sábado, 16 de julho de 2011

De Vale de Espinho à Serra da Opa

Tal como havia feito em Agosto de 2008, quando da "romagem" à Senhora da Póvoa, aproveitei hoje uma vinda do meu júnior mais novo a Vale de Espinho para uma travessia longa da "minha" Malcata: 15 minutos antes das seis da manhã estava a partir para uma caminhada que viria a totalizar 28 km e que me levaria ... ao Terreiro das Bruxas. A ideia era, se houvesse tempo para isso, a de subir ainda à Serra d'Opa, a serrania fronteira àquela povoação e que domina a Cova da Beira, embora soubesse de antemão que quase de certeza não concretizaria esse plano, dado que a boleia de regresso a Vale de Espinho deveria passar ainda antes do meio dia, como se veio a verificar.

16.07.2011, 5:55h - O Sol ainda não nasceu sobre Vale de Espinho...
6:20h - ... e a Lua ainda olha pela capela do Espírito Santo, Quadrazais
O dia amanheceu por alturas do Espírito Santo. A jornada tinha que ser tecnicamente fácil, pelo que o percurso seguido foi o do estradão Quadrazais - Malcata. Seguiu-se a descida para a Ribeira do Arrebentão, ligeiramente a norte de Meimão ... e a penosa subida para a estrada Meimão - Sabugal.

Barragem do Sabugal, do estradão Quadrazais - Malcata
Lagoeiro, descendo para o vale do Arrebentão (Meimão)
Meimão e albufeira da Ribeira da Meimoa
Antes das 10 da manhã, com 20,5 km percorridos em 4 horas, estava no alto da Malhada da Pirraceira, à vista de Santo Estêvão e da Cova da Beira, com a Serra de Opa ao fundo! A partir daí, a descer ... a média aumentou. Em pouco mais de 35 minutos estava em Santo Estêvão, mais 15 minutos e estava a entrar no Terreiro das Bruxas. A Serra de Opa lá estava, apelativa ... mas não daria tempo de a subir e regressar. Por isso ... avancei até à Fonte dos Mourinhos, na estrada de Caria ... onde pouco depois das 11 horas o meu júnior me "capturou".

Cova da Beira à vista: Santo Estêvão e a Serra da Opa
Santo Estêvão
10:47h - Terreiro das Bruxas e a Serra da Opa: a "corrida" estava a acabar...
Fonte dos Mourinhos (Terreiro das Bruxas) ... onde fui "capturado", com 27,6 km percorridos em 5h e 23 minutos
A Serra de Opa merecerá uma "descoberta" mais específica. Esta jornada foi mais, portanto ... um "teste de resistência". Caso tivesse sido uma jornada de dia inteiro, teria hoje certamente batido o meu "record" pessoal de distância. O de média de andamento creio que terei batido... J.



(Álbum de fotos completo neste link)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Rio Côa (4) - da Ribeira do Boi a Porto de Ovelha

Em Dezembro do ano passado, a descida pedestre do Côa tinha parado junto à foz da Ribeira do Boi, a sul de Seixo do Côa e de Valongo. Seis meses depois, retomei-a no mesmo ponto, avançando cerca de 15 km para norte ... e terminando o percurso do "rio sagrado" no concelho do Sabugal.
Deixei inicialmente o carro perto da ponte de Seixo do Côa e iniciei a jornada, a pé, pela encosta do geodésico do Picoto, que, também em Dezembro, tinha marcado o fim da "aventura". E pouco depois estava na foz da ribeira do Boi, na margem oposta àquela onde em Dezembro tinha terminado, a descer o Côa pela margem esquerda. E rapidamente as memórias perdidas dos velhos moinhos me voltam a acompanhar, no meio do emaranhado da vegetação e da solidão do tempo passado.

30.06.2011 - O Côa, junto à foz da Ribeira do Boi
Mais memórias perdidas no tempo: Moinho do Júlio Miguel
Admirando o Côa
O Côa, da ponte entre Seixo e Valongo do Côa
Seguindo o curso do rio, hora e meia depois estava na ponte do Seixo. "Transplantei" então o carro para junto da ponte de Sequeiros ... e voltei para trás, para retomar a descida pedestre. Continuando pela margem esquerda, o Côa recebe ali a ribeira do Seixo, a norte da qual duas açudes e um velho pontão de poldras, velha ligação pedonal a Valongo do Côa, oferecem belas imagens ribeirinhas, a que se juntam os vestígios do Moinho dos Pontões e do Moinho do Fontes.

Foz da Ribeira do Seixo, afluente da margem esquerda do Côa
Pontão de Valongo do Côa
O Côa a norte da Ribeira do Seixo
Papoilas a dar côr aos campos
Moinho
do Fontes
Pontão junto ao Moinho do Fontes
Há vida no Côa...
... mas também há mais memórias perdidas
E surge a Ponte de Sequeiros
O Côa recebe novo afluente na margem esquerda, o Ribeiro do Homem, antes de curvar quase 90º para leste e de chegar à vetusta Ponte de Sequeiros. Trata-se de uma ponte fortificada, que permite a travessia do rio numa vertente de grandes afloramentos graníticos, constituindo-se estes, por si próprios, numa defesa natural. De construção provável no século XIII, esta ponte seria um marco de fronteira antes da incorporação das terras do Riba-Côa no território nacional, pelo Tratado de Alcanices.

Ponte de Sequeiros
A partir da Ponte de Sequeiros, o Côa faz fronteira entre o concelho do Sabugal, na sua margem direita, e o concelho de Almeida, na margem esquerda. Subi um pouco a encosta de Vale Galego, à vista de Badamalos, descendo depois para a ponte José Luís, que liga Badamalos a Miuzela.

O Côa a nordeste da Ponte de Sequeiros
Gado nos lameiros ribeirinhos
E segue-se em direcção nordeste
Ribeira da Nave, afluente da margem direita do Côa
O troço ribeirinho a norte de Badamalos é uma sucessão de recantos paradisíacos. E chegamos à foz da Ribeira da Nave, entrando numa espécie de península entre aquela e a Ribeira de Vilar Maior. Esta última não é mais do que a junção das ribeiras de Alfaiates e de Aldeia da Ponte, que se reúnem a norte de Vilar Maior e não muito longe da foz, no Côa.

E o Côa segue o seu curso
Pontão de poldras sobre a Ribeira de Vilar Maior
Maravilhas do Côa...
... e a paz num tronco de árvore ...
Ultrapassada a Ribeira de Vilar Maior ... o Côa deixa o concelho do Sabugal. Porto de Ovelha já se avista ao fundo, na margem esquerda. Caminhando já no concelho de Almeida, é para lá que me dirijo, atravessando o Côa por um velho pontão que desemboca na pequena capelinha de Porto de Ovelha. A descida pedestre do Côa estava completada, pelo menos em terras Sabugalenses.

Ao fundo, Porto de Ovelha, Concelho de Almeida
Pontão de Porto de Ovelha
Moinho e pontão, à entrada de Porto de Ovelha
Pequena capela ribeirinha, Porto de Ovelha
E o Côa segue no concelho de Almeida. Estava terminada a descida pedestre em terras Sabugalenses
E assim, pouco antes das três e meia da tarde, terminado o curso do Côa no concelho do Sabugal ... restava-me voltar à Ponte de Sequeiros, onde tinha deixado o carro. Tinha avançado cerca de 15 km "úteis" do curso do rio ... mas a jornada foi de 28 km. E agora? Continuo até Foz Côa? O tempo o dirá.



(Ver álbum de fotos completo neste link)