demolida no início do século seguinte para suportar os gastos das lutas contra os franceses e mais tarde de novo reconstruída. Nesta terça feira 8 de Março ... nevou copiosamente no Monte do Faro.

Monte e Ermida da Virxe do Faro (1155m alt.), 11h00
- À neve da noite juntou-se a que caía àquela hora
Descida da Via Crucis do Monte do Faro. Despois da néboa, da chúvia e da neve... chega o Sol
Na intempérie do Monte do Faro - neve e vento - pensei várias vezes onde estaria a Stella. Afinal não a tinha ainda alcançado; ou estaria para trás? Mas o Universo sabia que nos íamos encontrar.
Pazo e Igreja de San Xoan de Camba
Almocei e descansei um pouco ... no cemitério da Igreja
Quase em Rodeiro, 13h25 - Para trás ficou a Serra do Faro ... e as nuvens negras que tinham largado chuva e neve...
Rodeiro, 14h15 - O Albergue já estava perto; onde estaria a Stella?...
O Albergue Carpinteiras, em Rodeiro, foi definitivamente
o ponto de união entre dois peregrinos
Ao chegar a Rodeiro e ao Albergue Carpinteiras, que previamente reservara, levaram-me aos excelentes alojamentos. Depois de instalado logo desceria para fazer o registo. Muito bem, escolhi a minha litera perto da janela, arrumei a mochila e os pertences e desci. E quando desci ... lá estava a Stella; nem tinha subido; chegou e almoçou ... que a fome apertava 😊
A partir daquele instante ... Vivemos o resto do Caminho juntos, 24 horas por dia. Na planificação de ambos, teoricamente faltavam 4 etapas para chegarmos a Santiago; mais à frente perceberão porquê teoricamente.
E o dia seguinte acordou cinzento e com promessa de alguma chuva. A etapa era curta, uns simples 22 km até Lalín, pelo que nos demos ao luxo de sair um pouco mais tarde, após um bom pequeno almoço no Albergue Carpinteiras.

Rio Arnego, a noroeste de Rodeiro, 9.Março.2022, 9h25 (Foto inferior: Stella Cursio)
À entrada da aldeia de Penela, chamou-nos a atenção um estranho memorial, que inicialmente me parecia de algum modo ligado à guerra civil espanhola. Mas, afinal, o Mausoleo de las Aguas Ganadas é uma obra bizarra de um aldeão, Ismael Calvo, construído por ele próprio no fim da década de 1980, para se vangloriar das sentenças ganhas para levar diferentes linhas de água aos terrenos de sua propriedade! As sentenças estão expostas na frente do mausoléu, bem como uma estátua do próprio em tamanho natural, em granito ... e a bizarra inscrição que a foto da direita documenta.
Mausoleo de las Aguas Ganadas. Há pessoas insólitas...
Ponte medieval sobre o rio Arnego, na aldeia de Laxas
E numa etapa curta e eminentemente rural ... antes do meio dia e meia hora estávamos a entrar em Lalín
Igreja de Santa Maria das Dores
Santiago recebe-nos...
Igreja de Santa Maria das Dores de Lalín. Obrigado, Universo!
Chegados a Lalín à hora do almoço, ainda ponderámos avançar para A Laxe, 6 km mais à frente, mas não havia a certeza se o respectivo albergue está aberto, pelo que nos demos a nós mesmos ... uma tarde de descanso. Uma tarde de descanso ... depois de uma bela pizza para cada um n'A Casa do Gato, um local extraordinariamente acolhedor e dos mesmos donos do Albergue Lalín Centro, onde fomos mais uma vez os únicos peregrinos a pernoitar. E como a chuva faz falta ... o Universo descarregou chuva bem caída durante grande parte da tarde. O jantar ... foi n'A Casa do Gato 😋
Hoje ...
deu direito a tudo... 😉
O Universo estava a ligar de uma forma fulgurante estes dois peregrinos, para quem o Caminho pensado a solo se tinha já transformado num Caminho a dois. Ao longo desta 8ª etapa e da tarde passada em Lalín ... as nossas Vidas foram-se revelando ... Sonhos ... Paixões ... ilusões ... desilusões ... "aventuras" vividas ... o meu Caminho Inca ... tudo. É assim o Caminho! 💖 Obrigado Universo!
Lalín, 10.Março.2022, 7h55 - Homenagem ao povo mártir da Ucrânia, junto ao monumento ao aviador Joaquín Loriga
10 de Março, quinta feira. A etapa estava prevista para ser pouco maior que a anterior. Às 7h30 estávamos a tomar o pequeno almoço numa pastelaria próxima do albergue; só começámos a caminhar cinco minutos antes das oito horas, com o Sol a nascer escondido por trás de muitas nuvens.

