Um fim de semana relâmpago no Luxemburgo, associado ao casamento de um familiar próximo, permitiu um autêntico mergulho nas cores outonais, nos bosques entre Senningerberg e a capital do Grão Ducado. Foi de certo modo reviver o Outono de 2011, em que igualmente assistimos à maravilha das falling leaves e ao quadro realista que as mesmas pintam.
Senningerberg, 9.Novembro.2018, 8h55
Logo à chegada, 5ª e 6ª feiras, o Outono luxemburguês mostrou-se bem mais adiantado que o português ... além da riqueza dos bosques, ali a menos de uma dúzia de quilómetros da grande cidade. O casamento foi no Castelo de Bourglinster ... só por si uma espécie de regresso à Idade Média.
Bourglinster e o seu Castelo e envolvência natural, 10.Novembro.2018
Sábado foi um dia chuvoso, mas domingo amanheceu semi soalheiro ... enquanto sabíamos que em Lisboa chovia torrencialmente. Saí de Senningerberg às dez da manhã; tinha portanto cerca de três horas para uma caminhada a solo, até à hora do almoço, com a família e amigos. Comecei por rumar ao já conhecido bosque de Grünewald ... e o êxtase começou.
Há cor e há formas ... há
magia no bosque de Grünewald
A Luz que ilumina
e dá cor à Vida...
Do Grünewald rumei a sul, ao vale do Glaasburgronn, onde nascem múltiplas fontes de água que sai do grés luxemburguês e que se reúnem num pequeno ribeiro que corre para Dommeldange, onde se juntam ao rio Alzette. À medida que descia o vale, bem pronunciado, continuavam a suceder-se os quadros de sonho, fazendo esquecer que estava a curta distância do centro da cidade.
Ao longo do fértil e pronunciado vale de Glaasburgronn, de águas puras
Pouco depois do meio dia estava entre Dommeldange e o planalto de Kirchberg. O plano poderia ser regressar a casa, subindo agora a margem esquerda do Glaasburgronn, ou continuar para sudoeste, continuando a descer o vale. Foi esta a opção tomada ... aproveitando a boleia do irmão, filho e netas, que estavam na cidade 😊. E assim, com quase 12 km percorridos em pouco mais de duas horas, a "recolha" foi à entrada de Dommeldange, regressando a Senningerberg pela Route d'Echternach.
Próximo de Dommeldange, em quase fim de uma jornada pedestre ... e de um mergulho nas cores do Outono
À noite ... estávamos a voar de regresso a Lisboa.
No âmbito dos primeiros magustos raianos, o Grupo Cultural e Desportivo dos Fóios e oAyuntamiento das Ellas organizaram a II Rota do Contrabando, uma caminhada transfronteiriça entre aquelas duas aldeias, ligadas entre si pelas histórias do contrabando ... e por isso mesmo geminadas.
Pouco depois das oito horas, o autocarro disponibilizado pela Câmara do Sabugal deixava os Fóios, com os "contrabandistas" inscritos para esta rota e que, nas Ellas, se juntaram aos locais.
Ellas (Eljas): bonito grafiti, alusivo à fala local, o lagarteiru
Nas Ellas (Eljas, em castelhano) fala-selagarteiru, uma das trêsfalas xalimegas, variedades linguísticas do galaico-português usadas nas três aldeias do vale de Xálima ... o "meu" Xalmas. O cartaz para esta iniciativa está precisamente escrito em lagarteiru. E, de acordo com o programa, pouco passava das dez (nove portuguesas) deu-se a sella da II ruta de u contrabandu, que começou pelo velho castelo das Ellas, onde os dois alcaldes disseram umas palavras junto ao monumento alusivo ao contrabando e à geminação entre as duas aldeias fronteiriças.
