Bem-vindos a uma experiência sensorial única. Esqueçam o Algarve dos
postais de praia; estamos prestes a desbravar o maciço ígneo de Monchique,
onde a biodiversidade e a geologia contam histórias milenares.
Era com esta promessa que abria o preâmbulo da documentação preparada
pelos organizadores de mais um capítulo da história dos
Caminheiros Gaspar Correia. Previa-se um fim de semana quente — o termómetro não enganava — mas o
verdadeiro calor vinha da Amizade que cimenta a 'família gasparita'. No
pelotão habitual de amigos, lá estava a minha 'pequena arraiana', os nossos
'manos velhos' mais antigos, e, a dar aquele seu toque de poesia, mais uma vez
também a 'raposita' Madalena. Em boa hora decidiu adoptar estas hostes... e em
melhor hora foi adoptada por elas. 💞
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Monchique, 18.04.2026, 11h20 - Depois de uma viagem desde
Lisboa, ia começar "uma experiência sensorial única
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O percurso de sábado começou na "Sintra do Algarve", seguindo o
PR7 MCQ, o
Trilho das Hortas, num anfiteatro de socalcos que mergulham na ruralidade autêntica, até à
aldeia de
Pardieiros.
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Na ruralidade da Serra de Monchique, rumo a Pardieiros
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A previsão de calor ia-se confirmando. O sol decidiu abraçar o maciço ígneo e,
à medida que o ar ficava espesso, as subidas pareciam duplicar de extensão e
de inclinação. Pouco depois do almoço, a minha 'guerreira' acusou o esforço...
mas o caminho não se faz apenas de ritmo, faz-se também de presença. A
generosidade deu um passo em frente quando a presença de um local se cruzou
connosco, mostrando que neste mundo ainda há gente boa e tornando possível
transportar duas 'manas' até ao local onde o autocarro recolheria o grupo. Um
gesto simples que, naquele momento, valeu mais do que qualquer trilho
perfeito.
Antes das quatro da tarde já as hostes se reuniam em Alferce. O bar à
entrada deve ter visto o stock de 'loirinhas' a chegar ao fim, enquanto
recuperávamos o fôlego para o que aí vinha. É que ainda havia uma segunda
parte da jornada (que, por razões óbvias, já nem todos abraçaram): o
Barranco do Demo. Só o nome já impunha respeito.
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Silves foi a cidade escolhida para a pernoita... nestas
fotos das 20h00 de sábado e das 08h00 de domingo
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Se o sábado foi dedicado às hortas, aos vales e aos barrancos demoníacos... o
domingo foi reservado às alturas. A
Fóia, com os seus 902 metros de
altitude, é o soberano ponto mais alto da Serra e de todo o Algarve. A
ascensão faz-se a partir da estrada, ligeiramente a poente da vila de
Monchique; e o gráfico não enganava: vencemos quase 300 metros de desnível em
apenas 1,6 km.
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Os heróicos conquistadores da Fóia de Monchique (902m alt.) -
19.04.2026, 10h15
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A subida à
Fóia é, de facto, daquelas que nos obriga a trocar as
palavras pelo fôlego, mas que nos recompensa com a sensação de termos o
Algarve inteiro a render-se aos nossos pés. Apenas uma vintena de 'gasparitos'
se atreveu a encarar o desafio e a conquistar o cume passo a passo; os
restantes... bem, os restantes também subiram, mas no conforto do autocarro e
por um caminho, digamos... menos 'vertical' 😂. A nossa jovem 'raposita' claro
que subiu galhardamente 😊
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"Centro Comercial" e geodésico da Fóia... anacronicamente
barrado aos caminhantes...
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A
Fóia guarda efectivamente uma ironia digna de um guião surrealista.
No ponto onde o Algarve atinge o seu apogeu, o acesso ao marco geodésico é
proibido, encerrado dentro de uma área militar delimitada. A escassos metros
da glória, só pudemos contemplar o vértice através da vedação. É o paradoxo de
Monchique: conquistamos a montanha, mas o topo oficial é território reservado.
Valeu-nos a vista imensa, que essa, felizmente, ainda não precisa de
autorização militar para ser desfrutada.
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Mas fomos brindados, na Fóia, pela presença de fabulosos
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exemplares de rosa albardeira (Paeonia broteroi)
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Onde o Algarve abraça o horizonte. Entre o azul do céu e o mar, ao
fundo... houve quem jurasse ver Marrocos, a Madeira, as Canárias! A
Fóia tem destas coisas: quanto mais alto subimos, mais longe a
vista (e a imaginação) alcança! 🌊🌍
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Pouco depois das onze da manhã estávamos a descer da
Fóia para leste,
agora com a família 'gasparita' reunida e completa. Tal como no dia anterior,
parte do percurso corresponde a um troço da
GR13, a "
Via Algarviana", mas cruzada a Ribeira de Monchique inflectimos para sul. O objetivo era a
estrada Monchique - Fóia, onde terminámos a jornada a cerca de 600 metros do
ponto onde a havíamos começado... mesmo a tempo de o estômago reclamar o seu
direito ao almoço.
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No reino das cores e do ar puro, à medida que descemos a Serra
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E descemos a Serra... até ao merecido almoço e "fim de festa", para o
regresso de mais um episódio da vida dos
Caminheiros Gaspar Correia
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Caminhada da Fóia (clique para ver no
Wikiloc)
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A
Teresinha
recebeu-nos para o repasto final; pelo menos é esse o nome do restaurante que
os organizadores haviam seleccionado, onde as calorias perdidas no Barranco do
Demo e na ascensão à Fóia foram devidamente (e alegremente) recuperadas. Mais
do que um almoço, foi a nossa festa de encerramento; um momento de comunhão,
como sempre, onde as histórias do fim de semana foram partilhadas entre
brindes e gargalhadas. Com o estômago reconfortado e a alma cheia pelo calor
da amizade, iniciámos o regresso à 'capital do império'. Na bagagem trazíamos
o cansaço bom das subidas, o orgulho da nossa 'raposita' Madalena - cada vez
mais 'gasparita' de gema - e a certeza de que Monchique, com os seus trilhos
ígneos e gentes generosas, ficará gravado na memória de todos.
Até à próxima fraga!... 🙋
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