terça-feira, 9 de março de 2021

Do Trancão ... ao Castro de Vila Nova de São Pedro

Que título estranho, dirão possivelmente os leitores. Como estranho é também - principalmente para mim - o facto de há um mês não publicar nenhum artigo nestes meus "instantâneos". Tenho caminhado ... menos de metade do que nos anos anteriores por esta altura 😳😰!
17.Fev.2021, 10h55 - Nos
trilhos ribeirinhos da Bobadela

A culpa é do malfadado vírus, claro. Nos sucessivos estados de emergência e confinamentos ... tenho caminhado o que é possível, permitido, aconselhável; sozinho ou com até uns 4 acompanhantes, no máximo. A minha "família" dos Caminheiros Gaspar Correia ... está parada há um ano ... a maioria ... não nos vemos há um ano ... a não ser e quando muito em "encontros" online. Estranho "mundo covídico" este; mas ... haja esperança! 🙏
Desde a volta ciclista ao Boição e Santiago dos Velhos, há um mês, a necessidade de manter o físico e, principalmente, de manter a mente sã ... levou-me a pequenas escapadelas, nas pequenas parcelas de alguma Natureza que restam à volta dos aglomerados habitacionais da grande urbe. Com a limitação de não poder cruzar concelhos aos fins de semana ... o "dar à perna" com quem ainda está no activo mais complicado se torna. Voltemos portanto ao título deste post: no passado dia 17 de Fevereiro fui ver, com dois amigos, se havia alguma alteração na ex-próximo-futura Frente Ribeirinha do Concelho de Loures, da foz do Trancão ao limite sul do concelho de Vila Franca de Xira. Mas vestígios de concretização daquele vídeo futurista ... nenhum.
Quando passará por aqui o megalómano projecto de Frente Ribeirinha do Concelho de Loures?...

Apesar da cana de pesca ... do lado do Concelho de Loures não se "pesca" nada
(limite sul dos passadiços ribeirinhos do Concelho de Vila Franca de Xira)
Porto de Abrigo da Póvoa de Santa Iria, 17.Fev.2021
Quase três semanas depois, com duas amigas saudosas das caminhadas Gaspar Correia, o Trancão foi de novo o tema, mas para uma volta à várzea do respectivo estuário, da Bobadela à Quinta do Monteiro Mor pelo Caminho de Fátima / Santiago e o regresso pela margem direita até Unhos e Sacavém ... com "selva tropical" à mistura... 🤣

Várzea do Trancão, numa Primavera anunciada, 7.Mar.2021

No meio da "selva tropical", entre a Ponte Américo e Unhos,
na margem direita do Trancão
Entre Unhos e Sacavém, a belíssima Quinta da Boiça faz-nos esquecer que estamos rodeados de urbanismo. Depois ... depois os trilhos que conhecia, mais ou menos marginais e paralelos à estrada ... estavam alagados. Se já tínhamos tido "selva" ... agora tínhamos "pantanal"... 🤣

Ao longo da Quinta da Boiça, entre Unhos e Sacavém ... num dia de Primavera antecipada ...
... mas também através do "pantanal" da margem direita do Trancão
E assim, às três da tarde estávamos de regresso à Bobadela, com praticamente 20 km nos pés, que pode ver no Wikiloc. Deu pelo menos para as duas meninas matarem saudades de uma caminhada...
E hoje, dois dias depois (ou seja a um dia de semana, não confinados ao concelho) ... finalmente afastámo-nos um pouco da grande urbe.
Vila Nova de S. Pedro, 9.Mar.2021, 9h00
Com mais três sedentos de ar livre e na continuação deste prelúdio de Primavera, fomos até terras de Vila Nova de S. Pedro, freguesia da Azambuja agregada às de Manique do Intendente e Maçussa. Situado num planalto a cerca de 100 metros de altitude, com excelente visibilidade, o Castro de Vila Nova de São Pedro é um povoado fortificado do calcolítico, formando uma defesa natural que teria constituído um dos atractivos para as populações que ali se estabeleceram. O povoado é constituído por uma estrutura defensiva central e duas muralhas exteriores, que circundariam a interior. Floresceu entre aproximadamente 2600 e 1300 a.C.. Caracteriza-se pelas fortificações de pedra e uma série de traços culturais específicos que a diferenciam do seu contorno, embora plenamente imersa no megalitismo europeu.

A caminho e no Castro de Vila Nova de S. Pedro
Ao longo dos campos que bordejam a Ribeira de Almoster ... num dia de Primavera antecipada
Aqui finalmente respira-se ar puro ... o cheiro da erva fresca ... o cheiro do pisar da marcela...
Almoçámos numa boa sombra, que o dia já pedia sombras, rumando depois a sul e de novo a noroeste, para Torre Penalva e de regresso a Vila Nova de S. Pedro. Antes das três estávamos nos carros, com 16,5 km percorridos ... e as almas cheias de ar, de convívio, de amizades partilhadas.
Sombras e almoço ... que o corpo também precisa...
De regresso a Vila Nova de S. Pedro
Clique no mapa para ampliar ou aqui para ver
o percurso no Wikiloc
E assim ... estamos quase na Primavera. Esperemos que a Primavera astrológica traga também ... uma Primavera de esperança ... o desabrochar de uma nova era de desconfinamento ... de abraços sentidos e Vividos. Porque...
Nesta noite escura e bretemosa
na que vai camiñando o noso esprito
vese un raio de sol, vese unha rosa
que abrirá, no mencer, novos camiños.