Ellas, 3.Nov.2018, 9h15 -
Começa a II Rota do Contrabando
No Castillo de Ellas, junto ao monumento
alusivo à história do contrabando
Do Castillo das Ellas, os "contrabandistas" descem rumo a Valverde del Fresno, cruzando o Rio Erjas,
que mais a sul será o nosso Erges
O percurso escolhido pela organização levou-nos a Valverde del Fresno, subindo depois rumo a Curral Fidalgo e ao Piçarrão. Dos olivais pouco depois de Valverde, a pouco mais de 500 metros de altitude, havia que subir, numa primeira fase, aos 760 metros na base do Piçarrão.
Pelas 10h30 estávamos a atravessar Valverde del Fresno
O programa prometia bebidas frescas a meio do trajecto ... e que bem souberam, já que o calor apertava neste primeiro sábado de Novembro. E como estes eventos propiciam os convívios e as novas amizades ... conheci pessoalmente nesta jornada "contrabandista" uma figura lendária do pedestrianismo, que há bastante tempo conhecia das redes sociais. A caminho dos 80 anos ... o "Ti" Amílcar acelerava corta fogos acima, deixando para trás os cerca de 120 companheiros de jornada!
Na frente das "tropas contrabandistas", sempre o "Ti" Amílcar, presente e em força!
(Foto da direita: José Manuel Campos)
Na base do Piçarrão (760m alt.), onde o staff nos brindou com bebidas frescas. Ao fundo as Ellas, de onde partimos.
Com mais de uma centena de participantes, esta rota do contrabando seria naturalmente heterogénea; enquanto uns já se refrescavam com umas "loirinhas", a cauda do "pelotão" ainda estava bem abaixo. E ... ainda faltavam outros 260 metros de desnível até à raia, ligeiramente a poente da Pedra Monteira. Para minimizar um pouco a subida, seguimos o estradão que leva às ruínas da velha caseta de carabineiros do Piçarrão ... mas a partir da qual o empinado corta fogo para a raia também cortou a respiração a vários "contrabandistas"... 😊. E era quase uma da tarde quando entrámos em Portugal.
Pelo corta fogo à direita seria mais perto, mas mais a ocidente a inclinação seria menor ... ligeiramente...
Subida do corta fogo entre a caseta dos carabineiros e o cume do Piçarrão
Passava já da uma e meia quando os Fóios surgiram no horizonte. Descendo pelo cabeço da Cama Grande rumo aos ribeiros Picoto e do Colmeal (ambos sem água), cruzámos o Côa e chegámos ao destino ainda antes das duas. O almoço esperava-nos, oferecido pela organização, junto à praia fluvial. E que almoço! Truta frita e uns enchidos de entrada ... e um muito saboroso e nutritivo rancho!
Fóios à vista!
Cruzando o Côa,
sedento de água
Almoço no espaço de convívio da praia fluvial dos Fóios.
Os cozinheiros estiveram sem dúvida de parabéns!
Mas a Festa das Borrallas não terminou com o almoço, claro. Às cinco da tarde, no pavilhão do Grupo Cultural e Desportivo dos Fóios, estava programada uma actuação do grupo Llares Folk, que há mais de 30 anos se tem dedicado ao estudo e à interpretação da música tradicional estremenha e castelhana, sons que se confundem graças à cultura musical ligada à transumância e que se perdem na noite dos tempos. Sendo a música folk uma outra minha paixão ... não poderia faltar.
Com um significado muito especial para as terras da raia Sabugalense e estremenho-castelhana, o último trabalho discográfico dos Llares Folk intitula-se ... "Da Vetonia à Lusitânia"
Llares Folk: "Cruzamos la raya para hacer sonar nuestro Folk en la Fiesta de la castaña de Fóios y Eljas, pueblos hermanados con una historia peculiar " (de: http://bit.ly/llaresfoios)
No pavilhão dos Fóios actuou ainda um grupo de danças Sevilhanas, a que se seguiu o magusto. Mas, havendo igualmente magusto em
Vale de Espinho ... eu tinha de regressar à minha aldeia adoptiva 😉. E que boas estavam as castanhas, a jeropiga, a entremeada... 😋. Era a despedida das terras raianas por agora; mas nunca é um adeus ... é só um "até breve"!