domingo, 10 de janeiro de 2021

Crasto de Campia ... ou onde se cruzam histórias e paixões...

Crasto de Campia, 7.Janeiro.2021, 16h50
Quando o Universo e uma amiga comum que partiu cedo demais juntam dois casais ... com histórias comuns de vidas e paixões ... nas terras de Crasto de Campia (Vouzela) ... na Raia do Sabugal ... em Clamart (Paris) ... e na Bobadela ... o que resulta? Resulta um grande brinde à Vida e à Amizade! 🥂
Em 13 de Agosto de 2015, no 3º Encontro de Descendentes e Amigos do Concelho do Sabugal, conheci o Zé Rey e a Marie. Emigrantes em França ... pela vida do Zé Rey passaram várias "aventuras" ... como dois mil quilómetros de bicicleta de Paris a Fátima, em 2012 ... em que entrou em Portugal pela Raia Sabugalense ... pela qual se apaixonou, muito pela mão da saudosa Natália Bispo, da então "Casa do Castelo".
O Anjo da Guarda do Crasto, 7.01.2021
A distância não permitiu um convívio assíduo, mas os contactos pelas redes sociais criaram laços e afinidades que perdurariam até hoje. A 29 de Abril de 2019, o Zé Rey e a Marie foram propositadamente ao meu encontro em Lamego, durante o meu Caminho Vale de Espinho - Santiago de Compostela; aliás ... também eles tinham sido contagiados pela magia dos Caminhos de Santiago. E em Janeiro de 2020 brindaram-nos com uma pequena estadia em nossa casa, na Bobadela. Agora, confinados há cerca de três meses na sua aldeia natal, ali nas faldas da Serra do Caramulo ... convidaram-nos para lhes fazermos uma visita e darmos, com eles, "uma volta pela Natureza". "Tragam as vossas escovas dos dentes, a pasta dentífrica está cá" ... disseram-nos; e como somos descarados ... fomos... 😊
E que Natureza ali fomos encontrar! Porque o convívio também deve fazer parte da Vida, as caminhadas foram curtas ... mas nenhuma caminhada se mede ou permanece nas nossas memórias pelas distâncias percorridas!
A freguesia de Campia situa-se na encosta norte da Serra do Caramulo, encravada entre os rios Alcofra e Alfusqueiro, com o vale do Vouga a norte, onde o horizonte se perde na Serra da Arada. Nos dias até agora mais frios deste Inverno - em que rezamos pelo amenizar da pandemia que há quase um ano nos assola - os nossos anfitriões levaram-nos aos cantos e recantos onde a beleza natural se perde nas memórias das suas histórias de vida ... e de trabalho.
Ermida da Senhora de Fátima do Crasto
Quando se juntam dois casais ... com histórias comuns de vidas e paixões...



Descendo ao encontro do rio Alcofra, o Zé e a Maria levaram-nos ao sítio do Moinho Velho ... um autêntico paraíso onde as águas límpidas cantam com a força da corrente. Mas ... ainda estão bem vivas as memórias dos incêndios de 2017... 😢
Rio Alcofra, no sítio do Moinho Velho, Crasto de Campia, 8.Janeiro.2021, 11h20
De regresso ao Crasto
Na Torre de Vilharigues, sobre Vouzela, com a Serra da Arada e o Maciço da Gralheira ao fundo
Depois de um pequeno percurso a pé, na tarde de sexta feira fomos ainda às torres medievais de Vilharigues e de Alcofra, com passagem por Vermilhas, aldeia serrana com duas particularidades: é a aldeia natal de uma nossa "mana velha" ... e é Caminho de Santiago!
Vermilhas ... no Caminho de Santiago!

O Caminho de Santiago do Caramulo e Vale do Vouga nasceu há uns anos por iniciativa dos municípios de Vouzela, Oliveira de Frades, Sever do Vouga, Tondela, Albergaria-a-Velha, Águeda e Viseu, ligando o Caminho Central ao Caminho Português do Interior. Pensei percorrê-lo em 2018 ou 2019 ... mas concluí infelizmente que caiu no esquecimento; sem quaisquer infraestruturas a funcionar, nenhum dos municípios respondeu sequer às minhas diversas tentativas de contacto! Pode ser que um dia, quem sabe...
Sábado de manhã, o Zé Rey e a Marie levaram-nos, em segundo pequeno percurso pedestre, ao Cruzeiro da Independência, em Campia. A panorâmica roda 360º em volta ... mas o muito frio e o muito vento fez-nos descer rapidamente, em direcção à aldeia de Rebordinho e ao Castro do Cabeço do Couço, dominando o vale do Alcofra e a aldeia do Crasto, à qual regressaríamos para o almoço ... e para uma bela tarde de convívio ... enquanto grande parte da Península ficava sob o manto branco da neve!
No Cruzeiro da Restauração da Independência, Campia, com panorâmica de 360º, 9.Jan.2021, 10h35

