terça-feira, 12 de maio de 2026

Do sal da Costa Alentejana... 🛫 aos bosques e campos da Turíngia

Em Julho de 2022, aterrámos pela terceira vez na Turíngia (ex-DDR), por conta de termos um sobrinho ali radicado. Lembro-me de escrever, então, que a 2200 km de casa estávamos a menos de mil km da guerra... uma guerra que vozes loucas apregoariam vir a resolver em 24 horas.
Passaram-se quatro anos... mas as guerras continuam a ceifar vidas, e o mundo, lançado num caos cada vez mais incerto e tenebroso, parece ter perdido definitivamente o norte😥. Por isso — e precisamente porque o amanhã é um desenho mal traçado — voltámos a voar para Berlim e percorremos as pouco mais de duas centenas de quilómetros até à pequena e pacata cidade de Bürgel, perto de Jena. Como escrevi na altura... o presente é o que realmente conta!
Don't dream your life... live your dreams
30.04 e 01.05.2026 - Uma semana antes da partida,
à Costa Alentejana, entre Porto
um passeio tipo viagem-relâmpago levou-nos contudo
Covo e a Zambujeira do Mar
Foz do Mira em Vila Nova de Milfontes, 01.05.2026: fronteira e espelho entre as águas doces e o sal do Atlântico...
Nesta viagem-relâmpago, cruzámo-nos com as centenas de caminhantes que dão vida à Rota Vicentina, hoje uma das redes de trilhos mais emblemáticas de Portugal, ligando Santiago do Cacém ao Cabo de São Vicente... e cruzámo-nos também, na Zambujeira do Mar, com as memórias de quando a minha menina tinha 16 anos. Bem... agora poucos mais tem... 🤔🫣😝
Foi o último fôlego de mar, antes de irmos ao encontro do coração da Europa. Antes das dez da manhã de quinta feira, 7 de maio, estávamos a sobrevoar a Europa, a caminho de terras germânicas.
Bürgel, 09.05.2026, 09h05 ... à partida para uma bela jornada pedestre
A estadia ia ser curta: apenas 3 a 4 dias. Mas, à semelhança de 2022, havia um imperativo ao qual eu não queria faltar: o de dar corda às pernas... e encher a alma e os pulmões de verde e amarelo... 🌿🌼
A minha intenção era ver nascer o Sol, mas ele teimou em jogar às escondidas, camuflado atrás de nuvens cinzentas que, logo no dia da nossa chegada, descarregaram bastante água cá para baixo. Nestas alterações climáticas que já ninguém consegue decifrar, o sábado e o domingo acabariam por ser os dias mais risonhos. E foi precisamente o sábado o eleito para uma incursão a solo, mergulhando no silêncio dos bosques que abraçam a pequena cidade de Bürgel.
Igreja / Mosteiro de Thalbürgel e o respectivo klosterteich, o lago do Mosteiro... ou seria uma pintura realista?...
Há 4 anos tinha ido ver nascer o Sol nas searas a norte de Bürgel. Desta vez, porém, seduziram-me as colinas a sudeste. É uma zona de relevo mais acentuado, dominada por bosques densos onde o verde pulsa com uma intensidade e uma vivacidade que parecem desafiar o olhar. A paisagem surge pontuada pelo charme das pequenas cidades de Thalbürgel, Ilmsdorf e Waldeck.
             
             
Em Waldeck, este belíssimo grafiti funciona como um
manifesto visual: capta com perfeição a simbiose entre
a comunidade e a Natureza, revelando ao mesmo tempo
o profundo respeito que estas gentes nutrem
pela terra e pela cultura que as rodeia.
Waldeck, 10h25... no bucólico de uma cidadezinha rural
             
             
             
             
             
             
Para esta minha "peregrinação" a solo, tinha desenhado um percurso de sensivelmente 18 km — uma distância que, sem contratempos, encaixaria nas quatro horas de folga até ao almoço familiar. Mas, às vezes, os trilhos têm vontade própria. Entre a herança da chuva persistente dos dias anteriores e a manifesta desactualização dos mapas, o meu velho Locus insistia em mostrar-me caminhos que a Natureza já tinha reclamado para si. Perante o mato cerrado de uma ladeira íngreme, onde o trilho desaparecia, preferi rodear o obstáculo e acelerar o passo sempre que o terreno permitia, numa corrida contra o cronómetro... e a favor do apetite 😂
Às 11h25 tinha 12 km percorridos. Felizmente o piso e o declive melhoraram... sabia que ainda me faltariam cerca de 8 km...
Mais à frente, entre Hermsdorf e Trotz, encontrei esta Pousada "dos Três Bodes Cinzentos"
- An den drei grauen Ziegenböcken; apetecia ficar...
A partir da Pousada dos Três Bodes, a paisagem mudou completamente. Saí dos bosques para os prados e searas... e para o espectáculo vibrante dos vastos campos de colza (Brassica napus). É um mar de amarelo eléctrico que se estende até ao horizonte. O cultivo da colza domina estas planícies, destinando-se à produção de óleos — de mesa e para a indústria — e ao biodiesel. Naquele momento, porém, era apenas a cor, intensa e absoluta, a ditar o ritmo do meu olhar... e do meu passo acelerado.
Serba, mais uma bonita povoação campestre...
rodeada de pastagens e campos de colza
São hectares e hectares de um amarelo intenso e eléctrico
E às 12h50 regresso a Bürgel... com 20 km nos pés em menos de 4 horas... 🙆
Que bela e intensa jornada vivi... mereci bem o almoço 😂
Mas se no sábado a caminhada foi a solo... no domingo foi a três, embora mais curta, na colina da já nossa "velha conhecida" Fuchsturm, a torre da raposa, debruçada sobre a cidade de Jena.
Entrada para a Fuchsturm, 10.05.2026, 10h40
Três caminheiros... numa mini caminhada de 5 km à volta da Fuchsturm de Jena, 10.05.2026
E se em 2022 o último fôlego da digressão foi dedicado a Berlim... desta vez o destino eleito foi Dresden. A logística exigia precisão cirúrgica: com o voo de regresso a Lisboa marcado para umas madrugadoras oito horas da manhã, o plano não dava margem para erros. Saímos de Bürgel na manhã do dia 11, durante a maior parte do dia trocámos as searas pela imponência barroca de Dresden - a Florença do Elba - e, ao cair da tarde, rumámos a Berlim. O "porto de abrigo" final? Um hotel estrategicamente plantado mesmo em frente ao aeroporto! Assim... tínhamos o despertador a garantir que a Odisseia terminava a horas 😆
O Elba em Dresden, 11.05.2026, 12h10 ...
... e o Tejo à chegada a Lisboa, 12.05.2026, 10h35

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