Passeio fluvial do Rio Pontiñas, Lalín, 8h25 - Mais um Despertar dos Mágicos...
Em Lalín o Caminho começa por um belíssimo troço de pista pedonal e ciclável que acompanha o Rio Pontiñas. 6 quilómetros depois estávamos em A Laxe, onde o Caminho de Inverno entronca na Via da Prata e Caminho Sanabrés ... o que quer dizer que, a partir dali ... eu estava no Caminho já percorrido. Em 2019 - no tempo de uma ilusão - cheguei também a A Laxe, vindo ... de Vale de Espinho.

À semelhança de 2019, um dos troços mais mágicos desta etapa é na zona da Ponte de Taboada, sobre o Deza
Pela ruralidade de Trasfontao, chegámos a Silleda e à sua Igreja de Santa Baia, ou seja ... Santa Eulália. Um pequeno reforço alimentar ... e prosseguimos a jornada, rumo a Bandeira.
Igrexa de Santa Baia de Silleda ... no mundo rural e natural antes e depois da cidade
Sob a AP-53, entre Silleda e Bandeira, 12h50 - Um viaduto com os símbolos do Caminho
Pouco depois estávamos em Bandeira, com 23 km percorridos. Pouco antes, eu lançara um desafio à minha companheira de Caminho: "E se fôssemos até Ponte Ulla?". De Bandeira a Ponte Ulla são 14 km, o que igualaria os 37 km da maior etapa do Caminho ... mas pouco passava do meio dia ... e avançar para Ponte Ulla permitiria chegar a Santiago na 6ª feira em vez de sábado! A Stella animou-se com a ideia. Em Ponte Ulla poderíamos ficar na minha velha conhecida Pensión Juanito ... mas um simples telefonema revelou que infelizmente fechou. A única alternativa seria portanto o Albergue O Cruceiro de Ulla, mas não conseguia telefonar. "Só mais uma tentativa", dizia-me a Stella ... "se não der ficamos aqui em Bandeira". E da tentativa seguinte ... resultou fazermos 14 km em menos de 3 horas!

A tarde estava razoável ... e o avanço decidido em Bandeira levou-nos ... a ver o "meu" Pico Sacro um dia antes💖
(O Pico Sacro é o pico apontado aos céus, ao fundo, esbatido na névoa, na foto inferior)
Ponte Ulla, 16h40 - Que forças, que magia, nos atraem?...
(Clique na foto para ver o álbum completo)

Antes das cinco da tarde estávamos em Ponte Ulla e no Albergue O Cruceiro. Estávamos a 21 km do campus stellae; no dia seguinte chegaríamos a Santiago! Tínhamos feito 14 km em menos de 3 horas ... e transformado a etapa na maior deste Caminho, com 37,2 km.
É assim o Caminho💖! Obrigado Universo!

(Escrito e publicado em casa, em 16.03.2022)

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segunda-feira, 7 de março de 2022

De Ponferrada a Santiago, pelo Caminho de Inverno (2)

Do vale do Sil ao vale do Minho, pelo coração da Ribeira Sacra

No passado dia 4, ao escrever a crónica dos primeiros três dias do meu Caminho de Inverno, no Albergue de Vilamartín de Valdeorras, não fazia ideia de quando escreveria a crónica seguinte.
À entrada de A Rúa, 5.Mar.2022
Já faltavam menos de 200 km...
"Quando o Caminho me disser; até pode ser só quando chegar a casa...". E como o Caminho nunca é o chão que pisamos ... não voltei a escrever durante os dias intensos que se seguiram.
Saí de Vilamartín antes das oito da manhã do quarto dia de Caminho, rumo a A Rúa de Valdeorras. O Sil já me acompanhara quase sempre, mas agora entrava no coração da Ribeira Sacra, rica região vinícola do sudeste da Galiza, estendendo-se pelo norte da província de Ourense e sul da província de Lugo, delimitada pelos rios Sil e Minho ... e cantada pelos Luar na Lubre.
Igreja de Nossa Senhora de Fátima em A Rúa, 9h10
Um merecido pequeno almoço em A Rúa,
num bar com frases bem verdadeiras
A Rúa de Valdeorras, com o rio Sil em pano de fundo
Embora por estradas secundárias, a quarta etapa teve muito alcatrão ... pero tamén moitos recunchos fermosos 😊. O Caminho atravessa parte do geoparque das Montañas do Courel ... e a neve lá estava, nalguns cumes mais elevados. Foram-se sucedendo pequenas aldeias desertas, como Os Albaredos, Montefurado e O Ermidón, testemunhas de um Tempo varrido pelo tempo; mas ... até gnomos dos bosques surgem neste troço ... e cestas com fruta para os peregrinos! 🙂
Meandros do Sil a seguir a A Rúa
Geoparque das Montañas do Courel ... com neve nos cumes
Os Albaredos: não há gente ... mas há apoio para os peregrinos!
E em Os Albaredos ... do bosque surgem gnomos fantasmagóricos...
Descida de Os Albaredos para Montefurado
Montefurado, 11h50 ... mais uma aldeia perdida num Tempo sem tempo...
E continuo a descer de regresso ao vale do Sil, que neste troço corre para norte, entre Montefurado e Bendilló
O meu Caminho continuava completamente a solo. Outros peregrinos ... se os havia não os encontrava. Pouco depois de uma das aldeias desertas, creio que de O Ermidón, cruzei-me contudo com uma senhora, talvez mais idosa do que eu. "Bos días", claro que dissemos; e eu acrescentei, brincando, que Santiago era no sentido contrário ao dela. Respondeu-me sem qualquer hesitação: "Sei. Eu xa fun e estou de volta"...! Histórias do Caminho; àquela senhora não a desarmam... 😂
13h30 - Moinho de azeite de Bendilló
O Soldón, de novo nas margens do Sil ... e onde fui pastor por uns minutos...
Na primeira etapa que passava dos 30 km, a tarde ia começando. Um sítio para almoçar? "Neste pobo non hai nada", diziam-me as poucas almas que via. Felizmente ... ainda tinha cubos de marmelada 😄

