domingo, 14 de julho de 2019

Do Gerês a Braga ... ou a magia em forma de Natureza e de Música

Luar na Lubre, Sara Vidal (Espiral), Sebastião Antunes, Galandum Galundaina e outros, juntos no mesmo Festival? Reunidos numa recriação de um Castro Galaico, assente na tradição popular e ligado às nossas raízes galaicas? Imperdível! E porque era imperdível … rumámos a norte na 4ª feira, eu e a minha estrelita, também ela apaixonada por aquelas músicas … também ela galaica 😊

Na Barragem da Caniçada e a sempre bela panorâmica
da Pedra Bela, na tarde quente de 10.julho.2019
Mas, se vínhamos a Braga … tínhamos de ir matar saudades das terras mágicas do Gerês. Por isso viemos um dia antes do Festival e rumámos ao coração daquele paraíso por que um dia me apaixonei. A minha já velha amiga Dorita e o Manuel Monteiro, dedicados de alma e coração ao "Gerês Sem Limites", receberam-nos no seu cantinho "perdido", para na quinta feira a Dorita nos brindar com a sua Alma de Montanhista, nas paisagens sempre imponentes da Serra do Gerês.
Entre Parada do Outeiro e Pitões … nas terras mágicas do Gerês
5ª feira, 11 de julho
5ª feira, o Sol nascia quando saímos de perto de Fafião para a aldeia do Outeiro. A Dorita propôs-nos uma caminhada à medida das capacidades da Eulália … e às sete da manhã estávamos a deixar o carro exactamente onde o deixara há sete anos, quando a donzela ficou a descansar na Estalagem "Vista Bela" e eu fui descobrir, a solo, as maravilhas dos carvalhais do Beredo e do Campesinho.
No meio daquele reino maravilhoso, lá estava, alva, a misteriosa Capela do S. João da Fraga
A Dorita pensara num percurso que também para mim fosse novo. De Parada do Outeiro, subimos ao planalto da Mourela, ainda pela fresca da manhã de um dia que se previa bastante quente … e aquele trilho ia-nos revelando, como que num filme, a panorâmica imponente de toda a Serra do Gerês, dos Carris a Pitões das Júnias. Lá estava a Nevosa, lá estavam os Cornos de Candela, a capelinha do S. João da Fraga, a Fonte Fria, ao fundo, até surgir também a Brazalite, com Pitões aos pés.
A nossa alma de montanhista guia-nos
para o planalto da Mourela ...
… de onde toda a Serra do Gerês se vai abrindo aos nossos olhos
Ao fundo a Fonte Fria, a Brazalite … e a aldeia mágica de Pitões das Júnias
Das muitas vezes que, em tantos anos, já fomos ao velho Mosteiro de Santa Maria das Júnias, a pequena ponte de madeira que ali atravessa o Ribeiro do Campesinho fizera-me sempre desejar um dia explorar o caminho que dela sai. Pois bem … agora chegámos ao Mosteiro precisamente por esse caminho, vindos das alturas da Mourela, de onde descemos àquele recôndito lugar, sempre propício ao descanso, à paz … à meditação. Frei Gonçalo Coelho sabia-o, até àquele fatídico dia 2 de Fevereiro de 1501, em que encontrou a morte por enregelamento, depois de surpreendido pela noite, neve e frio intenso, junto à Fonte Fria, vindo da aldeia galega de A Cela de regresso a Pitões.
No recôndito vale do Ribeiro do Campesinho, com Pitões ao fundo … chegávamos ao velho Mosteiro de Santa Maria
Mosteiro de Santa Maria das Júnias: um lugar que convida sempre ao descanso, à paz, à meditação...
Desta vez não chegámos a entrar em Pitões. A manhã estava já bastante quente; o objectivo era regressar a Parada do Outeiro pelos densos carvalhais que ladeiam a margem esquerda dos ribeiros do Campesinho e do Beredo, pelo trilho que percorri a solo há sete anos. A cascata de Pitões é a mais famosa … mas já naquela altura eu me tinha extasiado na beleza das segundas cascatas do Campesinho … mais escondidas … mais imponentes … mais mágicas…