(Fuxan os Ventos)                                                          

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Nos trilhos do Boição e de Santiago ... dos Velhos

O ano de 2020 era para ter sido especial. Pela primeira vez faria dois Caminhos de Santiago ... um deles com a minha "estrela arraiana" ...
O Trancão na ponde do Zambujal
08.Fev.2021, 10h40
comemoraria o meu meio século de "aventuras" de ar livre ... entre outras com a "aventura" do Tour do Mont Blanc. Mas ... nada disso se concretizou; o ano de 2020 foi especial por outras razões ... são as pragas do destino ... ou as "malhas que o império tece". Mas o destino ... às vezes também parece lançar desafios ... e criar surpresas. Saí de casa, hoje, já passava das nove da manhã, montado na bike comprada no confinamento de 2020. E saí sem grandes ideias do que ia fazer. Dar uma volta, disse eu à minha pequena; "se não vier almoçar eu digo", acrescentei. E fui passando os bairros dos vários "Into the light" de 2019 e 2020 ... de Santa Iria desci ao Tojal ... do Tojal comecei a subir o vale do Trancão. Sabia que em Bucelas havia um novo passeio pedonal e ciclável à beira do Trancão ... e fui vê-lo ... e gostei do que vi. É curto (cerca de 2,5 km), mas muito agradável e aprazível. Está em projecto a sua continuação para noroeste, acompanhando o rio ... que só é pena continuar a ter águas ... cor de lama.
Passeio pedonal do Trancão, próximo de Bucelas
O passeio pedonal termina, pelo menos actualmente, junto a uma velha e bela Fonte, em local muito aprazível, abaixo da Quinta dos Melos, entrando-se logo a seguir na estrada N116, Bucelas - Freixial.

Junto à Fonte abaixo da Quinta dos Melos, Bucelas, onde termina actualmente a pista ciclável e pedonal 
Em Bucelas ... e apesar de já ter percorrido o trilho do Boição diversas vezes (sempre a pé) ... rumei uma vez mais às Cascatas da Ribeira do Boição, afluente do Trancão. Previsivelmente, estariam com bastante água, como vim a confirmar ... e vim a confirmar também a imensa lama nos trilhos. A pobre bike - e eu próprio - ficámos em estado deplorável... 😋

Cascatas do Boição ... e
trilhos com "pouca" lama 😁
Vale da Ribeira do Boição, entre Alrota e Santiago dos Velhos
Se bem que a zona não fosse nova para mim ... uma indicação na carta do Locus começou-me a chamar a atenção: Cascata de Santiago! E, não muito antes de Santiago dos Velhos ... aquela cascata revelou-se-me extraordinária, imponente mesmo. Um acesso rústico, certamente viabilizado pelos locais, permite o acesso à base mesmo da cascata ... onde creio que nunca tinha estado. Esta cascata e a própria povoação de Santiago dos Velhos ... foram seguramente um chamamento de Santiago!

Na fabulosa Cascata de Santiago
e nos campos próximos de Santiago dos Velhos
Ao longo da Idade Média, a actual localidade de Santiago dos Velhos foi ponto de passagem para Peregrinos rumo a Santiago de Compostela. Como não havia ofício religioso na Igreja, os habitantes iam todos os domingos aos ofícios divinos da Sé de Lisboa, que não começavam "sem os irmãos mais velhos e que vinham de mais longe", precisamente os irmãos destes campos e desta localidade. Provavelmente daqui veio o topónimo de Santiago dos Velhos.
Santiago dos Velhos vista da estrada para A-do-Mourão
Duas horas da tarde. A ideia era agora regressar à estrada Bucelas - Alverca e atravessar a Serra da Aguieira, extremo nordeste da Serra de Serves, pela Quinta da Portela e os Fortes das Linhas de Torres. E assim foi. Às duas e meia estava no Forte da Portela Grande ... com o Tejo aos pés.

Quinta da Portela, no sopé da Serra da Aguieira

À esquerda a Serra de Serves, debruçada para a várzea de Bucelas e de Vila de Rei 
Panorâmica do Forte da Portela Grande para o vale do Tejo
Forte da Portela Pequeno
Dos Fortes da Portela até à Verdelha, junto a Alverca ... pois ... de novo trilhos enlameados ... e bem inclinados! Num misto de a pé e montado, como já várias vezes antes ... às 15h10 estava nas colunas de Alverca ... e às quatro horas em casa. Uma bela jornada de 40 km, desenhada ao sabor do que foi apetecendo ... e do chamamento de Santiago!
Descida da Serra da Aguieira para a Verdelha de Alverca
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