Castelo e aldeia de Os Novais, num troço bem bonito desta etapa entre Vilamartín e Quiroga
E às 15h55, numa volta do Caminho, tinha Quiroga à vista
16h20 - Entrada em Quiroga, com 33 km percorridos desde Vilamartín de Valdeorras
O excelente Albergue Municipal de Quiroga
Quase às quatro e meia da tarde, estava a entrar em Quiroga, maior do que eu supunha. A etapa tinha sido a maior até então, 33 km percorridos, com muito alcatrão e bastante desnível, mas também com recantos paradisíacos. Central, o Albergue Municipal foi um paraíso, com quarto privativo e WC privativo ... por 12 €! E outro paraíso foi o restaurante e bar Chapakuña, quase nas traseiras do albergue ... onde fiz a segunda refeição normal nos primeiros quatro dias de Caminho.
Embora na altura não o soubéssemos, o Albergue de Quiroga foi um ponto chave do meu Caminho ... e no de mais alguém. Estava eu a acabar de me registar, quando chegou uma peregrina brasileira. O(a) segundo(a) peregrino(a) em 4 dias de Caminho. Na altura apenas ficámos a saber que estávamos ambos a percorrer o Caminho de Inverno e que tínhamos saído de Ponferrada no mesmo dia ... mas nem o nome um do outro soubemos. Mais tarde viríamos a concluir que ambos fomos jantar ao Chapakuña, mas não nos encontrámos mais nesse dia, nem no dia seguinte.
O Despertar dos Mágicos, próximo de Nocedo, na margem direita do Sil, 6.Março.2022, 8h25
E o dia seguinte era suposto ser, no meu planning, a maior etapa do meu Caminho de Inverno: 37 km, de Quiroga a Monforte de Lemos, capital da Ribeira Sacra. A meteorologia, exceptuando o segundo dia, estava-me a dar um clima mais primaveril do que invernal. E esta era também a etapa em que começava a transição do vale do Sil para o vale do Minho, ou seja da Ribeira Sacra Ourensana para a Ribeira Sacra Lucense, mais a norte, começando pela subida à singela Capela dos Remédios, pouco antes de O Carballo de Lor. A poente, percebia-se o vale do Lor, afluente do Sil.
Capela dos Remédios, nos Montes de Lor ... onde encontrei
o testemunho peregrino do Claudio, o italiano da primeira etapa
Ponte medieval de A Barxa do Lor, um recanto paradisíaco num dia ... primaveril
No vale do Lor, na zona de A Barxa, o Caminho de Inverno faz uma ampla curva para noroeste, ligando aquele aos vales dos rios Saa e Cabe, rumo a Monforte de Lemos. A extensão da etapa e o permanente desnível eram amenizados pela beleza da paisagem ... e pela luz ... ou A Luz...
     A Barxa do Lor ... será a luz ... ou A Luz?...
     Seja ela qual for ... senti-me ali iluminado ... inspirado ... motivado...
A Pobra do Brollón, nas margens do rio Saa
Monforte de Lemos, 16h30 - Estava a terminar a quinta e maior etapa do meu Caminho de Inverno
Na capital da Ribeira Sacra, fiquei alojado na Pensión Miño, já que o albergue só abre em Abril. Uma boa unidade, a preço peregrino. Mas algo aberto para jantar ... só tarde e caro; e por isso a solução foi umas compras no supermercado ... para o jantar no quarto e o pequeno almoço do dia seguinte.
O Claudio, italiano conhecido logo na primeira etapa, sabia que fazia jornadas longas e já estava em Chantada. Da peregrina brasileira conhecida por breves minutos em Quiroga, nenhuma notícia; a partir do dia seguinte, contudo ... tudo seria bem diferente... 😃
Monforte de Lemos, 7.Março.2022, 7h35 - Ponte sobre o rio Cabe