Na Cascata de Pitões … e na panóplia de cor, luz e sombras do carvalhal do Campesinho
No mundo maravilhoso e "perdido"
das cascatas do Campesinho
Meio dia. Apetecia ficar naquele paraíso ... mas tínhamos um Castro Galaico à nossa espera em Braga. Em pouco mais de duas horas regressámos a Parada do Outeiro, onde os carros já quase que "ferviam" ao Sol. A nossa anfitriã e guia ficou na aldeia de Outeiro, onde no sábado faria parte da equipa dinamizadora do evento Outeiro em Flor. E nós ... rumámos a Bracara Avgvsta.
Pelo carvalhal do Beredo, regressámos a Parada do Outeiro, no final de uma bela caminhada ... pelo "Gerês Sem Limites"
Clique para ver o álbum completo

                             
No Castro Galaico de Nogueiró … celebrando as raízes celtas
Domingo, 14 de julho

"É na cultura Galaica que assenta muito daquilo que somos hoje.
Celebramos as nossas raízes a partir do Castro da Consolação, um dos berços de Braga.
"
A Antena 1 apresentava assim a X Edição do Festival de Nogueiró, "para celebrar as raízes castreja, celta e galaica, através da recriação de um povoado, muita música e animação". E foi sem dúvida com muita música e muita animação que ali decorreram 3 noites mágicas, aliando "uma vista fantástica sobre Bracara Avgvsta" a um cartaz fabuloso e a uma impecável organização.
Capela da Srª da Consolação, Braga

Durante 3 noites, quando o Sol
se punha ... começava a magia!
                   
As Espiral, Luar na Lubre, Origem Tradicional, Sebastião Antunes, Canto D'Aqui e Galandum Galundaina sucederam-se ao longo das 3 noites, à mistura com a recriação de um casamento celta, danças tradicionais, cantares polifónicos ... e culminando com uma queimada galega para as mais de mil pessoas que haviam dançado, saltado e vivido música e tradição popular.
A União de Freguesias de Nogueiró e Tenões, o grupo Canto D'aqui, a Associação Recreativa e Cultural Universitária do Minho, a Ascredno Nogueiró e o Grupo de Música Popular da Universidade do Minho, com o apoio da Antena 1 e da Câmara de Braga, estão sem dúvida de parabéns.
Mas em Braga ... eu também estava no Caminho de Santiago. Da frente da Sé parti aliás em Julho de 2014 para o Caminho "da Aventura" ... o Caminho em que tudo começou. Um Caminho que presentemente se encontra já homologado como Camiño Xacobeo, o Caminho da Geira e dos Arrieiros. Um dos dinamizadores deste Caminho é o bracarense Henrique Malheiro; ambos nos quisemos conhecer pessoalmente, o que foi possível no sábado, em que o Henrique fez questão de nos levar aos mais icónicos "miradouros" de Braga, embora em dia cinzento e de alguma chuva.

Santuário do Sameiro, 13.jul.2019: pode
ser que um dia daqui parta para a Via Mariana...
Do Santuário do Sameiro parte aliás outro Caminho de peregrinação a que o Henrique está igualmente ligado. É a Via Mariana, um Caminho que é ainda anterior ao Caminho Jacobeu e que liga os Santuários Marianos da antiga Galaecia, do Sameiro ao Santuário de Nª Srª da Barca, em Muxía.
Mas o domingo, em Braga ... ainda foi dia de caminhar ... e de estar no Caminho...

terça-feira, 2 de julho de 2019

Da navegação à vista à precisão do GPS...

