terça-feira, 22 de janeiro de 2019

No trilho dos Moinhos da Póvoa ... à procura da frente ribeirinha...

Nas duas primeiras manhãs do ano, percorri a margem direita do Tejo, da foz do Trancão a Santa Iria.
E percorri-a ... como pude, por vezes a corta mato, lamentando que ainda não haja uma verdadeira frente ribeirinha, particularmente no troço correspondente ao Concelho de Loures. Soube contudo que tinha sido inaugurado em Julho o Parque Ribeirinho Moinhos da Póvoa e Ciclovia do Tejo, ligando a Praia dos Pescadores da Póvoa ao limite sul do Concelho de Vila Franca de Xira. Fui conhecê-lo hoje, procurando também a maneira possível de ligar o percurso pedonal entre a Estação da CP de Santa Iria da Azóia e o pontão da BP - os únicos 740 metros da 1ª Fase da Frente Ribeirinha no Concelho de Loures.
740m de trilho perpendicular ao Tejo ... os únicos no Concelho de Loures
Enquanto Loures não avançar com os 5,4 km de passadiços previstos neste video futurista, é possível seguir-se por caminhos existentes debaixo do viaduto do IC2 até à linha de comboio, junto à vala que separa os dois concelhos. Há que rodear um amplo parque empresarial, entrando no trilho Moinhos da Póvoa junto às instalações da Rangel.

Sob o viaduto do IC2 consegue-se passar de Santa Iria de Azóia para a Póvoa, vendo ao fundo o fim
dos percursos pedonais do Concelho de Vila Franca ... ou o início. Quando é que Loures lá chega?...
E já em terras Vilafranquenses ... onde acaba o novo trilho dos Moinhos da Póvoa ... ou onde começa
O trilho Moinhos da Póvoa oferece belas panorâmicas do Tejo, com o Mouchão da Póvoa em frente. Passa nas traseiras da Solvay e liga ao já conhecido Trilho do Tejo junto ao Núcleo Museológico "A Póvoa e o Rio" e à aldeia avieira ali existente. O trilho e o parque - Moinhos da Póvoa - devem o nome à "Fábrica dos Moinhos de Santa Iria" (fábrica de moagem), um velho edifício durante muitos anos completamente abandonado, frente à estação da CP da Póvoa.

Imagens ribeirinhas no trilho dos Moinhos da Póvoa, frente ao Mouchão e, na última foto, com o Castelo de Palmela em fundo
Os novos passadiços, nas traseiras da Solvay (antiga Soda Póvoa)
Um simpático pernilongo passeia-se no lodo
O rio a preto e branco...
O novo Parque Ribeirinho da Póvoa, destacando-se o velho edifício da Fábrica de Moagem
Junto ao novo parque foi também construído um pequeno nicho com a imagem de Nossa Senhora dos Avieiros. E pelo Trilho do Tejo, antes de regressar a Santa Iria ... ainda fui ao encontro do Caminho de Santiago e de Fátima. A última vez que ali passara foi há menos de dois meses...

Fátima e Santiago ficam para norte ... mas hoje este foi o extremo norte do trilho percorrido
Complementando o percurso de hoje com os dos primeiros dois dias do ano e com os trilhos a norte da Póvoa já várias vezes realizados, reuni assim o que é possível percorrer actualmente desde a foz do Trancão até Vila Franca de Xira. Enquanto a frente ribeirinha completa não existe, temos portanto:

- Da foz do Trancão (Bairro da Cortiça) ao Percurso Ribeirinho de Loures (Santa Iria de Azóia):
  6,860 km de trilhos à "aventura" (corta mato, trilhos de pé posto, caminhos de terra)
- Percurso Ribeirinho de Loures:
  740 metros de trilho pedonal, de próximo da estação CP de Santa Iria ao antigo pontão da BP
- Do pontão da BP à Rangel (Póvoa de Santa Iria):
  2,3 km de caminhos e trilhos de pé posto (cerca de 400 metros junto à linha de comboio)
- Trilho dos Moinhos da Póvoa e da Póvoa a Alverca (Museu do Ar):
  8,620 km de trilhos e passadiços preparados para o ciclismo e pedestrianismo
- De Alverca a Alhandra:
  5,910 km de área urbana (em Alverca e Alhandra), com um pequeno troço de trilho de pé posto
  (inclui 2,5 km na EN 10)
- De Alhandra a Vila Franca de Xira:
  4,0 km de trilhos e passadiços preparados para o ciclismo e pedestrianismo

O mapa wikiloc que aqui fica não corresponde portanto ao percurso hoje efectuado, mas sim à compilação do percurso actualmente possível desde a foz do Trancão a Vila Franca de Xira: sensivelmente 28,5 km, dos quais 13,5 km estão devidamente preparados. O Concelho de Vila Franca de Xira é largamente maioritário.
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sábado, 19 de janeiro de 2019