Menor do que a anterior, na 5ª etapa saí apesar de tudo antes do nascer do Sol, já que Monforte de Lemos é relativamente grande e a previsão era de bom tempo. E assim, iniciei a travessia da Ribeira Sacra Lucense, rumo às terras do nosso rio Miño; o Sil já ficara para trás, desagua no Miño bem mais a sudoeste. E a manhã desta segunda feira acordou bem fresca, com os campos geados.
Despertar dos Mágicos próximo de Moredacom os campos bem geados
Pequeno almoço campestre, através dos tapetes
mágicos de uma Galicia máxica
Em subida gradual, próximo da aldeia com o curioso nome de O Camiño Grande começo a perceber o vale do Minho à minha esquerda. E a indicação de um miradouro com o apelativo título de O Cabo do Mundo alimentou-me o desejo de vir mostrar partes deste meu Caminho à minha estrelita raiana, como tenho feito em relação a pelo menos alguns dos Caminhos anteriores.
De novo através de uma zona eminentemente rural, as poucas e pequenas aldeias estavam despovoadas, mas em Montecelo um simpático ancião, além dos "Bos días", meteu alguma conversa comigo, acabando por me dizer que há coisa de meia hora passara também uma peregrina. "É capaz de ser a brasileira de Quiroga", pensei logo, já que não tinha encontrado mais quaisquer peregrinos. Sabia que esta era a etapa com uma descida e uma subida mais radicais ... mas acelerei o passo; era o Universo a dizer-me ... que o Caminho ia deixar de ser a solo...
Próximo de Fión e do Miradoiro do Cabo do Mundo, percebendo-se já o vale do Rio Miño (Minho)
Descida para Belesar e para o Rio Minho ...
mas as fotos não ilustram a dificuldade da descida
Em Belesar cruzei o Minho ... e vi alguém a iniciar a subida da margem direita, de mochila às costas. Só podia ser a peregrina que o ancião de Montecelo tinha visto passar. Comecei a subir a bom ritmo, numa das curvas do Caminho ela apercebeu-se também de que havia um peregrino a "persegui-la", esperou ... e podemos dizer que aquele momento marcou o início de unha conexión máxica, naquel recuncho máxico ... dunha Galicia máxica... 💖. Obrigado, Universo!
O encontro de dois peregrinos a solo ...
para um Caminho que passou a ser a dois 💖
Logo ali nos apresentámos, logo ali houve magia ... a começar pelo próprio nome: Stella ... estrela ... no Caminho das Estrelas. Tínhamo-nos visto apenas por minutos em Quiroga, mas o nosso Caminho a solo ... passou a ser a dois. Encontros mediados pelo Caminho ... a caminho do Campus Stellae 🙏
Ainda o vale do Rio Miño (o "nosso" Minho). Dir-se-ia que estávamos no Douro ... mas é a Ribeira Sacra Lucense
Polos camiños máxicos dunha Galicia máxica...
Chantada, 15h10 - Contrariamente ao habitual, a Igreja
estava aberta e entrámos ... talvez em agradecimento🙏
Chegámos a Chantada pouco depois das três da tarde. A Stella já havia reservado dormida e eu iria alojar-me no Albergue "A Pousa do Asma" ... mas o albergue pareceu-me mais um bunker ... e para bunker já chegam as trágicas notícias da guerra na Ucrânia.
O rio Asma à entrada de Chantada
(Clique para ver o álbum completo de fotos)

E aliás, por 18 € no bunker, preferi pagar 20 € no Hostal Gamallo, modesto mas onde fiquei bem instalado. Mas ... claro que combinámos encontrar-nos, os dois peregrinos. Entre duas cervejas, durante a tarde ... a Stella disse-me que eu lhe tinha dado uma lição de Caminhos ... e de Vida 😊. Escrevi nesse dia no facebook: "Se amanhã estaremos juntos ... o Caminho o dirá!" ... e o Caminho disse-nos que estaríamos juntos até ao final ... e muito para além do final, se o Universo assim o quiser. Ultreïa!

 
(Escrito e publicado em casa, em 16.03.2022)

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