... ou a evolução tecnológica da minha paixão pela vida ao ar livre                   
"Um blog tem sempre um começo. O meu … começou há mais de 40 anos… 😊. Não havia internet, não havia GPSs, a televisão tinha só um canal … mas havia Natureza, havia montanhas, mares, florestas, havia sede de viver! Então com 17 anos, em 1970 um rapaz urbano e pacato começou a descobrir a sua vocação: o contacto com a Natureza, com os grandes espaços naturais, com o mundo rural ... o desbravar das fragas espalhadas por muitos "paraísos perdidos", pelos quais a vida o levaria a apaixonar-se."
Quando comecei a escrever as minhas memórias de quase meio século de "aventuras", começava assim a apresentação aos meus "instantâneos de uma vida ao ar livre".
O tal rapaz urbano e pacato ... vai agora a caminho dos 70 anos ... tem filhos e netos ... já palmilhou "léguas sem fim" ... e apaixonou-se também pelos Caminhos Peregrinos ... os Caminhos da espiritualidade.
Vão longe os tempos "pré-históricos" da espeleologia, do mergulho amador, das caminhadas pelos grandes espaços, dormindo ao relento, em palheiros, no fundo de grutas, entre caixotes no porão de traineiras ou em tendas armadas no alto de serras, ou no meio de matas luxuriantes. Para trás ficaram também os mais de 30 anos em que conduzi grupos de jovens na aprendizagem desse Amor pela Natureza.
Ao longo de todas essas "aventuras", tive sempre um razoável sentido de orientação. Caminhava em grupos, mas muitas vezes também sozinho, como à descoberta da "minha" Malcata, por exemplo. Quando necessário, recorria a guias, ou aos velhos mapas em papel, à velha bússola, aos azimutes, mas a navegação era eminentemente à vista, baseada nos sentidos ... e nunca me perdi... 😃.
Nos últimos anos do século passado, contudo, o GPS veio revolucionar tudo. Global Positioning System: depois de um uso exclusivamente militar, de início,
a localização e navegação por satélite passava a estar disponível para uso civil gratuito. Claro que não entrei no mundo do GPS de imediato ... mas a minha atracção para as tecnologias (os meus vídeos são um exemplo) levou-me ao mundo da navegação por GPS, assim que aquela foi economicamente viável para o comum dos mortais. É assim que, na Nauticampo de 2002, adquiri um receptor Magellan Meridian Gold, um receptor de GPS provido de um mapa base de 16 MB e um écrã com uma "espectacular" resolução ... de 120 x 160 pixels. Mas quase tudo me era estranho naquele "mundo", na altura; a aprendizagem não foi fácil, mas tal como nas minhas carolices nos "mundos" do vídeo e da informática (nos quais tinha entrado respectivamente há mais de 10 anos e há quase 20), a melhor e mais eficaz formação foi a auto-aprendizagem, a leitura, a experiência, a tentativa e erro, a correcção.
Serra da Malcata, Agosto de 2003
Um dos primeiros testes de campo deste Magellan foi na épica viagem pelas terras celtas da Irlanda e Gales, nos tempos áureos da autocaravana. Curiosamente, a minha adesão aos Caminheiros Gaspar Correia, em Outubro de 2002, coincidiu com os primeiros registos mais a sério com aquele dispositivo pioneiro. A fase de treino e de experiência continuava ... e nem sempre os resultados me satisfaziam. Desde cedo que me senti limitado pelo mapa muito pouco pormenorizado. A Garmin, concorrente da Magellan, não me oferecia garantias melhores; cheguei aliás a experimentar o modelo eMap, através de uma campanha na Nauticampo do ano seguinte.
Serra da Malcata, Junho de 2005
Em ambos - e nos receptores GPS em geral - aquela limitação era importante; era possível associar outros mapas, mas apenas mapas da marca, via cartão SD. No entanto, foi aquele Magellan que me lançou na navegação por satélite; o desbravar da "minha" Malcata, a pé, de bicicleta e de jeep, a ele o devo ... associado à "descoberta" que entretanto tinha feito nas pesquisas na internet: o OziExplorer. Este fabuloso software permitia-me estudar mapas e percursos na comodidade do ecrã do computador; quaisquer mapas, desde que georreferenciados, o que podia eu próprio fazer, introduzindo as coordenadas de pelo menos três pontos no mapa. As velhas cartas topográficas ganhavam de novo vida. Podia traçar e estudar percursos no computador, passá-los para o Magellan e segui-los no terreno, bem como registar percursos no terreno e visualizá-los no mapa, no ecrã.
