Depois das "
assombrações" em Sintra, o mês de Agosto não teve mais "aventuras" ... a não ser a aventura de passar 24 horas por dia, em Vale de Espinho, com 3 neto(a)s entre os 3 e os 5 anos...
J.
A sede de caminhar já era portanto muita; ora, dizendo o bilhete de identidade e o calendário que o autor destas linhas ganhou há uma semana o estatuto de sexagenário, porque não correlacionar dois números? -
60 anos ... 60 km...
J!
Em 27 de Abril de 2012 já tinha testado os meus limites, ao ligar a solo a
Malcata à Gardunha. Onde bater esse record e perfazer os "redondos" 60km? Bem ... uma hipótese era ir a pé de casa àquela que, durante a minha meninice e adolescência, foi ... a "minha" praia:
Santa Cruz.
Estudadas as cartas e feita uma "prospecção" à frente do meu velho
OziExplorer, lancei o desafio a alguns companheiros destas lides das grandes jornadas pedestres. Com grande pena minha, nenhum dos que viveram comigo a aventura do
Monte Perdido Extrem estava disponível ... mas três já "velhos" companheiros de várias GRDs responderam ao repto...
J!
E assim ... às seis da manhã estávamos a partir da
Bobadela em direcção ao vale do
Trancão e à
várzea de Loures. É o troço inicial dos caminhos de
Fátima ... ou de
Santiago! O dia começou a clarear pouco antes das ruínas da velha
Quinta do Monteiro Mor, com as primeiras cores do nascer do Sol para os lados da
Granja.
Passado o
Tojal, seguiu-se a subida da margem direita do Trancão, com a aldeia do
Zambujal do outro lado.
Fanhões era a primeira “etapa” … e com 12,5 km percorridos em menos de duas horas e meia … estávamos satisfeitos com a média...
J!
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| 4.09.2013, 6,25h - A "aventura" começou bem de noite... |
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| Ao fundo o Pico da Aguieira |
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| Ruínas de velhas quintas, na encosta fronteira à aldeia do Zambujal (Foto: José Baleiras) |
Uma travessia desta dimensão tinha forçosamente de incluir troços de alcatrão, no entanto procurámos reduzi-los ao mínimo e, a maioria dos que houve, em estradas e caminhos secundários. De Fanhões para
Ribas de Baixo (para a qual curiosamente se sobe...) percorremos a
Serra do Picoto, passando precisamente entre os fortes do Picoto e de Ribas. E em Ribas de Baixo fizemos a primeira curta paragem, para o café matinal. O
Cabeço de Montachique ia ficando a sudoeste, à medida que nos aproximávamos da
Póvoa da Galega, com a linha de chaminés do complexo vulcânico de Lisboa no horizonte.
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| Ao fundo o Cabeço de Montachique |
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| Póvoa da Galega e as chaminés do complexo vulcânico de Lisboa |
Entre
Roussada e
Jeromelo cruzámos a linha do Oeste, descendo depois para a
Ribeira de Pedrulhos. E à metade do caminho, com 30 km percorridos, 5 minutos depois do meio dia resolvemos parar em
Vila Franca do Rosário, para o necessário reforço alimentar.
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| Linha do Oeste, próximo de Roussada |
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| Aldeia de Jeromelo |
Com a
Tapada de Mafra à nossa esquerda, próximo do
Gradil voltámos a passar por duas vezes a
Ribeira de Pedrulhos, para depois rumarmos a norte, para o
Livramento,
Asseiceira e
Poços, próximo de
Freiria.
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| Ao fundo a Serra do Socorro |
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| Paisagens rurais, entre Aboboreira e Freiria |
Um dos troços mais bonitos da caminhada foi a vertente da
Serra de Sarreira para a
Moucharia, já com a linha de costa a perceber-se no horizonte ... e com a brisa do mar a começar a refrescar um pouco uma tarde quente. Uma breve paragem na
Carregueira permitiu-nos breves momentos de conversa com 4 senhoras que descansavam à porta do café ... espantadas quando lhes dissemos de onde vínhamos e para onde íamos...
J! Um pequeno reforço hídrico e alimentar ... e os pobres pés um pouco ao ar...
J!
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| Cumeada da Serra de Sarreira, descendo para a Moucharia |
Passadas as imediações de S. Pedro da Cadeira, chegámos ao
Sizandro, onde ainda há pouco mais de um mês tinha chegado vindo de Torres Vedras. Tal como naquele dia, dali à
Foz acompanhámos os meandros do rio, chegando ao Atlântico vinte minutos depois das seis da tarde, com o espectáculo do pôr-do-Sol no mar a iniciar-se ... e com 55 km nos pés! Pessoalmente, tinha batido pouco antes o meu anterior "record" de distância num dia, os 54 km da
Malcata à Gardunha.
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| Praia da Foz do Sizandro, |
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| 18:20h ... com 55 km já percorridos |
A travessia da
Praia Azul, para o autor destas linhas ... foi a parte mais penosa da caminhada. A progressão na areia, mesmo junto ao mar, não é propriamente o meu forte...; mas a dificuldade era compensada pelo espectáculo do mar e do gradual recolher do astro rei!
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| Travessia da Praia Azul, ante o imponente espectáculo do pôr-do-Sol no mar |
E ... estávamos quase a atingir o objectivo! Na subida ao
Alto da Vela e descida para
Santa Cruz, íamos fazendo conjecturas sobre onde os nossos GPSs iriam marcar os "históricos" 60km...!
Santa Helena, a padroeira de Santa Cruz, abençoou o pouco que faltava ... e agradecemos-lhe o muito que já tínhamos palmilhado!
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| A Praia Azul fica para trás ... |
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| ... e surge Santa Cruz, do Alto da Vela |
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| Obrigado Santa Helena, padroeira de Santa Cruz |
Os 60km aconteceram exactamente em
Santa Cruz, na "minha" velha praia, pouco depois da Torre que é um ícone da pérola do Oeste, ante um espectacular pôr-do-Sol. Sem dúvida ... um momento "mágico"!
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| Santa Cruz: Praia Formosa |
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| Que melhor prenda poderíamos ter, no final desta longa jornada?... |
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| Os 4 "heróis" no momento dos 60 km! |
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| Estava cumprida a "promessa": 60 anos ... 60 km! |
E como todos os momentos mágicos têm um epílogo ... o epílogo foram mais dois quilómetros suplementares, até ao extremo norte de
Santa Cruz ... onde em casa do irmão e cunhada deste carola do pedestrianismo eles e os pais de ambos esperavam os quatro "aventureiros que, 14 horas antes, tinham saído da Bobadela. A missão estava cumprida!
Os números desta "aventura":
Distância percorrida: 61,85 km
Tempo total: 14 horas / Tempo de paragens: 1h 25m / Média de marcha: 4,92 km/h
Desnível acumulado: de subida - 1086m / de descida - 1102m
Aqui fica o meu agradecimento aos meus três companheiros desta simbólica travessia. Obrigado amigos ... e será que de aqui a 10 anos fazemos 70 quilómetros?... J