Rumo ao Cabeço do Couço e às ruínas do respectivo castro, numa manhã gélida,
em que grande parte da Península ficava debaixo de neve!
Vista do Cabeço do Couço sobre Crasto de Campia
Ruínas do Castro do Cabeço do Couço
De regresso a Crasto de Campia, 12h40
O pequeno percurso da manhã de sábado
(Clique no mapa para ampliar ou aqui para ver no Wikiloc)
E domingo ... tínhamos de regressar. Foram apenas dois dias, que souberam a pouco, mas que despoluíram corpos e mentes ... e que consolidaram esta amizade nascida do cruzamento de histórias e paixões. O mundo rural ... as aldeias ... pelas quais me apaixonei há meio século ... antes mesmo de uma certa aldeia raiana ter passado a fazer parte da minha Vida ... a Natureza ... os Caminhos de Santiago ... os valores da sã alegria de Viver e conviver ... paixões e histórias que se cruzaram nos caminhos desta ligação. Obrigado, Zé Rey e Marie, muito obrigado! O próximo "episódio" ... vai ser seguramente na Raia Sabugalense... 😊

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Pela Rota das Lapas, em terras de Matacães

PR3 TVD ... com derivações...


 
O PR3, Rota das Lapas é um percurso circular, com início e fim em Matacães, concelho de Torres Vedras. Para o pequeno grupo que se tem reunido para dar à sola ... foi o percurso proposto para iniciarmos as "aventuras" deste novo ano de 2021 ... a que bem poderemos chamar o Ano da Esperança ... o ano do gradual retorno à desejada normalidade... 🙏!
Igreja de Nª Srª da Oliveira, Matacães, 5.Jan.2021, 8h55
Às nove da manhã reunimo-nos assim em Matacães. O curioso topónimo está relacionado com as guerras da Reconquista Cristã: depois da conquista de Torres Vedras, os cristãos caíram em cima dos mouros gritando "matem esses cães, matem esses cães! " ... e assim ficou o nome Matacães. Muito mais tarde, por volta de 1500, ali terá existido uma grande e única oliveira, na qual apareceu uma imagem de Nossa Senhora, pelo que se construiu a actual Igreja de N.ª Sr.ª da Oliveira. Para a população, no entanto, as folhas da oliveira, ou mesmo a madeira que a constituía, tinham algo de milagroso: fervidas em água, seriam infalíveis para várias doenças. A excitação popular foi tanta que, pouco tempo depois, a oliveira encontrava-se completamente despida, pois as pessoas colhiam as folhas para tentar a cura das suas maleitas.
Sobranceiro a Matacães, o Monte do Calvário, que deixaríamos para o final da caminhada
Pela Fonte da Pipa, rumámos à aldeia de Ribeira, junto à ribeira de Matacães, ou Ribeira do Sangue, topónimo mais uma vez ligado às guerras da reconquista Cristã. Seguiu-se a Serra de S. Julião e a aldeia de Zurrigueira. O dia começara bastante frio, mas o Sol logo aqueceu os corpos e as almas.
Marco de Reguengo e
Fonte da Pipa, Matacães
Subida à Torre de Vigia
da Atalaia (314m alt.)
Pelos belos campos do Oeste, numa manhã de frio mas de um Sol forte e colorido!
Geodésico da Achada (293m alt), sobre a aldeia de Monte Redondo
Agora ... era preciso descer...
Por entre eucaliptais, terras cultivadas, vinhas e pomares a confundirem-se numa paisagem rural e quase virgem, fomos avançando pela Serra da Achada, ou da Atalaia ... da qual era preciso descer. A lama ... não ajudava muito... 😋

A épica descida para Monte Redondo e para a Quinta das Lapas
O almoço foi à porta da Quinta das Lapas, junto à aldeia de Lapas Grandes, que dá o nome à rota. É uma das mais belas quintas da região, classificada pelo IPPAR como imóvel de interesse público. Funciona actualmente como centro de recuperação de toxicodependentes. As casas e jardins representam um dos exemplos mais significativos da arquitetura civil barroca, inspirada em modelos eruditos do renascimento italiano.
Quinta das Lapas, 12h30 ... horas de almoço
O regresso a Matacães continuou através de belas paisagens rurais, entre Sarge e Ordasqueira. Já perto do destino, subimos ao Monte do Calvário, para logo descer à EN 575. Antes das duas e meia estávamos nos carros, com uns belos 17 km percorridos ... os primeiros do Ano da Esperança. Que a Esperança nunca morra!

Verdes são os campos ... e pelo meio dos verdes campos subimos à Ermida do Senhor do Calvário
Panorâmica do Monte do Calvário, com Matacães e a Igreja da Senhora da Oliveira aos pés
De regresso ao ponto de origem, com 17 belos km nos pés
(Clique aqui para ver o álbum completo de fotos)
(Clique aqui para ver o percurso no Wikiloc)