OziExplorer: "We have been developing and updating OziExplorer and related products since 1996
and are still providing free updates for all our software products
"
Mas a versatilidade que o OziExplorer me dava no computador, não a tinha no terreno, onde continuava limitado por cartas com pouco pormenor. Mesmo nos eventuais modelos topo de gama da Magellan ou da Garmin, ficaria sempre dependente dos respectivos mapas. Foi, mais uma vez, o OziExplorer que conduziu a minha evolução na navegação por satélite:
OziExplorerCE: qualquer cartografia na palma da mão
em meados de 2005, surgiam as primeiras versões estáveis do OziExplorerCE ... destinadas aos então chamados Pocket PC's e PDA's, precursores dos actuais Smartphones. Por outras palavras, passava a ser possível ter no bolso, no terreno, a versatilidade que o OziExplorer dava no ecrã do computador! Ou, dito de outra maneira ... os velhos mapas em papel, quaisquer cartas ou mapas (inclusive obtidos por scanner e georreferenciados) podiam agora ser consultados e usados no ecrã de um aparelho de bolso. Era a "filosofia" dos dispositivos GPS dedicados, da Magellan, da Garmin ou de qualquer outra marca ... mas com a liberdade de usar quaisquer mapas, com as características, a escala e o grau de pormenor que quisesse.
Qtek 9000 ... uma máquina potentíssima para a altura
E assim ... em finais de 2005 vendi o Magellan Meridian Gold e comprei o meu primeiro PDA/telemóvel, o Qtek 9000, baseado em Windows Mobile, sucessor do WindowsCE.
Os PDA's e os primeiros smartphones não possuíam contudo um receptor GPS integrado, ou, os que o tinham, não era suficientemente fiável. Mas essa era uma falha fácil de colmatar: um receptor GPS externo (por vezes chamado uma "antena GPS"),
comunicando por bluetooth com o OziExplorerCE no PDA, não só resolvia o problema como poupava (e muito) a bateria daquele. Os receptores GPS externos até eram acessíveis; a minha opção recaiu no pequeno GlobalSat BT338.
É também em 2005/2006 que se dá o advento de três ferramentas que em muito contribuíram para a minha ligação entre as novas tecnologias e a vida ao ar livre: o bem conhecido Google Earth, modelo tridimensional da Terra, construído a partir de um mosaico de imagens de satélite, e duas bases de dados que oferecem gratuitamente percursos para GPS (tracks) e pontos (waypoints) que os membros podem partilhar. São elas o Wikiloc e o GPSies. Sou membro de ambas, com o nickname 'Xalmas'; no Wikiloc, tenho mais de 700 percursos registados, tendo mais de 300 seguidores.
2005 marca também o ano a partir do qual tenho todos os meus percursos pedestres registados, excepção feita a percursos exclusivamente urbanos. A minha página "léguas sem fim" enumera-os; tendo em conta os poucos registados entre 2002 e 2004, os que foi possível estimar com algum rigor antes de 2004 e nos "tempos históricos" ... devo estar a caminho dos 20 mil km a pé... 😊. Não é muito; conheço quem tenha feito bem mais.
Samsung Omnia II
Em resumo: em fins de 2005/início de 2006, com o OziExplorer e um dispositivo Windows Mobile ... tinha o mundo no meu bolso! E nunca me arrependi da opção e do "modelo"; o Magellan Meridian tinha-me iniciado na navegação por satélite, com as vantagens que um receptor GPS dedicado indubitavelmente tinham, ao nível das características outdoor e da duração da bateria; mas a versatilidade de um sistema "livre", em que eu posso escolher tudo, desde os mapas à configuração do ecrã e às informações fornecidas, associada ao facto de poder ter num mesmo aparelho um telemóvel e um pequeno computador, com ligação à internet ... na minha opinião vale tudo. E a evolução, a partir daí ... foi a evolução dos smartphones e respectivos sistemas operativos. Em 2009, o meu passo seguinte foi o Samsung Omnia II, ainda baseado em Windows Mobile, mas foi mais uma vez o OziExplorer a levar-me ... para o mundo dos Smartphones Android: no início de 2011, o OziExplorer lançava as primeiras versões beta do OziExplorer Android, para os dispositivos Android igualmente em início da sua fulgurante expansão.
