sábado, 20 de outubro de 2018

Xalmas: do Prado de las Monjas ... às portas do Céu

Em Março passado, 18 intrépidos caminheiros responderam ao meu desafio de conhecerem a montanha que recebeu o nome do deus Vetão das águas - o "meu" Xalmas. Mas, nessa altura … do céu vieram as águas que impediram que completássemos o programa que lhes havia proposto. Subimos ao cume, pelo meio da chuva e nevoeiro, regressámos antecipadamente ao ponto de origem … e logo ali nasceu entre todos a vontade de um take II, acreditando na clemência dos deuses.

Vertente norte do Xalmas, panorâmica desde Los Baldíos, 20.Outubro.2018
Agendado para o terceiro fim de semana de Outubro, para este bisar da actividade de Março inscreveram-se … quase 40 companheiros e companheiras de "aventuras", incluindo as três "manas" que o Universo trouxe aos meus Caminhos. E os deuses, desta vez … brindaram-nos com um fim de semana fabuloso;
34 "aventureiros" próximo do Puerto de Santa Clara,
preparados para uma "aventura" no Xalmas (Foto de Isaura Tavares)
chuva ... só quando já tínhamos terminado!
Tal como em Março, o projecto foi baseado nas minhas "aventuras" a solo de Janeiro de 2014 e de Janeiro de 2017. Cheguei a projectar que a caminhada fosse circular; seriam 30 km de serra, com um desnível acumulado de quase 1500 metros. Nada que não se fizesse, mas para um grupo tão grande seria complicado. Optei, portanto, por deixar alguns carros junto ao cruzamento da estrada Navasfrias/Payo, cortando assim quase 10 km que seriam os menos bonitos, circundando as cabeceiras da cascata da Cervigona e da Ribeira de Acebo. E às nossas oito horas estávamos assim a começar a marcha no Puerto de Perales, no limite entre terras de Salamanca e de Cáceres.

Descida da Jara del Rey desde o Puerto de Perales à
represa do Prado de las Monjas, com o Xalmas ao fundo
Barragem do Prado de las Monjas, na Ribeira de Acebo
Chegados ao vale, o objectivo era agora subir até à antiga "fábrica da luz" e à cascata da Cervigona. Ao longo da senda de los puentecitos foi contudo aumentando o meu receio de que a cascata tivesse pouca água ... mas não pensei que tivesse tão pouca mesmo; nunca a vi numa míngua tão grande 😥
Ao longo do trilho de los puentecitos, rumo à "fábrica da luz"
A cascata de La Cervigona ... transformada
em pouco mais que um fio de água... 😥
A chegada à base da cascata foi um choque. Afinal eu prometera ao grupo uma cascata fabulosa ... e à nossa frente tínhamos pouco mais do que um fio de água. As fabulosas imagens que eu tinha visto, principalmente em Janeiro de 2014 e Janeiro de 2017 ... estavam muito longe da pequena queda de água que tínhamos à frente. Mas pronto, Outubro não é realmente Janeiro; se, quando em Março passado, do céu vieram as águas ... aí sim teríamos tido seguramente a Cervigona em toda a sua imponência ... se as águas nos tivessem deixado lá chegar... 😇
Regressando quase à "fábrica da luz" ... seguiu-se a subida das tuberías que conduziam a água à velha central; cerca de 45 minutos ... a corta mato ... quase de rastos ... e depois em vertiginosa ascensão.
Ao longo da vertiginosa subida das tuberías da
"fábrica da luz" ... numa inclinação de cerca de 46%...
No cimo, o merecido descanso, no que resta dos velhos tanques que represavam a água que corria para as tuberías
Embora ainda nem fosse meio dia, o esforço daquela subida radical levou a uma paragem de mais de meia hora junto à represa que canalizava as águas para a central da Cervigona. A ideia era percorrer as Cabezadas de la Cervigona, à semelhança da minha jornada a solo de Janeiro de 2017. Mas com as linhas de água e a cascata quase sem água ... optei por levar o grupo para a "fronteira" Extremadura / Castela. Já que não tínhamos cascata ... tínhamos a belíssima panorâmica da encosta norte do Xalmas, recuperada do tristemente célebre incêndio de Agosto de 2015.

Ao longo do limite entre Castela e a Extremadura ... com o Xalmas a chamar-nos...
Sensivelmente aos mil metros de altitude, no ponto em que em Março as águas que vieram do céu nos levaram a abortar o restante percurso, iniciámos a subida do vértice do Xalmas. Faltavam-nos 487 metros de desnível ... para chegarmos às portas do Céu.

Subida da encosta norte do Xalmas, rumo à torre de vigia ...
... à velha Nevera ...
e ao cume!
20.Outubro.2018, 14h45 - Cume do Xalmas ... às portas do Céu... (1487m alt.)
Conquistado o cume, antes das três da tarde iniciávamos a descida, pelo percurso que subíramos em Março ... debaixo de chuva e nevoeiro.
Sobre as Torris das Ellas ... contando as histórias de Fernán Centeno
(Foto: Sónia Camponez)
Mas agora tínhamos Sol, deixando-nos apreciar as belas panorâmicas para poente, desde as próximas Torres das Ellas às longínquas serras da Estrela e da Gardunha. Junto a um dos tanques de água desta encosta ocidental do Xalmas ... contei aos meus companheiros as histórias de Fernán Centeno, El Travieso, senhor de Peñaparda, que do seu castelo de Rapapelo (de que não restam vestígios) assolou no séc. XV grande parte destas terras e tomou os castelos das Ellas e de Trevejo.
Ermida de San Casiano ... que em Março nos servira de abrigo da chuva
Descida dos céus, rumo ao Puerto de Santa Clara
Junto à estrada de San Martín de Trevejo, em final de jornada
Pouco depois das quatro e meia estávamos a cruzar a estrada de San Martín de Trevejo; mais meia hora e estávamos nos carros, com 20,5 km percorridos, a alma cheia de belas panorâmicas ... e um pouquinho de aventura 😉. O take II deste "Xalmas ... às portas do Céu" tinha maravilhado as 35 almas que a ele se dispuseram, incluindo a da Mila ... uma autêntica cãominheira 5*****
E como a componente pedestre é indissociável do convívio, da camaradagem, da Amizade ... ao jantar juntámo-nos todos na TrutalCôa ... até porque domingo havia mais "aventuras"...
(Clique para ver o álbum completo)

3 comentários:

Unknown disse...

Como habitualmente, excelente narrativa, descrevendo a nossa "aventura". Bem hajas Zé Calixtto por me,(nos) teres proporcionado um fim de semana muito bem passado.

Anónimo disse...

Bom dia caro amigo, como sempre, mais uma excelente reportagem. Para mim é um voltar a fazer tudo de novo,mas agora com conhecimento de todos os locais por onde passei, com informação de todas as serras e montes à volta.
Obrigado por nos teres proporcionado um fim de semana em cheio, vim de coração cheio.
Abraço.
João J. Fonseca

Raul Branco disse...

Como sempre, reportagens que dão gosto, ler e ver, para mim é uma grande aprendizagem! Um abraço.