Trilhos do Nabão, do Sobreirinho a Tomar

Quando em Setembro passado fiz o troço entre Tomar e Ansião do Caminho Central Português de Santiago,
Regressei ao Caminho de Santiago ...
19.Janeiro.2019
o troço ribeirinho do Nabão fez-me nascer a ideia de levar ali os "meus" Caminheiros Gaspar Correia. Lancei-lhes a proposta ... e a caminhada foi seleccionada para estrear as actividades do Grupo no ano de 2019. Com eles, a ideia seria descer o Nabão (portanto em sentido contrário ao de Santiago), mas precisaria de escolher um ponto emblemático para o início da descida pedestre, bem como também fugir o mais possível ao alcatrão. Com esse objectivo em vista e baseado em trilhos percorridos com os Novos Trilhos há 3 anos, no passado dia 21 de Dezembro fui reconhecer um troço ao longo do rio, a noroeste do Caminho de Santiago ... e encantei-me com o sítio do Sobreirinho, onde já estivera precisamente com os Novos Trilhos. O ​Sobreirinho é um dos locais mais aprazíveis das margens do Nabão; no verão, é o local por excelência para uns mergulhos. Uma estreita ponte - apenas para viaturas ligeiras e peões - une as margens da que hoje é a União de Freguesias de Além da Ribeira e Pedreira.
E pronto, assim nasceu a primeira caminhada do GCGC em 2019. Agendada para um sábado em que havia previsão de muita chuva ... os deuses com quem habitualmente tenho pacto enviaram-nos apenas uns pequenos borrifos intermitentes. E pouco depois das dez da manhã lá estávamos no Sobreirinho, a iniciar a descida pedestre do Nabão, até Tomar.
Sítio do Sobreirinho, nas margens do Nabão, 21.Dezembro.2018, no reconhecimento para a caminhada
Troço inicial do percurso, entre o Sobreirinho e a aldeia de Pedreira
Apesar do dia cinzento, a humidade emprestava ao rio e à vegetação envolvente um ar de misticismo que tornava o ambiente quase mágico. E com pouco mais de uma hora de andamento estávamos na aldeia de Pedreira, junto à antiga Fábrica de papel do Prado. Cruzando o Nabão, regressámos à margem esquerda ... e entrámos no ​Caminho de Santiago. Desde a Igreja de Santiago, em Lisboa, para a maioria dos Peregrinos este troço integra-se na 7ª etapa, entre Tomar e Alvaiázere. Nas nossas costas começaram a ficar, de vez em quando ... as tradicionais setas amarelas do Caminho.

Por cantos e recantos paradisíacos ... entramos no Caminho de Santiago
O almoço ... foi debaixo do viaduto do IC9. Pelo menos ali cabíamos todos e não chovia. E logo a seguir estávamos na Ponte de Peniche, sobre a ribeira do Tripeiro. A ​Ponte de Peniche é uma ponte medieval de dois arcos em ogiva, encimada por guardas laterais constituídas por pedras de calcário fincadas ao alto. Fazia parte da estrada Tomar - Coimbra, que deve ter existido no século XVI.

Ponte de Peniche ... no Caminho de Santiago
Continuando para sul, pouco depois das 13h30 chegávamos a outro dos locais mais aprazíveis dos trilhos nabantinos, o Açude da Pedra, ou ​Açude da Fábrica, construído há mais de 200 anos, com o objectivo de canalizar a água do Nabão para uma vala, em direcção à fábrica de fiação de Tomar. Ali existia também uma pequena central hidroeléctrica, para fornecimento de energia à unidade fabril. É pena o estado de degradação do que resta destas estruturas que ali em tempos existiram.

Açude da Pedra, ou da Fábrica, no Outeiro dos Frades
Com cerca de 9 km percorridos, entramos em Tomar pela "​Real Fábrica de Fiação, criada em 1789 por dois industriais franceses, a partir de uma unidade fabril preexistente, que cedo souberam adaptar às inovações da revolução industrial. Foi o primeiro espaço fabril português a introduzir a iluminação eléctrica, obtida através da central do ​Outeiro dos Frades, através da referida vala proveniente da central hidroeléctrica. A Fábrica de Fiação de Tomar chegou a ser considerada a maior unidade têxtil de Portugal e só deixou de laborar em 1993, esmagada pela concorrência têxtil estrangeira.

Entre o Nabão e a vala da
antiga Fábrica de Fiação
Duas e meia e estamos junto ao Parque de Campismo. Cruzamos uma última vez o Nabão pelo parque do Mouchão, ilha que é uma das zonas mais aprazíveis da cidade que durante muito tempo foi identificada como sendo a cidade romana de​ Nabância.
Tomar e o Nabão ... elementos de uma paisagem marcada pela Natureza e pelo Tempo
Do Mouchão subimos à Ermida de Nossa Senhora da Conceição e ao Castelo e Convento de Cristo ... onde foi obrigatória a foto de grupo. Depois ... restava a descida ao centro histórico de Tomar, onde se destaca a ​Praça da República, com a​ Igreja de S. João Baptista frente aos ​Paços do Concelho e a estátua do Mestre Templário e fundador da cidade, D. Gualdim Paes, no centro.

A foto de grupo tinha de ser ... no
Castelo de Tomar e Convento de Cristo
A actividade caminheira ... terminou num bar muito especial, a ​Taverna Antiqua; ali … "​Recriam-se tempos idos, em que os senhores feudais disputavam entre si reinos, castelos e terras, onde a lei era imposta pelo gume da espada e por crenças religiosas…​".
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