Optimus Boston 4G ... o 1º Android
Mantive-me contudo fiel ao Omnia II até 2013, deixando estabilizar as versões tanto do Ozi como do próprio Android. Em Agosto daquele ano ... então sim entrei no "reino" Android, através de uma "bomba" lançada pela Optimus/NOS, o Optimus Boston 4G.
OziExplorer Android ... e a cartografia cada vez mais na palma da mão
Com a versão 4.1.2 do Android e a versão 1.2 do OziExplorer Android ... o primeiro track registado foram os 60 km comemorativos dos meus 60 anos 😊! Ainda tinha o Omnia II ... e pelo sim pelo não levei os dois; em 62 km ... houve uma diferença de menos de 500 metros; tinha entrado no mundo Android.
Santa Cruz, 4 de Setembro de 2013. Estava cumprida a promessa: 60 anos ... 60 km ... e o primeiro registo em Android
Com um receptor de GPS interno suficientemente fiável, o Boston 4G dispensou o GlobalSat. Além disso, mais ainda do que no OziCE ... todas as funções do OziAndroid são configuráveis: em estreita ligação com a versão PC, o Screen Designer permite "desenhar", no computador, cada um dos vários ecrãs que queremos no smartphone, como os queremos e com a informação que queremos.
OruxMaps ... e o velho OziAndroid passou à história...
A expansão dos dispositivos Android levou contudo ao aparecimento de aplicações específicas para navegação por satélite, inclusive dos já referidos Wikiloc e GPSies. Utilizo por vezes a app do Wikiloc, mas não me preenche a versatilidade e fiabilidade a que o OziExplorer me habituara; utilizo o Wikiloc com frequência ... mas como base de dados e partilha de percursos, no computador.
Entre as apps que surgiram no mundo Android, houve contudo uma que me começou a despertar a atenção: o OruxMaps. Para além da possibilidade de usar quaisquer mapas georreferenciados, como no Ozi, o Orux apresentava-me mais informação, com toda a estatística de cada percurso, gráficos de altimetria, diversos mapas online e offline, ecrãs com informação configurável, etc., tudo numa interface moderna e intuitiva. E assim, continuando a usar o OziExplorer no PC, para estudo e desenho de percursos (ou para visualizar e registar os percursos realizados) ... em Janeiro de 2014 o OruxMaps passou a ser o meu novo navegador no terreno ... e assim permanece até hoje!
De 2014 até à actualidade, o sistema Android evoluiu (vamos a caminho da versão 10, Android Q), o Orux actualizou-se (versão actual 7.5.4 GP) ... e as máquinas que os suportam também se actualizaram. Melhores aplicações, mais pormenor ... requeria ecrãs maiores, maiores resoluções ... câmaras fotográficas melhores. O Boston 4G, com um ecrã de 4.5″ e uma resolução de 540x960 ... em Maio de 2015 deu lugar ao ASUS Zenfone 2 (5.5″, Full HD 1920x1080) e em Outubro de 2016 ao ASUS Zenfone 3 Deluxe (5.7″, Full HD 1920x1080, 64GB de memória interna ... e uma incrível câmara traseira de 23Mpx).
ASUS Zenfone 3 Deluxe
Nesta evolução de hardware, claro que houve um avanço centrado nos processadores, mas também ao nível do receptor GPS, afinal componente essencial quando se pretende um smartphone destinado à navegação por satélite. Outras duas características fundamentais são ainda a memória interna (64 GB, no Zenfone 3) e a capacidade da bateria. Os powerbanks contornam a esgotabilidade daquela ... mas representam um equipamento (e peso) suplementar nas actividades de campo...
Em termos de software, desde 2014 que o meu "modelo" continua a ser o mesmo:

1) Selecção prévia de percursos, no PC, a partir das bases de           dados Wikiloc, GPSies ou outras;
2) Edição e estudo em OziExplorer (versão PC);
3) Gravação do(s) track(s) no Smartphone (ficheiro(s) GPX,               KML, KMZ, PLT...);
4) Navegação, no terreno, com o OruxMaps, seguindo o track.

A sequência inversa também se aplica, se estivermos a registar no Orux um percurso efectuado em grupo, ou à "aventura", para posteriormente o visualizar no computador. Neste "modelo", é contudo de referir ainda uma ferramenta muito útil que se veio associar ao OziExplorer na segunda das fases acima: trata-se do WTracks, um editor totalmente online de tracks e waypoints, que portanto permite trabalhar no computador, criando, editando ou lendo percursos sobre mapas online, por exemplo para apagar pontos em que a recepção por satélite foi deficiente. Dado que não requer qualquer instalação, é possível inclusivamente utilizar o WTracks num browser em Android, permitindo assim a edição ou pequenas correcções de percursos acabados de registar.
WTracks: editor online de tracks e waypoints, uma alternativa ao OziExplorer
Com o WTracks e o meu "modelo" ... chegamos à actualidade ... ou quase. Ainda se lembram das vantagens que referi, no início, que um receptor GPS dedicado indubitavelmente tem?
Ulefone Armor 6 ... "The World's Top Indestructible
Rugged Phone of 2019"
Exacto: características outdoor (resistência à água, poeiras, quedas) e duração da bateria. A versatilidade de um sistema "livre" conquistou-me sempre ... mas claro que juntar aquelas vantagens a um smartphone convencional seria reunir o melhor de dois mundos.
Juntá-las ... é o que reúnem os denominados rugged smartphones, ou "telefones robustos", com graus de protecção definidos por padrões internacionais. Várias são as marcas e modelos destes rugged phones, sendo a Caterpillar talvez a mais conhecida. Os preços, contudo, nunca foram muito convidativos ... até Janeiro deste ano ... quando o Zenfone 3 deu lugar a um Ulefone Armor 6: 6.2″ de ecrã, Full HD 2246x1080 ... 6GB de RAM ... 128GB de memória interna ... uma bateria de 5000mAh ... num aparelho virtualmente indestrutível ... certificado IP68/IP69K.
Opinião desde Janeiro? Francamente positiva! Claro que é um smartphone grande, pesado (268g) ... mas os compromissos assumem-se. Bateria a durar entre 2 a 3 dias em utilização frequente; já percorreu o meu Caminho de Santiago de 2019, com etapas de 9 e 10 horas consecutivas em registo GPS ... e a terminar sempre acima dos 40 a 50% de bateria. Precisão do GPS normalmente entre 1 a 3 metros, raramente mais; bússola; barómetro; medidor de UV...
Locus Map … um possível concorrente ao OruxMaps
Em fase experimental, recentemente tenho utilizado também no campo uma outra aplicação que, esta sim, poderá competir com o OruxMaps. Trata-se do Locus Map, uma aplicação checa com versão gratuita e uma versão full, com umas boas dezenas de funções úteis. À semelhança do Orux, pode utilizar também quaisquer mapas georreferenciados, mas possui de raiz excelentes mapas topográficos online e offline, além de incluir uma excelente base de dados de percursos pedestres. No exemplo ilustrado à direita, o percurso assinalado a azul, em baixo, com as cores branca e vermelha das GRs, faz parte da Grande Rota do Vale do Côa … na área da "minha" Vale de Espinho.
Em resumo, a minha opção e conselho apontam sem dúvida para a utilização de:

Smartphone: de preferência "todo o terreno", com um bom processador e bateria;
Software no PC: OziExplorer e/ou WTracks, para estudo das cartas e percursos;
Software no Smartphone: Oruxmaps e/ou Locus Map, para navegação e orientação.

Com estas ferramentas ... ninguém se perde em ponto nenhum do planeta, desde que tenha as respectivas cartas ... e saiba usar as ferramentas. Próximos capítulos desta "história"?... Nunca se sabe. Para já ... gostei de a contar. Este foi um post, nestas minhas memórias, diferente de todos os outros. Foi a história ... da evolução tecnológica da minha paixão pela vida ao ar livre ... da navegação à vista à precisão do GPS...